Fred R. Conrad|The New York Times
Fred R. Conrad|The New York Times

Com credibilidade de fonte questionada, Gay Talese não vai promover novo livro

'The Voyeur's Motel' foi escrito, em parte, com base do diário de um dono de motel que espionava seus hóspedes

AP

01 Julho 2016 | 11h26

Jornalista veterano e escritor, Gay Talese, 84 anos, disse que não vai promover seu novo livro, The Voyeur's Motel, após questionamentos acerca da credibilidade de sua fonte principal.

Em entrevista ao The Washington Post, ele disse que não deveria ter acreditado em Gerald Foos, o tema de seu livro, que revelou ter espionado os hóspedes de seu motel no Colorado entre os anos 1960 e 1990. Dados do imóvel mostram que Foos vendeu o motel in 1980 e o comprou novamente em 1988. Foi este intervalo que levantou dúvidas com relação ao que Foos disse a Talese.

"Eu não vou promover este livro", informou o autor ao jornal. "Como posso me atrever a divulgá-lo quando sua credibiblidade foi por água abaixo?"

O livro é, em parte, baseado no diário mantido por Foos que descreve encontros íntimos entre os hóspedes, que não sabiam que estavam sendo observados de uma passagem sobre os quartos.

Talese disse que no livro ele encontrou outras discrepâncias com relação aos diários de sua fonte. Alguns textos são datados de 1966, mas Foos só comprou o Manor House Motel em 1969. Mas ele comentou que não sabia da venda do motel até o repórter questioná-lo sobre isso na quarta-feira.

Foos disse ao jornal que ele está falando a verdade, mas informou que nunca comentou com Talese as transações da propriedade.

"Posso jurar e dizer inequivocadamente que eu nunca disse uma mentira intencionalmente", ele disse. Talese, no entanto, se referiu a Doos como uma fonte "certificadamente não confiável".

O autor não respondeu aos questionamentos da AP na quinta-feira. Deb Seager, porta-voz da Grove Atlantic, disse na noite de ontem que a editora está procurando por discrepâncias.

O lançamento do livro está previsto para 12 de julho. E os direitos de sua adaptação para o cinema já foram comprados por Steven Spielberg. Sam Mendes deve ser o diretor. A DreamWorks e os representantes de Mendes também não retornaram o contato da AP.

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