Acervo Pessoal
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Dia do Quadrinho Nacional: entenda o porquê da data e conheça o pioneiro Angelo Agostini

Comemoração é feita em aniversário de lançamento da primeira história em quadrinhos do Brasil, protagonizada pelo personagem Nhô Quim

André Carlos Zorzi, O Estado de S.Paulo

30 de janeiro de 2021 | 08h00

O Dia Nacional do Quadrinho é comemorado no Brasil neste sábado, 30. A data remete à primeira história em quadrinhos do País, As Aventuras de "Nhô Quim", ou Impressões de Uma Viagem à Corte, de Angelo Agostini, publicada no periódico A Vida Fluminense, em 30 de janeiro de 1869.

O enredo trouxe 20 quadrinhos, divididos em três linhas, em que eram citados personagens como Nhô Quim, seu 'cavalinho russo', seu 'fiel Benedicto', um escravo, e seu rival, Manduca.

A trama era simples: Nhô Quim filho de uma família "rica, porém honrada", se apaixona por Sinhá Rosa, que não tem o mesmo nível social. Seu pai, que afirma que "mulher sem dinheiro é asneira", resolve mandar o protagonista para um passeio à corte no Brasil.

Assim, Nhô Quim despede-se dos familiares e vai em direção à estação de trem. Chegando lá, toma atitudes de quem não está acostumado a andar pelos trilhos, como oferecer queijo a outro passageiro e perder seu chapéu por conta do vento. 

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Ao passar por um túnel, fica preocupado: "No 3º [minuto], pensa que não verá mais o sol". Aliviado ao rever a luz do dia, aproveita para tomar um café na parada seguinte, mas, enquanto aguardava pelo troco, o trem parte sem ele. É o fim da primeira história em quadrinhos do Brasil, que, como é costume, se encerrava com um "continua...".

As Aventuras de "Nhô Quim", ou Impressões de Uma Viagem à Corte foi publicada cerca de quatro anos depois da que é considerada a primeira história em quadrinhos do mundo, Max e Moritz, do alemão Wilhelm Busch.

É possível conferir a íntegra da história no site da Biblioteca Nacional.

Quem foi Angelo Agostini

Angelo Agostini nasceu em 1843, na região de Piemonte, no norte da Itália. Ainda jovem, veio ao Brasil, onde se destacou como um dos principais nomes da imprensa ilustrada em um momento importante para o País, a segunda metade do século 19.

Em suas obras, costumava defender a causa abolicionista, retratava conflitos sociais e fazia críticas a grupos políticos que dominavam a época. Além de Nhô Quim, também ficou marcado pelo personagem Zé Caipora. Na imprensa paulista, aturou no Diabo Coxo, entre 1864 e 1865, e no Cabrião (1866-1867).

Foi no Rio de Janeiro que Angelo Agostini passou a ter mais destaque, colaborando para O Arlequim (1867), A Vida Fluminense (1867-1875), O Mosquito (1869-1877) e A Revista Illustrada (1876-1898).

Também destaca-se seu trabalho com o Dom Quixote, elogiado no Estadão de 5 de fevereiro de 1895, conforme consta abaixo: 

"O 1º número do Dom Quixote, a brilhantíssima revista fluminense ilustrada pelo lápis superior de Angelo Agostini. 

Das páginas que temos sob os nossos olhos irradia uma centelha de gênio, tudo nelas acusa a admirável superioridade de um artista de raça. 

Por isso, dizer qualquer coisa sobre o mérito de Dom Quixote é cometer um pleonasmo.

Os nossos aplausos a Angelo Agostini".

"Ele era uma espécie de repórter visual. Desenhava os acontecimentos da semana e do cotidiano. E foi nesse cenário de cronista visual que ele começou a desenhar histórias em quadrinhos", explicou ao Estadão em 2014 o professor Gilberto Maringoni, que fez seu doutorado sobre a vida de Angelo Agostini.

"Ele fez uma reportagem sequencial de um incêndio em um hotel na cidade de Itu. Foi a partir disso que Agostini começou a criar uma narrativa com imagens", relatava, sobre o trabalho de Agostini no semanal O Cabrião, considerado o primeiro periódico brasileiro a usar caricaturas como forma de sátira política. 

O cartunista morreu no dia 23 de janeiro de 1910, aos 67 anos de idade, no Rio de Janeiro. Até hoje, é homenageado pelo Prêmio Angelo Agostini, promovido pela Associação de Quadrinhistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo (AQC-SP).

Prêmio Angelo Agostini

As votações para o 36º Prêmio Angelo Agostini estão abertas ao público até o dia 31 de janeiro de 2021.  

Por conta da pandemia, a premiação traz apenas produções lançadas em 2019. São duas fases: na primeira, jurados ligados à área elaboram uma lista de indicados, cujos nomes podem ser votados pelo público.

Entre as categorias, serão escolhidos o "Melhor lançamento", "Melhor lançamento independente", "Melhor lançamento infantil", "Melhor fanzine", "Melhor webcomic", "Melhor roteirista", "Melhor desenhista" e "Melhor colorista".

Há ainda o Prêmio Jayme Cortez para eventos que tenham promovido "contribuição ao quadrinho nacional", e o troféu de "Melhor cartunista, chargista ou caricaturista", que traz nomes conhecidos entre os indicados, como Angeli, Dahmer, Carlos Latuff e Laerte Coutinho.

Clique aqui para conferir os indicados e participar da votação do Prêmio Angelo Agostini.

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