TV Estadão | 30.01.2015
TV Estadão | 30.01.2015

Classe teatral exalta trajetória do crítico Sábato Magaldi

Acadêmico produziu textos com análises completas e se destacou como professor na USP

Murilo Bomfim, O Estado de S. Paulo

31 Janeiro 2015 | 03h00

Talvez seja possível medir a importância de Sábato Magaldi para o teatro apenas por seus pupilos da Escola de Comunicações e Artes da USP. Estão, entre eles, o ator Juca de Oliveira e o diretor Gabriel Villela, grandes nomes da história recente do teatro. “Ele passa uma segurança teórica”, diz Villela. “Tem um olhar agudo sobre a natureza estética da obra”, destacando o sorriso cativante e a tolerância do professor com os alunos.

Para Juca, Magaldi é um dos maiores críticos de teatro de todos os tempos. “Tive a honra de ser aluno dele por dois anos. Credito grande parte da minha carreira a seus ensinamentos.” 

O ator Pascoal da Conceição lembra de ler as críticas de Magaldi tanto no Jornal da Tarde quanto no Estado. “Eram textos enormes, bacanas, com análises abrangentes que não se resumiam a dizer se a peça era boa ou ruim”, diz, frisando que o crítico foi, durante muitos anos, orientador do gosto teatral do público brasileiro e, sobretudo, paulistano. Pascoal também lembra a catalogação que o crítico fez sobre a obra de Nelson Rodrigues. “Magaldi amplia e distribui a riqueza, que chega muito bem a seus leitores.”

Também leitora da produção de Sábato, a atriz e diretora Nydia Licia o coloca no mesmo patamar de Décio de Almeida Prado (1917-2000), que também atuou como crítico do Estado. “Não são todos os críticos que sabem dizer alguma coisa sem, no meio do texto, fazer críticas pessoais ou pequenas maldades. Eles estavam acima disso.”

A atriz Eva Wilma comemora o lançamento do livro. “O volume é muito bem-vindo para a classe artística porque o Sábato tem o dom de escrever e analisar o teatro em geral.” 

O diretor e dramaturgo Aderbal Freire-Filho destaca a importância da crítica teatral para a arte cênica. “Um bom crítico de teatro é mais importante do que críticos de outras artes. O teatro é efêmero, depois que a obra acaba, o que fica é a crítica”, diz, dando ênfase à profundidade do trabalho de Magaldi.

É esta crítica completa que faz falta para o diretor Antunes Filho. “Ele alavancou o teatro por muito tempo e, hoje em dia, já não existem mais críticos que alavanquem o teatro”, diz. “Aquele grupo de críticos, dentre os quais se destacava o Sábato, faz uma falta incomensurável.”

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