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Caneta de Graciliano Ramos é furtada no MIS-SP

O objeto estava em uma exposição sobre o escritor aberta na terça-feira, 16

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

17 Setembro 2014 | 19h25

Uma caneta que pertenceu ao escritor Graciliano Ramos (1892-1953) foi furtada da exposição Conversas de Graciliano Ramos, aberta terça-feira, 17, no Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS). Na montagem da mostra, três canetas estavam expostas em uma instalação que simula o ambiente de trabalho do escritor. Na quarta (17), porém, apenas duas permaneciam no local. A autenticidade do objeto foi confirmada pelo MIS e por outras fontes ouvidas pelo Estado

O objeto que sumiu estava exposto com outras duas canetas e um tinteiro. Duas das canetas e o tinteiro foram enviados do Museu Casa Graciliano Ramos, em Palmeira dos Índios (AL), para a exposição em São Paulo. A outra caneta pertencia à família do escritor. Não se sabe qual delas foi levada.

“Estou de luto”, disse o diretor executivo do MIS, André Sturm, no fim da tarde desta quarta-feira, 17. “Já retiramos todos os objetos que podem ser levados e vamos instalar um sistema de proteção”, afirmou. A curadora da exposição, Selma Caetano, também lamentou o fato e explicou que a ideia inicial era justamente criar uma aproximação com a figura de Graciliano. “Porém, nossa expografia ficou mesmo vulnerável, e agora vamos colocar uma proteção para os objetos”, explicou.

A sala também exibe uma poltrona, duas mesinhas, porta-retratos, o quadro de Cândido Portinari com a imagem de Graciliano, documentos e um terno que pertenceu ao autor.

Entre outros objetos autênticos que chegaram a figurar na mostra, estão livros – um deles, uma primeira edição de Sagarana com uma dedicatória assinada por Guimarães Rosa para Graciliano Ramos.

A cenografia onde estão os objetos fica no centro da exposição – que ocupa um espaço de 80 m², modesto em relação às mostras maiores do MIS. Há uma separação entre a área de circulação e a instalação, porém, espaços abertos (escotilhas) nas paredes montadas permitiriam a alguém esticar o braço e levar algum objeto. Na quarta, quando a reportagem visitou o local, e depois da descoberta do incidente, um segurança era visto postado à frente da mostra.

O museu tem operado no limite – todos os dias, filas imensas se formam para a visitação de Castelo Rá-Tim-Bum – A Exposição. A mostra sobre Graciliano Ramos fica numa sala à direita de quem entra na exposição do Castelo – uma grande atração nas últimas semanas.

Exposição. Conversas de Graciliano Ramos é a uma exposição multimídia montada com base na pesquisa de Thiago Mio Salla e Ieda Lebensztayn. O livro Conversas será lançado na próxima segunda-feira, 22, pela Editora Record, em um coquetel aberto ao público e com a presença de familiares do escritor alagoano, na própria exposição. O livro reúne entrevistas, depoimentos e enquetes com Graciliano, resultado de um aprofundado estudo em documentos oficiais e publicações. Entre outras, há uma entrevista concedida pelo escritor ao Jornal de Alagoas, em 1910 – quando Graciliano tinha 17 anos. “Ele já era um erudito, já publicava textos, principalmente poemas, em revistas locais, já circulava no meio”, explica Salla. A mostra tem entrada gratuita e fica até o dia 9 de novembro no MIS. 

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