Ammar Awad/Reuters
Ammar Awad/Reuters

Chega ao fim, de verdade, a longa disputa pelos arquivos de Kafka

Processo durou 11 anos e a Biblioteca Nacional de Israel apresenta, agora, os últimos documentos recuperados entre os tantos que Franz Kafka pediu para o amigo Max Brod destruir, e que ele guardou

Redação, AFP

07 de agosto de 2019 | 19h43

A Biblioteca Nacional de Israel revelou nesta quarta-feira, 7, os escritos que estavam faltando do escritor judeu checo Franz Kafka e encerrou mais de uma década de uma saga judicial sobre sua propriedade.

Antes de sua morte em 1924, o autor conhecido por O Processo, romance emblemático sobre o labirinto do sistema judicial, e A Metamorfose, havia pedido a seu amigo Max Brod que destruísse todas as suas cartas e escritos. Em 1939, Max Brod, que nasceu em Praga e era igualmente judeu, abandonou a Checoslováquia ocupada pelos nazistas por Tel Aviv, com os papéis de Kafka em uma mala.

Brod publicou depois muitas obras e contribuiu para a fama póstuma de Kafka, uma das principais figuras literárias do século 20.

A morte de Brod em 1968 deu início a uma "história kafkiana" em relação a esses arquivos, resumiu nesta quarta-feira, 7, a porta-voz da Biblioteca Nacional de Israel, Vered Lion-Yerushalmi.

O tesouro foi dividido e uma parte foi roubada antes de ser colocada à venda na Alemanha. Desde março de 2018, a Biblioteca Nacional se esforçou para reunir a coleção e mantê-la em Israel, disse seu presidente, David Blumberg, em uma entrevista coletiva.

"A Biblioteca Nacional reivindicou a transferência dos arquivos porque era isso que Brod desejava em seu testamento", disse ele. "Começamos um processo que durou 11 anos e que terminou há duas semanas".

Em maio, após a decisão de um tribunal alemão, Berlim entregou milhares de documentos e manuscritos que haviam sido roubados há dez anos em Tel Aviv para serem vendidos aos arquivos literários alemães de Marbach e colecionadores particulares.

Outras peças destes arquivos estavam na geladeira de um apartamento em ruínas em Tel Aviv, assim como em cofres bancários da cidade.

Um último esconderijo era um cofre localizado na sede principal do grande banco suíço UBS, em Zurique. Uma recente decisão da justiça suíça permitiu que a Biblioteca Nacional de Israel acessasse este último elo perdido para encerrar a saga.

A maioria dos documentos recuperados já havia sido publicada por Brod, mas a correspondência entre os dois amigos e as demais notas, diários íntimos e reflexões de Kafka lançaram uma luz valiosa sobre a sua personalidade, estimou Stefan Litt, arquivista da biblioteca e conservador de sua coleção de ciências humanas.

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