Sérgio Neves/Estadão
Sérgio Neves/Estadão

Compra de livros para bibliotecas de São Paulo causa estranheza entre editores independentes

Dos 36 títulos comprados, 31 são da mesma editora; Secretaria de Cultura diz, no entanto, que não prioriza os grandes grupos editoriais

Maria Fernanda Rodrigues, O Estado de S. Paulo

15 de agosto de 2015 | 05h00

Editores independentes se revoltaram esta semana com a publicação, no site do Sistema Municipal de Bibliotecas, da lista de livros adquiridos entre junho e julho para renovação de seu acervo. Dos 36 títulos comprados para as 52 bibliotecas, 31 foram editados pela Companhia das Letras, dois pela Leya/Casa da Palavra, dois pela Zahar e um pela Conrad.

“Não é possível analisar, por um único lote, o todo”, disse Nabil Bonduki, secretário municipal de Cultura, ao Estado. “Essa última compra foi da Companhia das Letras, mas, no último ano, adquirimos livros de 61 editoras de diferentes portes. Então, não existe nenhum tipo de preferência pelas grandes. O que importa são os títulos e a relevância que eles possam ter para as bibliotecas”, completou.

Entre os livros recém-comprados estão Patrimônio, de Philip Roth; Contra o Dia, de Thomas Pynchon; Felicidade Demais, de Alice Munro; Toda Poesia, de Paulo Leminski; a trilogia juvenil A Seleção, de Kiera Cass; Calvin e Haroldo: O Livro do Décimo Aniversário, de Bill Watterson; Eu Sou Malala, de Malala; O Drible, de Sérgio Rodrigues; e O Futuro Chegou: Modelos de Vida Para Uma Sociedade Desorientada, de Domenico De Masi.

“A Companhia das Letras é uma editora grande, que faz livros importantes e que de fato precisam ser comprados. Mas, se pegarmos o conjunto das compras, isso não ia aparecer”, comentou o secretário.

Nos últimos 12 meses, foram adquiridas, no total, 874 obras. Além das quatro editoras citadas, outras grandes empresas venderam para as bibliotecas paulistanas, entre as quais Record, FTD, Globo, Melhoramentos, Intrínseca, Publifolha, Rocco, Salamandra e Escala. Mas, na lista, há editoras independentes também, que aparecem com menor frequência, como a Vieira & Lent, Jujuba, Pulo do Gato, Escrita Finas e Artes e Ofícios, entre outras.

“A coordenadoria das bibliotecas me informou que, muitas vezes, as pequenas editoras acabam não tendo a documentação exigida para compras públicas. De qualquer maneira, a diversidade é uma diretriz”, explicou o secretário.

No protesto dos editores independentes, feito no Facebook, falou-se na criação de uma cota para pequenas e médias editoras com o objetivo de garantir a “bibliodiversidade”, ao que Nabil Bonduki respondeu: “Esta é a primeira vez que esta proposta chega até mim. É um debate a se fazer. Teria que existir alguma lei, algum ordenamento legal que estabelecesse esse dispositivo”.

A secretaria informa, por meio de sua assessoria, que não há um calendário fixo de compras e que se prefere distribui-las ao longo do ano para acompanhar os últimos lançamentos, geralmente os mais procurados nas bibliotecas. No momento, a seleção é feita por uma comissão formada por oito profissionais da Coordenadoria do Sistema Municipal de Bibliotecas, mas a instituição está construindo um Plano de Desenvolvimento de Coleções a ser implantado em 2016. Ele definirá linhas para a aquisição de acervos para todos os espaços de leitura municipais, buscando a racionalização de recursos e o atendimento de necessidades regionalizadas.

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