Henry Nicholls/Reuters
Henry Nicholls/Reuters

Companhia das Letras publicará Abdulrazak Gurnah, ganhador do Nobel de Literatura

Afterlives, romance mais recente de Gurnah chega às livrarias ainda no primeiro semestre de 2022, de acordo com editora

Da Redação, O Estado de S.Paulo

14 de outubro de 2021 | 11h50

O autor Abdulrazak Gurnah, vencedor do Nobel de Litaratura de 2021, já tem uma casa no Brasil. A Companhia das Letras anunciou que publicará os livros dele a partir de 2022. As publicações começarão já no primeiro semestre com o lançamento do seu mais recente romance, Afterlives.

Ambientado no início do século 20, a história tem como pano de fundo a Rebelião Maji Maji, revolta armada contra o domínio colonial alemão na região da África Oriental. Através de Ilyas - que foi roubado de seus pais pelas tropas alemãs e depois de anos retorna para sua terra natal - e de outros três personagens, acompanha-se os impactos individuais e coletivos da guerra. 

Outros três títulos de Gurnah também serão lançados pela editora: Paradise, By the Sea e Desertion. Paradise tem como protagonista um menino de 12 anos que foi vendido por seu pai para pagar uma dívida com um comerciante árabe. Desertion apresenta duas histórias de amor proibidas e relacionadas - uma em 1899 e outra nos anos 1950. By the Sea retrata dois imigrantes africanos com um passado em comum que vivem no Reino Unido.   

Gurnah nasceu em 1948 na ilha de Zanzibar, então protetorado britânico, atualmente parte da Tanzânia. Aos dezoito anos, deixou o país como refugiado e estabeleceu-se no Reino Unido. Sua estreia literária se deu em 1987, com a publicação de Memory of Departure, e em 1994 lançou Paradise, finalista do Booker Prize.  

O autor tem como língua materna o suaíli e começou a se dedicar à literatura aos 21 anos, adotando o inglês como idioma de escrita. Entre suas principais referências, estão a poesia persa, textos árabes - como As mil e uma noites e o Alcorão -, Shakespeare e V.S. Naipaul.  

Ele também foi professor de literaturas pós-coloniais na Universidade de Kent em Canterbury e dedicou-se ao estudo de autores como Wole Soyinka, Ngugi wa Thiong'o e Salman Rushdie. Ao anunciar o prêmio, o júri elegeu o escritor por sua “percepção intransigente e compassiva dos efeitos do colonialismo e do destino do refugiado no abismo entre culturas e continentes.”  

Em romances e contos que invertem a perspectiva colonial e jogam luz sobre a pluralidade cultural da África, Gurnah construiu uma obra que investiga a experiência dos refugiados ante o deslocamento e a vida no exílio, por meio de temas como a memória, o pertencimento e o trauma. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.