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Caverna.club: Carta de você para você

Caso pudesse manter um distanciamento dialético de si, o que o você de hoje falaria para o você de um ano atrás, o mundo às portas da pandemia?

João Wady Cury, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2021 | 03h00

Caso pudesse manter um distanciamento dialético de si, o que o você de hoje falaria para o você de um ano atrás, o mundo às portas da pandemia? Sabendo de tudo o que viria a acontecer de um ano para cá, as mais de 465 mil mortes, inclusos parentes e amigos seus, o que você diria para o você do passado? Uma única condição se coloca: a comunicação deveria ser feita em forma de carta. Sim, uma missiva, esse produto fora de moda no momento em que humanos se acham capazes de definir o mundo em uma ou duas centenas de caracteres, digitados como espasmos nas redes sociais ou mesmo nos programas de mensagens instantâneas. 

A ideia, lançada por uma editora paulistana há dois meses em suas redes sociais e dirigidas a seus seguidores, virou livro e acaba de chegar às estantes das livrarias. Cartas de uma Pandemia: Testemunhos de um Ano de Quarentena traz em suas páginas 31 cartas de pessoas que toparam o desafio da editora Claraboia (linktr.ee/editoraclaraboia) e escreveram para si mesmas. As autoras são 30 mulheres e um rapazola de sete anos de idade no livro organizado pela editora da Claraboia, Tainã Bispo, e pela escritora Tatiana Lazzarotto. A predominância dos textos é de amor, afeto e compreensão, por conta dos momentos difíceis que se prenunciam como um tsunami, mas ainda assim há tiradas engraçadas. E caóticas, desesperadoras, incômodas. Humanos, claro, sempre humanos. Não deve ter sido fácil. Ainda mais manter a dignidade e falar a verdade sem autopiedade, quando possível. (bit.ly/3uDAR0o). 

Nova no pedaço, a Claraboia mira na oportunidade. Estreou em 2019 com Ninguém Solta a Mão de Ninguém, reunião de textos de 24 autores sobre a chegada do novo mandatário de Pindorama ao poder e suas trapalhadas, chutes na canela e omissões. Seguiu com Elena Ferrante: Uma Longa Experiência de Ausência, de Fabiane Secches, sobre a obra da enigmática escritora italiana.

 

Eu vezes seis 

Cada um lida como pode com suas angústias, inconstâncias e, quem sabe até, suas felicidades. Com a atriz nova-iorquina Grace Rex não foi diferente. Há dois meses entrevistou a si mesma, ou melhor, seis personagens que vivem dentro dela afloraram em conversas cujas perguntas eram feitas pela própria Grace, fora de cena. Chamou para ajudá-la amigos para cuidar da câmera, edição de som e vídeo. Gostou do resultado e acabou enviando o vídeo para o canal de produções independentes No Budge (instagram.com/nobudge). O vídeo tem oito minutos e meio de duração e o melhor é que Grace parece se divertir com a brincadeira (vimeo.com/523210514) – claro, ela não é uma iniciante, tem participações em séries como The Good Wife – Pelo Direito de Recomeçar e Mindhunter. O canal No Budge, além das redes sociais, apresenta os vídeos ao vivo no Brooklin, em Nova York. Diversão garantida.

   

É JORNALISTA E ESCRITOR, AUTOR DO INFANTIL ‘ZIIIM’ E DE ‘ENQUANTO ELES CHORAM, EU VENDO LENÇOS’

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