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Cancelada por falta de apoio, Jornada de Passo Fundo fará seminário de leitura com Chartier

Com o apoio do Itaú Cultural, evento será realizado na cidade gaúcha e em São Paulo; anúncio foi feito em Paraty, durante a Flip

Maria Fernanda Rodrigues, O Estado de S. Paulo

01 Julho 2015 | 17h00

Mais consistentes festival literário do País no que diz respeito a formação de leitores, a Jornada Nacional de Literatura teve sua edição de 2015 cancelada por falta de apoio. Apesar de ter sido autorizada a captar recursos por meio de leis de incentivo fiscal, os patrocinadores não apareceram este ano. A notícia causou comoção. Escritores fizeram petições online e campanhas de financiamento coletivo. Não adiantou. O Itaú Cultural também se envolveu, e procurou meios de tentar viabilizar sua realização. Não conseguiu totalmente, mas anunciou, na tarde desta quarta-feira, dia 1.º, em seminário na Casa de Cultura de Paraty, antes da abertura da Flip, a realização, em parceria com a Universidade de Passo Fundo, do 13.º Seminário Internacional de Pesquisa em Leitura e Patrimônio Cultural.

Será entre os dias 28 de setembro e 1.º de outubro, na cidade gaúcha, e em São Paulo, na sede do Itaú Cultural. Os convidados desta edição são os franceses Roger Chartier, historiador francês especializado em leitura, práticas culturais e os efeitos da revolução digital; Anne-Marie Chartier, especialista em história do ensino da leitura; e os brasileiros Lucia Santaella, Francisco Marinho, Edvaldo Souza Couto e Regina Zilberman. A edição paulistana terá o casal Chartier, Tânia Rösing e mais uma pesquisadora a ser confirmada.

“Conseguimos salvar o seminário do incêndio”, disse Tânia Rösing. Para ela, um debate como esse é o que dá sustentação ao que se faz em movimentações como a Jornada. Então, se era possível salvar apenas um dos vários eventos da programação paralela, ela escolheu este. O evento, este ano, vai ganhar um nome mais comprido: Jornada em Ação - Seminário Internacional de Leitura e Patrimônio. “Jornada em Ação é a resistência, é o desejo de que de, mesmo com outras pessoas no comando, a gente mostre que podem tirar carnes, mas não se eliminam ideias e criatividades”, comentou a professora que este ano, após o anúncio do cancelamento da Jornada, foi afastada, pela Universidade de Passo Fundo, do projeto que ela criou.

Para Eduardo Saron, diretor do Itaú Cultura, um dos motivos para o apoio foi o legado e a perenidade da Jornada de Passo Fundo. “E legado, para mim, são os 6,5 livros lidos por ano na cidade.” A média nacional é de 1,7. "Como não se associar a um projeto que tem esse caráter de política pública", questiona Saron. O Itaú Cultural vai bancar todo o custo do evento.

A primeira edição do seminário ocorreu em 2002, em Badajoz, na Espanha. As demais edições foram realizadas em Passo Fundo, em ano de Jornada, que é bienal, e em cidades europeias nos outros anos. Além de conferências e debates, o encontro prevê apresentação de trabalhos de alunos, mestrando e doutorandos, sempre sobre a questão da leitura. Do seminário, sairão dois livros. Um deles terá textos de Roger Chartier e de oito pesquisadores da área letras, educação e história. O outro, com artigos de autores presentes no evento.

O anúncio da parceira foi feito em encontro que debateu a literatura feita fora do eixo Rio-São Paulo, do qual participaram, além de Tânia Rösing, que falou sobre o projeto que criou no Rio Grande do Sul; Marcelino Freira, que está fazendo um mapeamento da produção cultural em 15 capitais brasileiras, e Felipe José Lindoso, consultor do Conexões Itaú Cultural. Durante o evento, foram abertas as inscrições para o número 7 da revista Machado de Assis – Literatura Brasileira Tradução, que será lançada na Feira do Livro de Guadalajara, a ser realizada entre 28 de novembro e 6 de dezembro.

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