Rachel Wada
A Cabine Telefônica do sr. Hirota Rachel Wada

A Cabine Telefônica do sr. Hirota Rachel Wada

Conheça 10 livros infantis sobre morte e luto

O Estadão selecionou livros que ajudam a iniciar ou aprofundar a conversa sobre morte com os filhos

Maria Fernanda Rodrigues , O Estado de S. Paulo

Atualizado

A Cabine Telefônica do sr. Hirota Rachel Wada

Por que a avó não existe mais? Onde está o meu pai? Para onde vamos quando desaparecemos? O que é morrer? A morte, assunto que sempre tememos e tentamos evitar, que nos ronda diariamente há mais de um ano. Todos os dias recebemos a notícia de que 2 mil, 3 mil brasileiros perderam a vida na pandemia da covid-19. E perdemos pessoas queridas - para o vírus ou outras doenças e fatalidades.

Falar sobre morte com as crianças não é fácil - pensar sobre ela também não é. E aqui a literatura, com toda a sua delicadeza e metáfora, entra para nos ajudar.

O Estadão selecionou 10 livros para iniciar ou aprofundar a conversa sobre morte com os filhos, e para falar sobre despedidas e saudades.    

Livros sobre morte e luto para crianças

  • Pode Chorar, Coração, Mas Fique Inteiro

Lançado em 2020, Pode Chorar, Coração, Mas Fique Inteiro (Companhia das Letrinhas, 32 págs.; R$ 39,90), de Glenn Ringtved com ilustrações de Charlotte Pardi, retrata o processo de despedida de uma avó e seus netos. Um livro delicado e poético que traz a temível morte como personagem - mas, aqui, ela se mostra uma gentil admiradora da vida que reforça aos leitores a importância e a beleza de conseguirmos nos despedir de quem amamos na hora que ela chegar.

  • Infinitos

Infinitos (Melhoramentos, 36 págs.; R$ 39; R$ 29,90 o e-book), de Leo Cunha com ilustrações de Alexandre Rampazo, é um delicado livro sobre relações familiares, morte e saudade. Uma garotinha adora a avó e tudo o que a cerca, e fica muito curiosa para entender o que é o símbolo que ela traz sob a cabeleira branca: o infinito. Ela se põe então a procurar infinitos em tudo o que aparece na sua frente e os coleciona, mesmo quando a avó já não está mais em casa, mesmo quando a saudade aperta. A obra foi publicada este ano.

  • A Cabine Telefônica do Sr. Hirota

Também de 2021, A Cabine Telefônica do Sr. Hirota (Melhoramentos, 40 págs.; R$ 35; R$ 22,90 o e-book) nos leva para mais longe, até o Japão, para falar sobre o mesmo tema: a morte. Mas não é aquela morte esperada, previsível. Todo mundo da cidade perdeu alguém no dia em que a grande onda chegou, lemos no livro de Heather Smith e ilustrado por Rachel Wada. O pequeno Makio perdeu o pai. Na história, baseada em algo que autora ouviu em um podcast, o sr. Hirota constrói uma cabine telefônica no jardim, para que os moradores possam conversar com seus mortos - para que ele possa se comunicar com a filha, também levada pelo mar, para que Makio comece a elaborar o seu luto.  

  • A Coisa Brutamontes

Vencedor do 3.º Prêmio Cepe de Literatura na categoria infantojuvenil e finalista do Jabuti, A Coisa Brutamontes (Cepe; 44 págs.; R$ 40; R$ 9,90 o e-book), escrito por Renata Penzani e ilustrado por Renato Alarcão, abordam a questão a partir do olhar de uma criança. Como um menininho reage à ideia da morte? Trata-se de livro-interrogação. Há um lugar para ser criança e outro para ser velho? A velhice tem um lugar? A infância um dia acaba? Perto e longe são palavras desconhecidas? O que acontece quando uma criança se apaixona por alguém com muitos anos sem nem saber o que é gostar? 

  • Iris

Da noite para o dia, a família de Íris descobre que ela está gravemente doente e precisa ser hospitalizada. Por meio do ponto de vista terno e ingênuo de sua irmã mais nova, que narra os sentimentos que a afligem, o leitor compartilha dos acontecimentos que transformam a rotina familiar, juntamente com o medo, a esperança e a tristeza que os acompanham. Com lirismo e delicadeza, Iris (Pulo do Gato; 80 págs.; R$ 41,60), de Gudrun Mebs com ilustrações de Beatriz Martín Vidal, apresenta uma temática delicada, especialmente para o universo infantil: a doença progressiva de uma pessoa querida.

  • Harvey - Como me Tornei Invisível

Harvey vê sua vida virar de cabeça para baixo quando toma conhecimento da morte do pai. Invadido por um sentimento desconhecido e desolador, ele tenta se proteger da dor, refugiando-se em seu rico mundo de fantasia. Harvey - Como me Tornei Invisível (Pulo do Gato; 168 págs.; R$ 45,60, de Hervé Bouchard e Janice Nadeau, é uma novela gráfica sensível e realista sobre a perda de um ente querido e a necessidade de encontrar recursos pessoais para superar a dor do luto.

  • Vazio

Vazio (Salamandra; 84 págs.; R$ 51), de Anna Llenas, conta a história de uma garota que começa a sentir.... um vazio. Ela tenta preenchê-lo das mais diversas formas, chega a desistir e começa a tentar viver com esse buraco. Até que descobre uma forma de transformar essa tristeza em algo mais. Não é um livro que fala sobre morte exatamente, ou abertamente, mas é, sobretudo, sobre como lidar com as perdas.

  • A Dobradura do Samurai

Há muito tempo o origami faz parte da vida dos japoneses. Os samurais já utilizavam essa técnica para desenvolver a coordenação motora, o tato e a circulação sanguínea. Era esse o caso do famoso guerreiro Massao Kazuo, mestre também na arte de dobrar papéis. Seu filho, Mitio, gostava principalmente de ver o pai fazer o tsuru, dobradura que representa o grou, ave da saúde e da fortuna. Bom observador, Mitio logo se torna um especialista na arte do origami. Até o dia em que seu pai adoece, e Mitio resolver dobrar mil tsurus para tentar salvar Massao. A dobradura do samurai relembra uma antiga lenda japonesa, segundo a qual quem dobrasse mil tsurus teria seus desejos realizados. Essa é a história de A Dobradura do Samurai (Moderna; 39 págs.; R$ 49)

  • Menina Nina

Sensível livro de Ziraldo, Menina Nina (Melhoramentos, 40 págs.; R$ 49; R$ 32,90 o e-book) sonda os mistérios da vida e da morte e fala sobre a dor de um modo delicado e cheio de esperança. Ele fala sobre a relação da menina com a sua avó, e sua inesperada morte.

  • O Chamado do Monstro

Delicado livro sobre o luto, para crianças maiores, O Chamado do Monstro (Ática; 216 págs.; R$ 54,90) foi escrito por Patrick Ness a partir de uma ideia de Siobhan Dowd. Ela criou os personagens e a premissa do livro - um garoto simbolizando a morte da mãe, doente em estágio terminal -, mas não teve tempo de escrevê-lo. Dowd morreu de câncer. A obra, que deu origem ao filme Sete Minutos Antes da Meia-Noite, acompanha Conor que, desde que sua mãe adoeceu, tem sempre o mesmo pesadelo horrível. Por isso, quando um monstro surge no quarto, o garoto não se abala. Mas a relação entre eles não será fácil: o monstro quer a verdade ― e dela, sim, Conor tem medo.

 

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