Brinque-Book
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Companhia das Letras compra a Brinque-Book

A editora foi fundada por Suzana Sanson em 1990 e tem vários livros premiados

Maria Fernanda Rodrigues, O Estado de S. Paulo

23 de outubro de 2020 | 11h49
Atualizado 23 de outubro de 2020 | 14h19

O Grupo Companhia das Letras anunciou nesta sexta-feira, 23, a compra da Brinque-Book, que abriga os selos Brinque-Book, de livros para crianças, e o Escarlate, que publica ficção juvenil. Agora, o grupo fundado por Luiz Schwarcz é dono da Companhia das Letrinhas, da Pequena Zahar e da Brinque-Book no segmento infantil.

Maior grupo editorial do País e controlado majoritariamente pela Penguin Random House, a Companhia das Letras tem hoje 18 selos. Suas aquisições mais recentes foram a Zahar, há um ano, e a Objetiva, em 2015. 

A Brinque-Book foi criada por Suzana Sanson em 1990 - quatro anos depois do surgimento da Companhia das Letras e dois antes da Companhia das Letrinhas. "São 30 anos muito felizes, foi um filho que criei e que agora, como todo bom filho, criou asas e vai para a maior editora do Brasil", comentou Suzana durante o anúncio feito no final da manhã desta sexta. Sobre a motivação para a venda, cujas negociações começaram antes da pandemia, ela disse que o tempo foi suficiente para que esse filho voasse, e que ela está em outro momento.

O processo de fusão começa agora e nada de concreto deve mudar nos próximos dois meses. Suzana permanece na empresa pelos próximos seis meses.

"A Letrinhas sempre foi nosso livro de comparação e de admiração. Temos o mesmo DNA, o mesmo respeito pelas crianças, pela escolha dos livros, qualidade, consideração e comprometimento com toda a cadeia. A Brinque não podia ter ido para melhor casa", disse. Entre seus principais livros estão os protagonizados por Gildo, o elefantinho criado por Silvana Rando, que somam 130 mil exemplares vendidos pela editora. Hoje, a Brinque-Book tem 312 títulos ativos em catálogo e 22 funcionários.

"Tenho um carinho imenso pela Brinque-Book, sempre foram meus livros preferidos", comentou Júlia Moritz Schwarcz, publisher dos selos infantis do Grupo Companhia das Letras. Sua preocupação agora, ela diz, é honrar e continuar esse trabalho, além de manter a identidade dos três selos.

Júlia destacou que a Brinque-Book tem um catálogo forte no segmento pré-escolar, algo que a Letrinhas não tinha tanto. E que ela é bastante reconhecida entre educadores. "Nós temos um projeto de investimento em educação e a Brinque-Book é muito forte nas escolas. Ela faz um trabalho muito bem feito de divulgação e esperamos aprender com eles."

Luiz Schwarcz, CEO do grupo, contou que o departamento com maior crescimento na Companhia das Letras, mesmo com a pandemia, é o de educação, e também destacou o trabalho feito pelos divulgadores da Brinque-Book. Vender livros para escolas, públicas ou privadas, é o sonho de qualquer editora. A mais recente edição da Pesquisa Produção e Venda do Setor Editorial, divulgada este ano com o resultado de 2019, mostrou que dos 434 milhões de exemplares de livros vendidos no Brasil no ano passado, 209 milhões foram para vendas ao mercado e 224 milhões para o governo. O PNLD Literário, por exemplo, comprou 53 milhões de exemplares e rendeu às editoras R$ 280 milhões, sendo responsável por 4,9% do total da receita do setor. 

Em livrarias, a participação do segmento não é tão expressiva. De acordo com o Painel do Varejo de Livros no Brasil, em 2019 ele foi responsável por 20,43% das vendas, empatando com ficção e perdendo para não ficção especialista (31,68%) e não ficção comercial (31,68%). Em 2020, até 4 de outubro, a venda de livro infantil, juvenil e educacional cresceu ligeiramente 0,3%.

Schwarcz destacou ainda que processo todo foi parecido com o da Zahar, ou seja, não foi a Companhia das Letras que procurou as editoras, mas o oposto. "É muito importante pontuar que esses não são processos com pretensão de hegemonia do mercado ou qualquer coisa assim, mas são processos que acontecem, empresas que estão com possibilidade de parar ou  precisando mudar, pessoas que têm momentos de vida diferentes e então começa um processo extremamente harmonioso e respeitoso de avaliação que acaba resultando na compra", explicou. 

"Hoje é momento zero. Tudo vai ser pensado agora com calma, principalmente nesses primeiros dois meses. A intenção é manter o selo Escarlate, mas tudo será conversado e não vai ser um processo disruptivo. Não é só o catálogo, uma editora é feita de pessoas também", disse Júlia. Luiz Schwarcz reforçou que "em princípio, a ideia não é desmontar nada".

Para 2021, o Grupo Companhia das Letras prevê o lançamento de 75 títulos para crianças - 46 pelo Companhia das Letrinhas, 21 pela Brinque-Book e 8 pela Pequena Zahar. 

O grupo Companhia das Letras é formado pelos seguintes selos: Companhia das Letras, Companhia das Letrinhas, Penguin-Companhia, Portfolio-Penguin, Quadrinhos na CIA, Paralela, Companhia de Mesa, Seguinte, Claro Enigma, Boa Companhia, Companhia de Bolso, Objetiva, Alfaguara, Suma, Fontanar, Zahar, Pequena Zahar e Brinque-Book.

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