MARCOS DE PAULA/AGENCIA ESTADO/AE
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Carlos Heitor Cony planejava lançar ‘Operação Condor’ em 2018; leia trecho inédito

Obra é uma reedição de 'O Beijo da Morte’, de 2003, em coautoria com a escritora e jornalista Anna Lee

O Estado de S.Paulo

06 Janeiro 2018 | 20h25

O jornalista e escritor Carlos Heitor Cony, que morreu na sexta, 5, aos 91 anos, no Rio, planejava lançar, este ano, Operação Condor, reedição revista e ampliada de O Beijo da Morte, romance-reportagem em coautoria com a escritora e jornalista Anna Lee, sobre a morte de JK, Jango e Carlos Lacerda, de acordo com a Ediouro. 

“Com a exumação do corpo de Jango, Anna colheu novas informações, viajou, entrevistou diferentes pessoas, pesquisou documentos e está finalizando o original para entregar à Nova Fronteira (selo da Ediouro)”, informou a editora, em nota. 

A Ediouro lamentou a morte de Cony, “um importante membro de nossa casa, que nos deixou na noite desta sexta-feira (5), aos 91 anos, em decorrência de falência múltipla dos órgãos”. “Sem dúvida, a literatura brasileira perde um grande escritor. E, nós, seus editores e companheiros, perdemos um amigo”, lamentou Jorge Carneiro, presidente da Ediouro, no material divulgado à imprensa.

Leia trecho inédito, em que Cony aparece como personagem: 

Pouco depois de nos conhecermos, em 1982, me deparei com uma edição da revista Manchete, do início de setembro, que trazia as fotos de JK, Jango e Lacerda numa página dupla e um texto, do jornalista Carlos Heitor Cony, intitulado: 'O Mistério das Três Mortes'. Não pensei duas vezes. Corri para a casa do Repórter. Ele já tinha me falado por alto do assunto e eu havia visto as fotos dos três líderes da Frente Ampla na quitinete. Estávamos na fase de aproximação, cada um entrando na relação mais pé ante pé do que o outro, e essa era uma boa desculpa para procurá-lo.

Não devia ter feito isso. Olhando para trás, percebo que, se ele estava pendurado por uma única mão, na beira do precipício, fui eu quem o empurrei de vez. O Repórter não se conformou por não ter sido ele o autor daquele texto. "Não dizem por aí que eu sou o dono desse assunto, que não sei falar de outra coisa?", “Por que outro jornalista tem credibilidade para tratar do mistério das três mortes, e eu não?”.

Ele tinha sido demitido porque, ao saber que a Justiça argentina iria pedir a exumação do corpo de Jango, achou que, finalmente, tinha aparecido “o fato novo” a que o jornal havia condicionado a publicação de sua matéria sobre os líderes da Frente Ampla e investiu pesado com a direção na defesa da pauta. Acabou sendo dispensado sob a alegação de “corte de custos”. E agora via o texto que tanto queria escrever assinado por outro.

 

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