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'Cem Anos de Solidão': biógrafo afirma que García Márquez não gostaria de ver sua obra na Netflix

Canal de streaming anunciou ter adquirido os direitos sobre a obra para transformá-la em série

Redação, EFE

07 de março de 2019 | 17h11

Gabriel García Márquez não teria gostado que Cem Anos de Solidão fosse adaptada para a televisão, como acaba de anunciar que fará a Netflix, segundo garante o amigo do autor, jornalista e escritor colombiano Gustavo Tatis Guerra, que lança nesta quinta-feira, 7, um livro baseado nos seus encontros com o vencedor do Nobel de Literatura.

Em declarações à Agência Efe, o autor desejou "muita sorte" aos produtores da série e filhos de García Márquez, Rodrigo e Gonzalo, e afirmou que, embora "o cinema nunca tenha conseguido capitar a magia da sua literatura", tem "fé na genialidade de ambos" para se aproximar da obra de seu pai.

Os dois filhos de García Márquez, Rodrigo - diretor - e Gonzalo - designer gráfico -, serão produtores executivos da série, que será filmada principalmente na Colômbia e que será a primeira adaptação do romance para outra mídia.

Tatis lembrou que, embora tenha feito sua primeira entrevista com García Márquez há mais de 30 anos, demorou tanto tempo para publicar La flor amarilla del prestidigitador porque só após sua morte teve "a certeza de ter material para seu livro".

A obra, que recebe seu nome das rosas que o Prêmio Nobel de Literatura tomou como amuleto, "não pretende ser uma biografia, mas levar em consideração o homem por trás do mito", razão pela qual se sustenta em encontros com o autor e declarações da sua família, entre as quais se destacam as de sua mãe, Luisa.

Neste afã humanizador do mito literário, o jornalista ressalta a figura de García Márquez "como homem de paz", a quem considera "um dos artífices do processo de conversão da guerrilha em partido político, embora nunca tenha falado isso para a imprensa".

"García Márquez criou uma grande reivindicação para a Colômbia; considerava que não valia ser só escritor: havia que resolver problemas", ressalta o escritor, que acredita que o autor de Cem Anos de Solidão nunca confiou em Hugo Chávez e "teria uma sensação muito amarga não só com a Colômbia e a fronteira, mas com todos os países latino-americanos".

O livro romance tenta se aprofundar nas relações do escritor com a sua família e seu povoado, Aracataca, entre as quais se destaca o impacto do seu avô materno, que transformou Gabo em um "menino privilegiado, testemunha da sua história e a dos seus ancestrais", em troca do que o autor "transformou toda sua família em protagonistas das suas histórias".

"Ele necessitava de uma realidade, baseada em um lar manchado pelo sangue, que transmutasse, que permitisse a ressurreição e a magia", acrescentou.

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