Ana Cuba/The New York Times
Ana Cuba/The New York Times

Daniel Radcliffe responde aos polêmicos comentários de J.K. Rowling sobre gênero

Ator afirmou que lamentava que, para alguns fãs da saga 'Harry Potter', 'a experiência dos livros foi manchada'

Redação, EFE

09 de junho de 2020 | 10h15

O ator britânico Daniel Radcliffe disse, nesta terça, 9, que espera que os comentários da escritora J.K. Rowling sobre identidade de gênero, considerada por alguns transfóbico, não "contamine" a saga de Harry Potter aos olhos do seu seguidores.

O ator disse que as mulheres transexuais "são mulheres" e "qualquer declaração em contrário apaga" sua "identidade" e "dignidade" e especificou que ele se sentiu "obrigado a dizer algo", porque Rowling foi responsável pelo "curso que sua vida tomou".

Radcliffe fez essas declarações em um comunicado no site The Trevor Project, uma organização de prevenção suicídio dentro da comunidade LGBT, depois que Rowling comentou no Twitter, no fim de semana passado, que apenas mulheres menstruam, o que provocou indignação nos grupos que consideram essa perspectiva discriminatório.

Tudo começou quando ela compartilhou, nos sábado, um link de um artigo intitulado Opinião: Criando um Mundo pós-Covid-19 Mais Igualitário para Gente que Menstrua e ironizou: "Pessoas que menstruam. Tenho certeza que costumava haver uma palavra para essas pessoas. Alguém me ajude? Wumben? Wimpund? Woomud? (modificações propositais da palavra “Woman”, inglês para mulher)”, disse Rowling referindo-se à mulher. Esse comentário foi considerado por alguns usuários e organizações discriminatórias em relação a outras pessoas que também podem menstruar, como pessoas de sexo trans ou não-binárias, e também para mulheres que, por algum motivo, não mestruam.

Radcliffe, que interpretou o jovem bruxo Harry Potter em oito filmes, disse que lamentava que, para alguns fãs da saga, "a experiência dos livros foi manchada". "Se esses livros ensinaram que o amor é a força mais forte no universo (...) que ideias dogmáticas de pureza levam à opressão de grupos vulneráveis, se você acha que um personagem particular é trans, não-binário ou de gênero fluido, ou que são homossexuais ou bissexuais, se você encontrou algo nessas histórias que ressoou em você e o ajudou em qualquer momento da sua vida, então isso é entre você e o livro que você leu, e é sagrado", disse ele. O ator começou a apoiar a organização americana The Projeto Trevor em 2009. 

 

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