Marcos Brindicci/Reuters
Marcos Brindicci/Reuters

Crises na Argentina e no Brasil atingem indústria editorial latino-americana

A conclusão é do relatório 'O Espaço do Livro Ibero-Americano 2018', feito pelo Centro Regional para o Fomento do Livro na América Latina e no Caribe (Cerlalc) e apresentado na Feira do Livro de Madri

Redação, EFE

11 de junho de 2019 | 18h18

Madri - As crises econômicas do Brasil e da Argentina atingiram o mercado editorial na América Latina, revelou o relatório O Espaço do Livro Ibero-Americano 2018, que aponta que houve uma diminuição da produção de exemplares na região.

O mercado da Argentina teve um decréscimo anual de 23,8% em 2016 e o do Brasil de 12,3% em 2015 e de 8% em 2016, segundo o estudo apresentado nesta segunda-feira, 10, na Feira do Livro de Madri pelo Centro Regional para o Fomento do Livro na América Latina e no Caribe (Cerlalc), que conta com o auspício da Unesco.

"O que encontramos foi que essas dinâmicas econômicas negativas se refletiram no comportamento desses mercados (Argentina e Brasil)", explicou à Agência Efe José Diego González, coordenador do Ecossistema do Livro do Cerlalc e coautor do estudo.

A pesquisa demonstrou que a produção de exemplares comerciais na América Latina em conjunto caiu 39,88% entre 2013 e 2017, ou seja, de 322,16 milhões de cópias para 193,69 milhões.

As quedas mais drásticas ocorreram no Brasil, onde a diminuição de livros produzidos nesse período foi de 57,79% (de 179,08 milhões a 75,6 milhões) e na Argentina, de 41,17%, (de 60,78 milhões de cópias a 35,76 milhões).

González expôs que, para o resto da região, a redução é similar à tendência internacional, pois as editoras estão priorizando o registro de novos títulos, mas com menos exemplares impressos de cada um.

"Não é uma característica exclusiva dos mercados editoriais latino-americanos, mas é uma tendência que está se registrando em muitos outros países e que tem a ver com uma estratégia arriscada dos editores, que é a de tentar suprir a diminuição de exemplares, e como tais lucros, a partir da produção de mais e mais títulos", sustentou.

Ao contrário da impressão de exemplares, o registro de novos títulos na América Latina cresceu 2,3% entre 2016 e 2017, ao passar de 168.396 a 172.153.

Os países latino-americanos com mais títulos registrados por cada 10 mil habitantes são Uruguai, com 6,5; Argentina, com 6,4; Chile, com 4,4; e Brasil, com 4,2.

O pesquisador mostrou as conclusões do estudo ao apontar que, apesar dos golpes sofridos pela indústria editorial da região, foram recebidos sinais de recuperação que poderiam reverter a tendência a médio prazo.

O estudo, feito de maneira bienal desde 2006, analisou de um modo geral a indústria editorial da América Latina e em particular dos quatro maiores mercados da região: Brasil, México, Colômbia e Chile.

Outra conclusão é que há uma possível relação entre a desigualdade econômica de um país e sua despesa per capita em material de leitura, pois enquanto na Argentina cada pessoa destina em média US$ 11,38 em livros a cada ano, no México este número é de US$ 3,89.

Para esta comparação, foi considerado o coeficiente Gini, um indicador que mede a desigualdade social de uma nação.

Além disso, González expressou que a publicação de livros digitais não afetou de maneira significativa a indústria editorial da região. 

 

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