Com atrações para todas as idades, Bienal do Livro de SP começa nesta sexta-feira

Maior evento do mercado editorial brasileiro quer ir além das vendas

Maria Fernanda Rodrigues, O Estado de S. Paulo

16 de agosto de 2014 | 03h00

A Bienal do Livro de São Paulo começa na próxima sexta-feira, com números superlativos: 1.500 horas de programação, 186 autores brasileiros e 22 estrangeiros, 400 atrações e 300 expositores. São esperados, até o dia 31, 700 mil visitantes. Devem participar 121 mil estudantes, e este ano os alunos de escolas estaduais não receberão vale livro. Já os 25 mil das escolas municipais de São Paulo que estão com visita agendada ganharão, da Prefeitura, vale de R$ 10.

A feira é orçada em R$ 34 milhões e foi autorizada a captar R$ 10 milhões - conseguiu, porém, R$ 4,8 milhões. O Sesc, parceiro da Câmara Brasileira do Livro e responsável pela programação cultural, está investindo cerca de R$ 2,2 milhões. E essa programação mais consistente, como não se via há tempos, é a aposta da organização para levar público. "Procuramos não ficar só na feira de livro. Queremos transformar a Bienal em um evento multicultural, com tudo dentro do mesmo ambiente para que o visitante não venha só comprar livro, já que ele pode fazer isso pela internet ou na livraria da esquina", explica Karine Pansa, presidente da CBL.

Mas as editoras querem, sim, vender livros. E mesmo aquelas que não investem em estandes muito suntuosos, como foi o da editora da Igreja Universal, que construiu, já em 2012, um Templo de Salomão em pleno Anhembi, gastam bem. Estima-se que aqueles que escolhem fazer um estande básico acabam pagando cerca R$ 1.200 - só pelo chão e a montagem. Um estande médio tem cerca de 80 m².

Casas importantes como a Cosac Naify e a Summus decidiram não participar da Bienal em 2012 e mantiveram a decisão este ano. A surpresa ficou por conta da ausência do grupo Objetiva na planta da feira, e isso não tem a ver com a recente fusão com a Companhia das Letras, mas, sim, com a relação custo-benefício, explica o diretor Roberto Feith. Em 2012, ela ocupou um espaço de 250 m². "Nos últimos anos, a Bienal de São Paulo vinha tendo custos crescentes e resultados em vendas e divulgação institucional que deixavam a desejar. Nossa análise indicou que, para nós, seria mais eficaz alocar esses recursos em outros investimentos de marketing", diz.

Feith comenta, ainda, a mudança de perfil das bienais de São Paulo e do Rio. "Elas estão atraindo um público novo, mais jovem e das classes C e B. Isso é muito bom, mas exige uma participação focada nestes segmentos. Estamos repensando nossa participação em futuras bienais nesta direção, reduzindo custos e planejando trazer autores internacionais que escrevem para estes segmentos mais amplos."

Mariana Warth, da Pallas, diz que não compensa vir do Rio para São Paulo. Sua última vez na feira foi em 2010. "Compramos um estande de 80 m² que foi dividido por cinco editoras. Ficamos com 22 m² e tivemos um prejuízo de mais de R$ 20 mil", conta. “Fora isso, é muito triste ter de competir com distribuidoras que fazem saldão a R$ 5 e R$ 10. Para as editoras independentes, o custo de participação é inviável."

No total, a feira terá 46 expositores a menos do que na edição passada. “Tivemos uma diminuição da metragem vendida, mas foi dentro da expectativa. Passamos por uma crise recente, o mercado sente. Mas não nos preocupamos”, diz Karine Pansa.

Renata Farhat Borges, da Peirópolis, não acredita no modelo e não costuma ter o investimento compensado, como quase todos os expositores. “Ainda assim nós vamos porque completamos 20 anos, queremos mostrar a cara, lembrar ao público que o mercado é prodigioso na bibliodiversidade e que não existem apenas os livros das rodas das grandes redes de livrarias."

Fernando Baracchini, publisher da Novo Conceito, é mais otimista. Em 2012, ele teve um estande de 150 m² e agora terá um de 276 m². "É na Bienal que nos encontramos pessoalmente com nosso público-alvo, que trocamos ideias, conhecemos seus anseios", conta. Ele diz, ainda, que nos dois últimos anos a participação nas bienais daqui e do Rio começaram a valer a pena financeiramente.

Marcos Pereira, sócio da Sextante, também gosta da oportunidade. "É o nosso momento. Queremos festejar o livro, mesmo que o caixa dê negativo, e às vezes dá mesmo." É de sua editora o maior best-seller internacional da feira: Ken Follett. Segundo Pereira, o escritor não está ganhando cachê e sua viagem está sendo paga pela organização.

Aliás, uma curiosidade desta edição: finalmente os escritores e mediadores - mas só os escolhidos pelo Sesc - estão sendo pagos. Aqueles incluídos na programação oficial a pedido de suas editoras terão de se contentar com os direitos autorais.

23ª BIENAL INTERNACIONAL DO LIVRO DE SÃO PAULO

Pavilhão de Exposições do Anhembi. Av. Olavo Fontoura, 1.209.

De 2ª a 6ª, das 9h às 22h. Sáb. e dom., das 10h às 22h (dia 31 até às 21h). R$ 12/R$ 14. De 22/8 a 31/8.

EM NÚMEROS

186 Autores brasileiros estão na programação oficial da Bienal - e 22 autores internacionais

700 mil pessoas são esperadas na Arena Anhembi durante os nove dias de evento, 50 mil a menos do que na lotada edição de 2012

8 espaços serão montados pela Câmara Brasileira do Livro e pelo Sesc para abrigar as mais de 400 atrações programadas

34 milhões de reais é o orçamento total da Bienal deste ano, R$ 10 milhões dos quais passíveis de captação de recursos. O montante é R$ 2 milhões maior do que em 2012

300 expositores, entre livrarias, editoras e distribuidoras e 750 selos, estarão por lá 

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