Marc Ferrez
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Crítico espanhol defende reconhecimento de Machado de Assis fora do Brasil

Antonio Maura defende que obras como 'Dom Casmurro' e 'Quincas Borba' são dos livros 'mais importantes de sua geração, não apenas do Brasil, mas de todo o mundo'

Redação, EFE

06 Maio 2017 | 15h36

Escritor e crítico espanhol, Antonio Maura acredita que Joaquim Maria Machado de Assis, o grande gênio da literatura brasileira, não foi devidamente valorizado pela crítica e mereceria ser reconhecido como uma dos melhores escritores do século XIX.

"Acho que Machado é um dos grandes nomes do século 19. Não acredito que se compare nem a (Charles) Dickens, (Honoré de) Balzac, Eça de Queiroz ou ao nosso (Benito Pérez) Galdós. São grandes escritores, mas estão abaixo nos quesitos riqueza, crítica e análise da sociedade e versatilidade. Não chegam aos pés", diz.

Sócio correspondente da Academia Brasileira de Letras, Maura está no Cairo para a conferência 'O autor e suas máscaras: uma aproximação de Cervantes e Machado de Assis', no Instituto Cervantes, e afirma que, fora de suas fronteiras, o escritor brasileiro "é um grande desconhecido". Em sua opinião, até mesmo no Brasil os estudos sobre Machado de Assis "não refletiram bem" sua faceta de grande crítico do sistema de sua época e da escravidão.

Para ele, o cronista e poeta teve que recorrer à ironia para falar "na surdina" de um tema que não podia ser encarado abertamente por ele ser neto de escravos. Um exemplo disso é Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881). Segundo Maura, a verdadeira intenção do autor é "colocar o dedo na ferida" da sociedade e para isso se serve de uma sutil alegoria para denunciar que o morto é o próprio Brasil.

A escolha do nome do protagonista, que coincide com o início do nome do país, "não é à toa" para um alguém tão "inteligente e cuidadoso com a linguagem" quanto era Machado de Assis. De acordo com ele, "a crítica brasileira foge" desta interpretação porque "não é fácil aceitar que seu país é um país morto ou esteve morto".

Maura defende que as obras que o romancista e dramaturgo escreveu depois de Memórias Póstumas, como Dom Casmurro ou Quincas Borba, são dos livros "mais importantes de sua geração, não apenas do Brasil, mas de todo o mundo".

Segundo ele, alguns autores de língua espanhola, como Jorge Edwards, Julián Ríos e Carlos Fuentes, destacaram a importância de Machado de Assis, mas o mestre brasileiro ainda carece do merecido reconhecimento mundial.

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