Anders Wikilund/ Reuters
Anders Wikilund/ Reuters

Confira cinco curiosidades sobre o Prêmio Nobel de Literatura

Em seus mais de cem anos de existência, a premiação já enfrentou de escândalo sexual a ameaça de morte contra um de seus ganhadores

AFP, Agências

09 de outubro de 2019 | 19h00

O Prêmio Nobel de Literatura será concedido este ano a dois escritores, correspondentes aos contemplados de 2019 e 2018. A situação acontece depois da atribuição do prêmio no ano passado, ter sido adiada devido a um escândalo sexual, que revelou os segredos que ocorriam no interior de uma instituição afetada por intrigas e corrupção.

A Academia Sueca, criada em 1786 e fundada no modelo da antiga Academia Francesa, teve que adiar por um ano o anúncio do Nobel de Literatura 2018, algo sem precedentes nos últimos 70 anos. Na época, a instituição precisou lidar com as relevações de agressões sexuais do francês Jean-Claude Arnault, influente personalidade da cena cultural sueca, que recebia generosos subsídios da academia. Ele foi condenado a dois anos e meio de prisão por estupro.

Como todos os anos desde 1901, os prognósticos apontam para uma série de nomes, embora a academia guarde o segredo da votação de seus 18 membros até o último momento. Quer saber mais algumas informações sobre o Nobel de Literatura? Então confira logo abaixo cinco curiosidades sobre este prestigioso prêmio, que é entregue desde 1901 pela Academia Sueca.

 

1. O de maior prestígio

A Academia Sueca concede ao todo 16 prêmios, dos quais o de maior prestígio é o Nobel de Literatura. Em seu testamento, o inventor Alfred Nobel confiou à instituição sueca a missão de recompensar, a cada ano, o "autor da obra literária mais transcendente de inspiração idealista".

Entre quatro e cinco membros - de um total de 18 - são encarregados de compilar e debater as propostas de nomeação, antes de propor uma lista de nomes ao conjunto de membros da Academia. Eles são os responsáveis por discutir as propostas antes de submetê-las a uma votação por maioria absoluta.

Nesse quesito, como novidade para os próximos anos, a Fundação Nobel, que concede o prêmio, adicionou para 2019 e 2020 "cinco especialistas externos", principalmente críticos, editores e escritores. 

 

2. 350 propostas ao ano

Os arquivos da Academia Sueca lotam com mensagens dos principais nomes das letras e do setor editorial, reivindicando de forma mais ou menos sutil a atenção dos acadêmicos.

Anualmente, são enviadas 350 propostas por escrito de candidaturas procedentes de personalidades já premiadas, acadêmicos, organizações e outros profissionais do meio literário e linguístico, que destacam as vantagens de seu candidato, chegando inclusive a fazer uma oferenda aos acadêmicos - um gesto que costuma ser mal visto.

Para que sejam válidas, as candidaturas devem ser renovadas a cada ano e ser apresentadas antes de 1º de fevereiro. Os candidatos devem estar vivos e, a princípio, ter publicado no ano corrente.

 

3. Sete anos em branco e uma recusa

O Nobel de Literatura já foi atribuído para 114 contemplados, dos quais apenas 14 foram mulheres. Entre as premiações, houve quatro duplas. Foi rejeitado uma vez, em 1964, quando o filósofo francês Jean-Paul Sartre recusou a recompensa, algo que não estava previsto no testamento de Nobel. Assim, continua sendo considerado um contemplado, embora nunca tenha recebido o dinheiro do prêmio. Anos antes, em 1958, Boris Pasternak foi forçado a rejeitar o prêmio por pressão do governo soviético.

Além disso, o Nobel de Literatura não foi concedido em sete ocasiões desde 1901, coincidindo principalmente com anos de guerra: em 1914, 1918, 1935, 1940, 1941, 1942 e 1943.

 

4. Literatura francesa no topo

Entre os países, a França está na liderança com 15 premiados, inclusive na primeira edição, que recompensou Sully Prudhomme. É seguida dos Estados Unidos e do Reino Unido, cada um com 12 prêmios. A língua de Molière, ao contrário, foi desbancada pela de Shakespeare, com 29 autores anglófonos premiados desde a criação do prêmio.

 

5. O caso Salman Rushdie

Os acadêmicos se abstiveram de se posicionar, em nome da 'independência da literatura' sobre o caso Salman Rushdie em 1989, quando o britânico, autor de Os Versos Satânicos, foi ofendido por islamitas. Na época, os membros da Acadêmia Sueca ficaram divididos entre aqueles que de fato queriam lhe dar apoio e aqueles que apenas prezavam pela neutralidade do cenáculo.

Três acadêmicos, que ficaram indignados com o silêncio da Academia Sueca, abandonaram suas poltronas, embora não tenham sido autorizados a se demitir. Tiveram que se passar três décadas para que a Academia denunciasse a público, em 2016, a fatwa (sentença de morte proferida pelo Islã) contra o escritor.

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