Laura Capelhuchnik/ESTADAO
Laura Capelhuchnik/ESTADAO

Depois de dois livros sobre o vício em drogas, Bill Clegg lança sua primeira ficção

Escritor e agente literário norte-americano veio ao Brasil participar da Festa Literária Internacional de Paraty

Guilherme Sobota - Enviado Especial, O Estado de S. Paulo

02 Julho 2016 | 17h58

PARATY  - A notícia de que seu romance Você Já Teve Uma Família? havia sido indicado entre os finalistas do Man Booker Prize não caiu para o escritor norte-americano Bill Clegg como a boa novidade que seria normalmente: ela chegou no dia do funeral de seu pai. “Foi o último livro que ele leu antes de morrer, então na verdade foi meio devastador”, disse, em uma entrevista coletiva em Paraty, onde é convidado da 14.ª Flip. O livro – que a Companhia das Letras lança agora no Brasil – é a primeira ficção publicada de Clegg, um agente literário de sucesso em Nova York.

Antes disso, ele havia lançado dois livros de memórias sobre o período em que foi viciado em drogas e álcool e sobre a recuperação – relatos sinceros e tocantes de quando largou uma trajetória bem sucedida e se afundou num vício em crack. “Eu sabia que o único jeito que um livro daquele seria útil era me inclinar para o que fosse mais difícil de escrever”, comentou. A recepção da crítica e do público fez barulho, e Clegg passou a receber, diariamente, segundo o próprio, contato de viciados em busca de recuperação. “A prova de que foi certo publicar aqueles livros é os leitores que vêm me procurar em busca de ajuda. Inclusive aqui do Brasil. Ser viciado é muito solitário.” Ele está sóbrio há 12 anos.

O novo romance conta a história de uma mulher que perde parte de sua família em um desastre, e então parte para longe de sua cidade natal em Connecticut em busca de conforto. “Foi um alívio não escrever mais tanto sobre a minha vida”, diz Clegg, para quem, mesmo assim, este é seu livro mais íntimo até o momento. “Comecei a revisitar muitas coisas, voltei 20 anos depois para a cidade onde fui criado, houve uma questão de sensibilidade muito forte.” 

Ele conta que cresceu numa cidade de veraneio da região, e que a única diferença marcante que percebia entre as pessoas era um certo ressentimento com aqueles que iam e voltavam de Manhattan. “Tudo isso faz parte da experiência humana, mas somos todos parecidos”, diz, fazendo referência ao momento político atual em seu país. “Trump vem cavando um buraco bem profundo para si mesmo, suas reações aos eventos globais são mal recebidas. As coisas não estão boas para ele.”

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