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Casa para autores perseguidos é destaque no Fórum das Letras

Em sua 10ª edição, evento em Ouro Preto recebe, até domingo, nomes como Lídia Jorge, Lira Neto, Frei Betto e Mário Magalhães

Maria Fernanda Rodrigues, O Estado de S. Paulo

30 de outubro de 2014 | 09h48

OURO PRETO - Liberdade de expressão, censura e proteção ao escritor ameaçado por governos e outras forças foram temas tratados na abertura do Fórum das Letras, na noite desta quarta-feira, 29, em Ouro Preto, que contou ainda com um show de Adriana Calcanhotto.

Na plateia, entre estudantes, professores, moradores de Ouro Preto e escritores estava Almino Afonso, ministro de João Goulart no momento do golpe militar e um dos convidados desta edição do evento que recebe, até domingo, nomes como Frei Betto, Audálio Dantas, Lira Neto, Raphael Montes, Santiago Nazarian, entre outros.

"Há hoje, no mundo, mais de mil escritores perseguidos por se expressarem", comentou Helg Lund, diretor do International Cities os Refugee Network (ICORN). O trabalho da rede é dar apoio para que esses escritores saiam de seus países para continuarem falando sobre o que quiserem sem serem censurados, perseguidos ou mortos. Já são 45 as cidades que participam da rede internacional e Ouro Preto está prestes a se tornar uma delas.

Na abertura do evento foi assinada uma carta de intenções para a criação, em 2015, da primeira Casa Brasileira de Refúgio, que abrigará, por períodos de quatro meses, escritores indicados pela ICORN. A Universidade Federal de Ouro Preto será responsável pela moradia e alimentação do hóspede, que participará de atividades acadêmicas.

Guiomar de Grammont, curadora do Fórum das Letras, destacou que esse foi o primeiro passo e que ainda há muito a ser conquistado. Por exemplo, geralmente os escritores são acolhidos por dois anos, mas aqui só conseguiram viabilizar, por ora, o período de quatro meses.

Show. A cantora Adriana Calcanhotto, durante sua apresentação, lembrou sua parceria com Waly Salomão. Numa ocasião, ele mandou alguns versos para ela, que, imaginando que o texto estivesse pronto, começou a compor. E ele continuou mandando versos até que ela tentou impor um limite: "A música acaba aqui, e tudo o mais que você quiser socar no poema você faz no seu livro". Foi isso o que ela disse a ele, mas não deu muito certo. Depois ela cantou Motivos Reais Banais, feita por ela a partir de um texto maior dele, "a nossa primeira parceria porque ele não estava mais entre nós."

A repórter viajou a convite da produção do evento.

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