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Celebridades literárias do TikTok se preparam para a Bienal

Talentos que surgiram na internet ganham cada vez mais espaço nas editoras – o foco é trazer novos fãs para a literatura

Matheus Lopes Quirino , O Estado de S. Paulo

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Tiago Valente deu a letra quando lançou no TikTok a hashtag #bienaldolivrosp. Em minutos, centenas de usuários começaram a postar vídeos com a tag do evento. De celular em punho, o público, majoritariamente adolescente, aponta quais cinco autores gostariam de conhecer, na expectativa de serem escolhidos por um sorteio feito pela Bienal em parceria com o TikTok. Valente, de 24 anos, é mestrando em Letras na Universidade Federal de São Paulo e vai participar da Bienal na mesa que debate produção da comunidade literária nas redes sociais, dia 3, às 13h. 

Autor de e-books como Conselhos de Natal, ele costuma fazer parcerias pagas com editoras, como a Record e a Companhia das Letras, entre outras. Em seu canal na plataforma, o Receita Literária, o influencer é acompanhado por mais de 350 mil usuários só no TikTok; são flashes de 30 segundos, às vezes menos tempo, em que Valente comenta best-sellers, como os recém-lançados Romance Real, de Clara Alves (Seguinte), ao quadrinho celebrado de Alice Oseman, criadora de Heartstopper (Seguinte), que virou assunto depois da adaptação feita pela Netflix. 

São histórias fofas e açucaradas, tramas muitas vezes sem muita engenhosidade, mas chamarizes para leitores mais jovens. Entretanto, é um nicho aquecido no mercado e vem estimulando casas editoriais brasileiras a entrar na corrida pela atenção de novos leitores. 

“Antes do TikTok, amantes de livros estavam falando sobre eles no Instagram e no YouTube, mas isso não tinha o impacto de tornar um título um best-seller instantâneo. O algoritmo do TikTok favorece a viralização instantânea, sem que o criador de conteúdo precise de grandes produções como cenário, edição”, explica a editora executiva da Galera Record, Rafaella Machado

O Receitas Literárias une duas categorias que bombam tanto no TikTok quanto no Instagram: comida e livros. Em um dos envios mais bem-sucedidos, Valente preparou o famoso bolo de chocolate que a garotinha Matilda, personagem do romancista inglês Roald Dahl (1916-1990), atirava magicamente na diretora malvada da escola. Um clássico que ganhou o cinema pelas mãos de Danny DeVito, com Mara Wilson como protagonista – e ganha um cenário instagramável nesta edição da Bienal.

A produção ficou a cargo da Galera, editora jovem do Grupo Editorial Record, primeira a conseguir um selo de verificação do TikTok. “O booktok permite uma comunicação mais objetiva e mais vida real, priorizando o conteúdo do livro em poucos segundos, o que acaba passando uma credibilidade ainda maior para aquilo que está sendo dito. Especialmente com a geração Z”, completa Machado. 

São muitos os best-sellers juvenis que focam temas pungentes para as novas gerações, como as narrativas com protagonistas LGBT+, livros que vão de Vermelho, Branco, Sangue Azul (Seguinte), de Casey McQuiston, ao Romance Real, lançamento que Valente divulgava há alguns dias no TikTok.

@otiagovalente ‍ aquele livro que tem TUDO QUE EU AMO (tirando quimica pq sou pessimo kk ) #livros #booktokbrasil #AprendaNoTikTok ♬ som original - Tiago Valente

Para debater como os booktokers lidam com histórias e diversidade, a Galera Record resolveu organizar uma mesa no dia 9 de julho, às 11h30, com jovens autores prodígios no gênero, como Elayne Baeta, Felipe Cabral, Juan Jullian, Ray Tavares, Bianca Briones, Giu Domingues e Babi A. Setti. 

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A Bienal do Livro vai de 2 a 10 de julho, no Expo Center Norte Werther Santana/Estadão

Bienal do Livro inicia maratona cultural e aposta na interação com o público e em desconto

De 2 a 10 de julho, Bienal do Livro de São Paulo promete descontos e programação para todos os públicos

Maria Fernanda Rodrigues , O Estado de S. Paulo

Atualizado

A Bienal do Livro vai de 2 a 10 de julho, no Expo Center Norte Werther Santana/Estadão

Prepare o tênis, escolha uma roupa confortável. Separe uma mala de rodinhas se estiver nos seus planos, e no seu orçamento, atualizar a lista de leitura. Começa neste sábado, 2, a Bienal do Livro de São Paulo – e Vitor Tavares, presidente da Câmara Brasileira do Livro, sugere ainda que quem for à feira no Expo Center Norte vá sem pressa. “Não dá para só dar uma passadinha”, diz.

São 65 mil m², 182 expositores, 3 milhões de exemplares à venda, 9 espaços oficiais para debates e encontros, mais de 300 escritores convidados e 1.500 horas de programação na Bienal do Livro 2022. Veja aqui os destaques do primeiro fim de semana.

Há mais de 50 anos, a Bienal é um passeio para toda a família, e ela tem sido ponto de encontro de jovens leitores e porta de entrada de muitas crianças para o mundo da leitura. Este ano, aliás, 25.520 alunos da rede municipal ganharam vales de R$ 60 para a compra de livros na feira (66.498 mil professores também).

Ou seja, quem visitar o evento até domingo, 10, vai ter o que ver, ouvir e comprar. São esperadas 600 mil pessoas.

A Bienal é, também, uma grande vitrine para o mercado editorial, que passou os últimos anos – de pandemia e, antes, de recessão – tentando equilibrar as contas e dar visibilidade aos lançamentos. E é a oportunidade de encontrar pessoalmente os leitores com quem dialogam sobretudo nas redes sociais.

“Muita coisa aconteceu nesses dois anos sem Bienal (a de 2020 foi cancelada), alguns autores não chegaram sequer a ter um lançamento presencial. Sabemos que tem muita gente na expectativa desses encontros: tanto autores quanto leitores. E queremos que esse momento seja especial”, comenta Lilia Zambon, gerente de Marketing da Companhia das Letras. O grupo editorial, que adquiriu recentemente a Brinque-Book e a JBC, vai separar seu estande em três este ano – para adultos, crianças e, pela primeira vez, para os jovens aproveitando o aniversário de 10 anos da Seguinte.

Segundo Bruno Zolotar, diretor comercial e de marketing da Rocco, 70% dos livros no estande da editora de Harry Potter e Jogos Vorazes são destinados aos adolescentes e jovens adultos (YA). Clarice Lispector, a grande escritora da casa carioca, Clarissa Pinkola Estes, autora do clássico best-seller Mulheres Que Correm Com Lobos, e Margaret Atwood, porém, terão um espaço de destaque. 

A expectativa é boa e Zolotar espera um crescimento de pelo menos 20% nas vendas em relação à última edição. Para além das vendas, ele acredita que a Bienal se tem tornado um espaço de interação com o público e de entretenimento, como é a Comic Con. “Por isso, por exemplo, teremos cosplays, área para os tiktokers produzirem vídeos e áreas cenográficas para Instagram.”

No caso da Rocco, esse espaço instagramável é dedicado à divulgação de Entrevista com o Vampiro, livro de Anne Rice publicado em 1976 que inspirou uma série que vai estrear ainda este ano.

As editoras estão apostando mesmo na cenografia dos estandes. A Companhia das Letrinhas reproduziu a banheira do Pum, o cachorrinho da série best-seller de Blandina Franco e José Carlos Lollo. Já a Record leva uma réplica da famosa estátua de Carlos Drummond de Andrade, de Copacabana, para celebrar a volta do autor ao seu catálogo e os lançamentos infantojuvenis do escritor. E as crianças que passarem por lá poderão tirar foto da cadeira que remete a Roald Dahl, criador de Matilda, que também chega ao catálogo da editora.

A maioria das editoras prevê descontos e brindes. Na Rocco, eles são progressivos, quem gastar mais de R$ 100 ganha um brinde e quem comprar Mulheres Que Correm Com Lobos ganha uma bolsa. A Companhia das Letras também promete algumas “ações especiais”. Na Planeta, o preço médio será cerca de 20% abaixo do preço de capa.

A Planeta, aliás, é um caso interessante de editora que participa com estande, mas não vende diretamente ao leitor – nem fora nem dentro da feira. “Entendemos que a venda é uma especialidade da livraria e, como temos cada vez menos livrarias, preservar as que estão aí é uma questão de sobrevivência para a cadeia do livro”, explica Gerson Ramos, diretor comercial da Planeta, que contratou a Vila para fazer suas vendas. 

Ramos concorda que o grande público da Bienal do Livro é, hoje, o leitor que tem entre 16 e 30 anos – mas cujo interesse não se resume a livros da moda. “Um público ávido por conhecimento que tem movimentado as livrarias”, ele diz – e que descobriu o selo Paidós e seus livros de ciências humanas. 

A Bienal vai durar 9 dias, mas a ideia é que ela seja apenas o início de um movimento que continuará nas livrarias. Nesse sentido, a maior novidade desta edição é o espaço de 300 m² idealizado por um coletivo de livreiros. Na Grande Livraria serão vendidas obras das editoras e autores participantes, mas também das que não foram este ano, como a 34. Quem optar por comprar ali vai ganhar um vaucher para usar depois em qualquer uma das lojas participantes. 

Bienal Internacional do Livro de São Paulo

  • 2 a 10 de julho

    2ª a 6ª, das 9h às 22h, e sábado e domingo, das 10h às 22h. A entrada é autorizada até as 21h

  • Expo Center Norte (Rua José Bernardo Pinto, 333 - Vila Guilherme) 
  • Ingressos: R$ 30
  • Confira aqui dicas para organizar sua visita à Bienal

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Bienal do Livro: Tudo o que você precisa saber sobre o evento

Veja dicas de como se preparar para a Bienal do Livro de São Paulo 2022, que espera 600 mil visitantes até o dia 10

Redação, O Estado de S. Paulo

01 de julho de 2022 | 15h30
Atualizado 04 de julho de 2022 | 11h12

A Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que será realizada entre sábado, 2, e domingo, 10, está de casa nova. Em 2022, ela vai ocupar 65 mil m2 do Expo Center Norte. Trata-se da maior feira de livros da America Latina e um dos principais eventos do mercado editorial e, nesta sua 26ª edição, ela se reafirma como uma opção de passeio para famílias, ponto de encontro de jovens leitores e porta de entrada para o mundo da literatura para as crianças.

São esperados 600 mil visitantes nos 9 dias do evento, que vão poder conhecer os lançamentos das editoras e participar da programação cultural - são mais de 300 escritores brasileiros e estrangeiros na programação oficial, que vão conversar com o público em diferentes espaços da Bienal do Livro de SP 2022

O primeiro fim de semana foi de lotação máxima, com o público lotando estandes e corredores e circulando pela feira sem máscara.

Veja dicas de como se organizar para visitar a Bienal do Livro de São Paulo 2022

  • Ingressos 

Compre no site www.bienaldolivrosp.com.br para evitar fila. Custa R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia), além de uma taxa de R$ 3 e R$ 1,50, respectivamente, para compra online. Não pagam: professores, profissionais do livro, crianças menores de 12 anos, adultos maiores de 60 e detentores da credencial plena do Sesc.

  • Como usar o cashback

Quem comprou o ingresso para a Bienal até o dia 30 pode aproveitar o cashback durante a visita. Basta, neste caso, fazer o download do aplicativo Zipgay e se cadastrar - é preciso fazer isso com o mesmo CFP usado na hora da compra do ticket. O valor será creditado no app, para usá-lo, e é só apresentar o vale online no estande escolhido - e que tenha aderido ao programa.

  • Quando ir 

A Bienal vai até domingo, 10. De 2.ª a 6.ª, ela funciona das 9h às 22h, e aos sábados e domingos, das 10h às 22h. Só pode entrar até as 21h. Se quiser evitar aglomeração, vá durante a semana

  • Como ir 

O Expo Center Norte fica na Rua José Bernardo Pinto, 333, Vila Guilherme. Se preferir ir de carro, o estacionamento custa R$ 55. Se for de metrô, há ônibus gratuito entre a estação Portuguesa-Tietê e a Bienal e vice-versa. As filas para pegar o ônibus são longas, mas fluem.

  • Máscara de proteção

O uso de máscara em locais fechados não é mais obrigatório em São Paulo, mas com tanta gente circulando pelos corredores do Expo Center Norte é mais prudente usá-la para evitar pegar covid-19 durante a visita. No primeiro fim de semana a Bienal levou uma multidão ao centro de convenção, não existiu distanciamento social e muita gente circulou sem máscara.

  • Para não se perder 

São 9 espaços oficiais. Na Arena Cultural, haverá bate-papo com best-sellers. No Salão de Ideias, com curadoria compartilhada com o Sesc SP, discussões sobre assuntos atuais. No Papo de Mercado, os bastidores do negócio do livro. No Navegando pelas Histórias, contação, oficinas e encontros voltados às crianças. E ainda: Cozinhando com Palavras, Auditório Edições Sesc, BiblioSesc, Espaço Cordel e Repente e espaço de autógrafos (com senha). Além disso, no estande de Portugal, país homenageado, há auditório, livraria e homenagem a José Saramago.

  • Mapa e expositores

São 187 expositores espalhados pelo pavilhão de 65 mil m2. Participam editoras de todos os portes e de todos os gêneros, além de empresas que tenham alguma relação com o mundo dos livros. Vá de sapato confortável e explore. Veja abaixo o mapa da Bienal (se quiser ampliar, clique aqui). 

  • Autógrafos

A Bienal está distribuindo senhas para autógrafos pelo site, com algumas sessões já esgotadas. As editoras também promovem suas próprias sessões - com distribuição prévia de senha no caso dos autores mais populares - no Espaço de Autógrafos ZAP, ou em seus estandes. 

  • Programação 

O site e o app não ajudam quem quer procurar um autor na programação para decidir o dia da visita. Neste caso, é melhor consultar as redes das editoras. Mas se você já sabe quando vai, aí sim consegue ver a programação completa do dia – por espaço. Veja aqui destaques do primeiro fim de semana selecionados pelo Estadão.

  • Autores convidados

Entre os autores brasileiros da programação oficial da Bienal estão  Conceição Evaristo, Aílton Krenak, Itamar Vieira Júnior, Ana Paula Araújo, Laurentino Gomes, Mario Sergio Cortella, Luiza Helena Trajano, Mauricio de Sousa, Thalita Rebouças, Kiusam de Oliveira. Na lista de autores estrangeiros, estão: Jenna Evans Welch (Amor & Gelato), Nathan Harris (A Doçura da Água), Ali Hazelwood (A Hipótese do Amor), Elena Armas (Uma Farsa de Amor na Espanha) e Xiran Jay Zhao (Viúva de Ferro).

Já a comitiva de Portugal, formada por escritores portugueses e africanos, traz ao País Afonso Cruz, António Jorge Gonçalves, Dulce Maria Cardoso, Francisco José Viegas, Filipe Melo, Gonçalo M. Tavares, Joana Bértholo, José Luís Peixoto, Kalaf Epalanga, Lídia Jorge, Luís Cardoso, Maria do Rosário Pedreira, Maria Inês Almeida, Matilde Campilho, Paulina Chiziane, Pedro Eiras, Ricardo Araújo Pereira, Rui Tavares, Teolinda Gersão, Valério Romão e Valter Hugo Mãe. E ainda os chefs Vítor Sobral e André Magalhães.

  • Descontos

A maioria das editoras prevê descontos, e cada uma segue sua própria diretriz. Algumas optaram por oferecer descontos progressivos para compra de dois ou mais livros. Outras já baixaram em 20% o preço das obras. Tem que se programe para oferecer brindes para quem comprar acima de um determinado valor.

  • Estandes e fotos

As editoras estão investindo em estandes cenográficos. Quem passar pelo da Rocco vai poder se sentar na cadeira de remete à história de Entrevista Com o Vampiro, livro de Anne Rice que vai estrear como série em breve.

No da Record haverá uma réplica da estátua de Carlos Drummond de Andrade, aquela fica na praia de Copacabana, e também uma cadeira para celebrar o lançamento de Matilda, clássico de Roald Dahl que está sendo descoberto por uma nova geração de crianças.

Por falar em crianças, no estande da Companhia das Letrinhas elas vão poder entrar no 'banheiro' do Pum, o cachorrinho da coleção best-seller de Blandina Franco e José Carlos Lollo.

Já o estande da Skeelo, plataforma de audiolivro e de e-book, será tecnológico, interativo e de realidade aumentada. Lá o público vai poder vivenciar a experiência de ouvir um audiobook em situações de locomoção do cotidiano, como por exemplo, dentro do carro, no ônibus, no metrô, pedalando ou caminhando numa esteira.

No Pavilhão de Portugal, uma estátua de Fernando Pessoa e uma réplica do bondinho de Lisboa convidam o visitante para uma viagem ao país homenageado.

  • A Grande Livraria

Pela primeira vez, 22 livrarias, de diversos tamanhos e de diferentes lugares, se unem na montagem de um estande coletivo na Bienal. A ideia é mostrar sua importância para o País. Quem comprar livros ali vai ganhar um vaucher para ser usado em qualquer uma das lojas participantes - entre elas estão a Martins Fontes, a Vila, a Leitura, a Da Vinci, a Simples e a Dois Pontos.

  • Alimentação

Bob's, Patroni, Cacau Show, Kibon, Seara e Nescafé são algumas das empresas que estarão na praça de alimentação da Bienal do Livro. Haverá ainda salada de fruta, waffle, brigadeiro, churros, temaki, crepe, raspadinha, açaí e pipoca, entre outros itens. Um restaurante self service também estará aberto aos visitantes. Se você for à Bienal no próximo fim de semana, considere levar um lanche e água de casa e escolha um canto mais tranquilo para comer. Assim, vai economizar tempo e dinheiro e vai se proteger mais contra o coronavírus.

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Veja os destaques do 1º fim de semana da Bienal

Autores portugueses conversam sobre o legado de Saramago a uma apresentação musical que homenageia Carolina Maria de Jesus

Matheus Lopes Quirino, O Estado de S. Paulo

01 de julho de 2022 | 10h00

No ano de centenário do escritor português José Saramago, a 26ª edição da Bienal do Livro de São Paulo traz uma comitiva de autores portugueses para a cidade. Para discutir o legado do romancista, autores como José Luís Peixoto, Valter Hugo Mãe e Pedro Eiras marcam presença a partir do primeiro final de semana do evento, que começa neste sábado, 2, e segue até o domingo, 10, no Expo Center Norte.

São mesas que trazem temas como as vozes da periferia na literatura, a debates mais profundos, com Laurentino Gomes falando sobre escravidão. Há espaço também para uma homenagem musical a Carolina Maria de Jesus, além da conversa entre Paulina Chiziane e Ana Maria Gonçalves.

Confira os destaques do primeiro fim de semana da Bienal 2022

  • Sábado, dia 2 de julho 

11H - Falamos de quem quando falamos do outro? Com Valter Hugo Mãe, Daniel Munduruku, Lilia Schwarcz e mediação da jornalista Isabel Lucas, no Pavilhão de Portugal.

13H - A Periferia na Literatura, com os escritores Ferréz, José Falero e Luana Rabetti no Salão de Ideias. 

14H - Legados Saramaguianos no Pavilhão de Portugal, com Valter Hugo Mãe, José Luís Peixoto, Socorro Acioli, e mediação de Carlos Reis.

16H - Laurentino Gomes conversa com Michael França na Arena Cultural. 

18H - Apresentação musical: Quarto de Despejo; Luana Bayô interpreta Carolina Maria de Jesus na Praça de Histórias

19H - Carol Moreira, Mabê Bonafé, Ivan Mizanzuk, Duds Saldanha conversam sobre narrativas que envolvem crimes reais, na Arena Cultural. l

  • Domingo, dia 3 de julho 

11H30 - Homenagem a José Saramago, com José Luís Peixoto, Andrea del Fuego, Jeferson Tenório na Arena Cultural

13H - Declamação da Obra de Patativa do Assaré e Cordeis Autorais com Chico Feitosa, no Espaço Cordel e Repente.

15 - Charles Darwin e Jornada da Ciência, com Leda Cartum, Sofia Nestrovski (Apresentadoras do Podcast ‘Vinte Mil Léguas’), Reinaldo José Lopes e Fernanda Diamant vão estar no Salão de Ideias.

16h - Valter Hugo Mãe conversa com Pedro Pacífico (@BOOKSTER) na Arena Cultura. 

17h Escritoras premiadas de língua portuguesa, com Paulina Chiziane e Ana Maria Gonçalves e mediação de Rita Chaves, no Salão de Ideias

18h - Diversas coisas se alinham na memória, com Pedro Eiras, Adriana Calcanhotto e mediação de Thales Guaracy no Pavilhão de Portugal. 

19H O Brasil emergente das canções, com MC Tha, Owerá, Assucena e Ramiro Zwetsch

20h40 - Documentário: “Herdeiros de Saramago, de Graça Castanheira, – José Luís Peixoto” (2020), no Pavilhão de Portugal. 

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  Jéssica Liar

Bienal do Livro: Podcasts viram livros e falam de crimes reais a ciência

Os programas 'Modus Operandi' e 'Vinte Mil' Léguas mostram que a literatura pode se manifestar para além dos livros

Matheus Lopes Quirino , O Estado de S. Paulo

Atualizado

  Jéssica Liar

Nesta edição da Bienal Internacional do Livro de São Paulo, novas plataformas têm a chance de demonstrar sua força em um evento presencial, depois de dois anos de confinamento do público por conta da pandemia de covid. Na programação, estão autores jovens que dialogam bem com as novas plataformas, como Xiran Jay Zhao, que nasceu na China, radicou-se no Canadá e escreveu Viúva de Ferro, e que tem chamado atenção na plataforma TikTok. 

Com dancinhas, interpretações amadoras, memes e dublagem por cima de hits, autores têm surfado na onda de sucessos instantâneos das redes sociais. Viram nas plataformas, além de espaço para divulgação de seus trabalhos, um modelo que angaria milhares de fãs em pouco tempo. Além das redes sociais, como TikTok, Instagram e Twitter, tocadores como Spotify, são hoje verdadeiros barômetros para avaliar o sucesso de conteúdo. 

É o que percebeu a dupla Carol Moreira e Mabê Bonafé, criadoras do Podcast Modus Operandi, que traz histórias de crimes reais e conversa com especialistas e escritores, como o médico (e influencer, por que não?), Drauzio Varella, que participou do episódio de número 100 do programa para falar sobre o Massacre do Carandiru, uma das maiores audiências do canal.

“O gênero true crime existe há muito tempo, mas parece que nos últimos anos houve um boom, e começaram a surgir mais documentários, séries, livros e podcasts. Então, no fim de 2018, a gente resolveu criar o podcast, porque não conhecíamos muitas pessoas para discutir os casos, e percebemos que podia ser algo legal fazer episódios sobre isso. Mas a gente trabalhava tanto que o podcast só veio em janeiro de 2020”, conta a dupla em entrevista por e-mail ao Estadão

O gênero true crime, nos últimos anos no País, tem aparecido em produções alçadas aos trendings topics do Spotify, como um dos pioneiros, Praia dos Ossos, que contou a história do assassinato da modelo Ângela Diniz e as implicações do crime praticado pelo playboy Doca Street.

“O público de crimes reais em geral é de mulheres, isso é uma realidade. Existem várias discussões sobre isso, e a gente acredita que tudo influencia, seja por curiosidade, de entender a mente humana, de saber sobre uma história tão diferente, ou até mesmo consumir para se sentir mais segura. Como as mulheres são a maioria das vítimas, entender sobre essas histórias pode significar também entender formas de se proteger e tentar ao máximo evitá-las”, completam Mabê e Carol. O podcast, que acaba de virar livro pela editora Intrínseca, é um dos mais escutados do Spotify e tem mais de 100 mil seguidores em sua conta no Instagram. 

Para além do apelo das histórias cabeludas, outro podcast que virou livro é o Vinte Mil Léguas, uma expedição ao mundo de Charles Darwin (1809-1882), biólogo britânico que tem seus ensinamentos popularizados por Sofia Nestrovski e Leda Cartum, apresentadoras do podcast que caminha para sua 3.ª temporada. Falar de ciência de um jeito descomplicado virou sua marca.

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