Patrizia08/Pixabay
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Como o silêncio pode ajudar a vivermos uma vida mais leve

'Biografia do Silêncio', livro de Pablo D'Ors, padre espanhol e discípulo zen, fala sobre um novo jeito de estar no mundo

Maria Fernanda Rodrigues, O Estado de S. Paulo

01 de junho de 2022 | 03h00

O espanhol Pablo d’Ors tinha um desejo que lhe roubava a paz: vencer como escritor. Ele sabia que sua felicidade não deveria estar atrelada a algo que poderia, ou não, acontecer. E foi por isso que este escritor – e padre – começou a experimentar algo novo. Ele começou a meditar.

Biografia do Silêncio, livro publicado pelo selo Academia, da Planeta, no fim de 2021, e best-seller na Espanha, é seu testemunho: um breve ensaio sobre por que e como ele começou a meditar, o que sentiu e tudo o que ganhou quando incluiu a meditação na sua rotina. (Confira a entrevista concedida pelo autor ao Estadão)

É um livro sobre meditação, mas você pode substituir a palavra meditação por vida. Mesmo que não se interesse pelo assunto nem queira experimentar ou se aprofundar nesta questão, mesmo que falhe na postura, na respiração ou na concentração, fica o convite para um recomeço, uma volta ao que é essencial, para a busca de uma vida mais leve. 

Este é, afinal, um livro sobre um novo jeito de estar no mundo, sobre como nosso encontro com o silêncio, que vai permitir o encontro de cada um consigo, pode ser transformador. 

Não interessa ao autor, aqui, ensinar a meditar. Ele até conta sua experiência e revela como foi difícil fazer algo que parecia simples como sentar, respirar e calar os pensamentos, e dá algumas dicas para quem quer começar. Porém, o que ele quer mesmo é mostrar suas descobertas e contar como a meditação mudou a visão que ele tinha dele e sua relação com a vida. Afinal, tudo se trata de um processo de autoconhecimento e aceitação: “A meditação nos concentra, nos devolve à casa, nos ensina a conviver com o nosso ser”.

D’Ors sugere ainda que não devemos nos levar tão a sério. Diz que quando sentamos para meditar compreendemos melhor que o mundo não depende de nós e que as coisas são como são independentemente do que fazemos. “Ver isso é muito saudável: coloca o ser humano em uma posição mais humilde, tira-o do centro e lhe oferece um espelho sob medida”, ele escreve.

O padre diz também que o zen ensina a deixar os outros em paz, porque pouco do que acontece com eles é assunto nosso. “Quase todos os nossos problemas começam por nos metermos onde não fomos chamados”, alerta.

Ele conta ainda que aprendeu que nós e o mundo somos a mesma coisa – algo que traria grandes e boas consequências se todos também compreendessem isso. E aprendeu a querer estar onde se está e a aceitar a realidade e a dor. A ser melhor, viver mais intensamente, curtir mais a natureza, sentir-se uno com os outros e, sobretudo, ser quem se é. 

Biografia do Silêncio

Autor: Pablo D'Ors

Editora: Academia (192 págs.; R$ 31,90; R$ 24,90 o e-book)

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