Com novos fãs, Ian McEwan tenta fugir de culto à celebridade

O escritor britânico Ian McEwansente-se incômodo com o culto a escritores célebres, mas sealegra com o fato de novos leitores buscarem seus livros depoisde assistir a versões deles no cinema. "O trabalho de escrever é bastante monótono, de modo queparece estranho transformar em celebridades aqueles que opraticam", disse o autor durante o Festival de Literatura deJaipur, no oeste da Índia. "É estranho. Se eu fosse uma atriz de 22 anos, estaria medivertindo, mas sou um escritor de 60." Autor de romances aclamados como "Amsterdam" e "A Criançano Tempo", McEwan vem tendo recentemente o que descreve comouma fase desagradável sob os refletores da mídia. Em 2006, ele foi obrigado a desmentir sugestões de queteria plagiado o trabalho de outra pessoa. Dois meses maistarde, voltou a chamar a atenção da mídia quando se reencontroucom um irmão do qual vivera afastado por anos. Agora, a adaptação para o cinema de "Reparação", seuromance da 2a Guerra Mundial sobre dois amantes separados peloconflito e por uma traição familiar, conquistou os maioresprêmios do Globo de Ouro e novamente está submetendo McEwan àatenção do público. Apesar de sua ambivalência em relação à fama, McEwan, vistocomo um dos mais importantes autores britânicos da atualidade,disse que se sente encorajado pelo grande número de novosleitores atraídos pelas adaptações cinematográficas deromances. "Em minha experiência limitada, 'Desejo e Reparação' vematraindo para o livro muitos leitores que nunca tinham ouvidofalar do livro ou de mim." Hoje trabalhando em "alguma coisa" que trata das mudançasclimáticas, que McEwan observou em primeira mão durante umavisita feita ao Ártico na companhia de uma equipe decientistas, o escritor disse que seu maior medo é ficar semidéias. "Se temos grandes idéias ou não é realmente uma questão doacaso. Meu maior medo é que a fonte de idéias seque -- que eunão tenha nada mais a dizer, mas continue escrevendo, mesmoassim", confessou.

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