Le Point (FR)
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Coleção de escritos de Norman Mailer encontra nova editora

Para comemorar centenário de nascimento do escritor em 2023, a Skyhorse vai lançar livro de ensaios

Hillel Italie, AP

11 de janeiro de 2022 | 20h00

Uma antologia dos escritos do falecido Norman Mailer, que a Random House parece ter agendado e depois descartado para o ano de seu centenário, em 2023, será lançada pela Skyhorse Publishing. A editora vem publicando obras rejeitadas, como as memórias de Woody AllenApropos of Nothing, e a biografia de Philip Roth escrita por Blake Bailey.

Andrew Wylie, cuja agência literária representa o espólio de Mailer, disse à Associated Press na terça-feira que a Skyhorse Publishing lançará o livro e que a Random House renunciou a quaisquer taxas de reimpressão. Ele disse que ainda não se decidiram alguns detalhes, como o conteúdo do livro, o título e a data de publicação.

“A Random House tem orgulho de publicar Norman Mailer e quer promover sua obra de forma significativa para o centenário, em conjunto com a publicação da antologia pela Skyhorse”, escreveu Wylie por e-mail. “A família Mailer e a Random House estão unidas para apoiar o trabalho de Norman”.

Um porta-voz da Skyhorse não confirmou se havia um acordo para o livro de Mailer. A Skyhorse é uma editora independente que fez nome nos últimos anos por publicar autores como Allen, Bailey, Garrison Keillor e outros dos quais as editoras tradicionais se distanciaram por motivos que vão desde acusações de assédio sexual até agressão sexual. A Skyhouse também é a editora do best-seller The Real Anthony Fauci, do cruzado do movimento antivacina Robert F. Kennedy Jr.

Wylie contestou uma reportagem online do site The Ankler, que alegou que a Random House desistira do projeto por causa de dúvidas quanto a algumas das obras de Mailer, notadamente “The White Negro”. Nesse ensaio de 1957, Mailer escreveu sobre os negros como modelos de não conformidade para brancos hipster, vivendo em um “vasto presente” e trocando os “prazeres da mente pelos prazeres mais obrigatórios do corpo”.

James Baldwin censurou Mailer por perpetuar o “mito da sexualidade dos negros”.

Questionado sobre se confirmaria a reportagem do Ankler, Wylie disse “Isso não é problema, de forma alguma”. Questionado sobre por que a Random House não estava publicando o livro, Wylie respondeu que era uma “decisão editorial” e acrescentou: “Não existe nenhum problema aqui”.

Mailer, que morreu em 2007, estava entre os autores mais famosos e controversos de seu tempo e por décadas fez parte do acervo da Random House, que inclui colegas de Mailer como Truman Capote e William Styron. Ele recebeu os prêmios Pulitzer por Os exércitos da noite A canção do carrasco, mas também foi vastamente condenado por seus escritos sobre raça, por suas opiniões reconhecidamente misóginas e pelo esfaqueamento de sua segunda esposa, Adele Morales, em 1960.

Enquanto as notícias de que a Random House não publicaria a nova coleção geravam alegações nas redes sociais de que Mailer estava sendo “cancelado”, seus livros continuam amplamente disponíveis na Random House e na Library of America, que vem lançando edições permanentes de seu trabalho. “The White Negro” pode ser facilmente encontrado online, até mesmo na revista Dissent, onde o ensaio apareceu pela primeira vez.

Mas o interesse por sua obra diminuiu drasticamente, sobretudo em comparação com contemporâneos como Baldwin. De acordo com a NPD BookScan, que rastreia cerca de 85% do mercado editorial, as vendas combinadas de quatro dos livros mais conhecidos de Mailer – Os exércitos da noiteOs nus e os mortosA canção do carrasco e A Luta – contaram menos de 4 mil cópias em 2021.

Michael Mailer, um dos filhos de Mailer, disse à AP que a Random House sugerira um projeto para o centenário. A família, junto com J. Michael Lennon, o biógrafo de Mailer, “elaborou uma proposta para uma coleção de ensaios políticos sobre democracia de que eles gostaram, mas depois decidiram não prosseguir com a ideia, supostamente por causa das objeções de alguns executivos”.

Um porta-voz da Random House não respondeu diretamente às alegações sobre o conteúdo do livro, dizendo em comunicado: “É incorreto que a Random House tenha cancelado um livro de ensaios de Norman Mailer. Não tínhamos contrato para essa coleção. A Random House continua a publicar grande parte da obra de Norman Mailer”. / TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

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