Bom humor celebra o pensamento de Millôr no primeiro dia da Flip

Palestra do crítico Agnaldo Farias e conversa hilariante entre Hubert, Reinaldo e Jaguar marcam abertura da festa, nesta quarta-feira, 30

Ubiratan Brasil, O Estado de S. Paulo

30 de julho de 2014 | 20h59

ENVIADO ESPECIAL / PARATY - Uma palestra do crítico de artes plásticas Agnaldo Farias, seguida de uma bem humorada conversa entre os cartunistas Hubert e Reinaldo, que entrevistaram outro colega, Jaguar, marcaram a abertura da 12ª edição da Flip, a Festa Literária Internacional de Paraty, na noite desta quarta-feira, 30, na cidade fluminense. Todos versaram sobre a vida e a obra de Millôr Fernandes (1923-2012), artista múltiplo que é o homenageado deste ano.

Buscando fatos na memória (“Quando eu bebia, não tinha amnésia como agora”, brincou), Jaguar buscou desmistificar alguns fatos – como a paixão de Millôr pelo frescobol, esporte, aliás, cuja criação lhe é dedicada. “Na verdade, ele gostava de praticar esse esporte porque não é competitivo, ou seja, ele jamais admitiria perder.” Jaguar também lembrou o hilariante caso em que Millôr escapou da prisão durante o regime militar. “Quando a polícia passou na casa dele, o camburão tava cheio, assim, ele escapou”, disse, provocando gargalhadas da plateia.

Na primeira palestra, Farias mostrou como Millôr foi, além de “um dos maiores pensadores que já tivemos”, também autor de um trabalho de artes plásticas, não apenas bem humorado, mas também crítico. “O que se sobressai é o filósofo, o homem que percebia a maleabilidade da palavra, trabalhava a ironia, as perversões sintáticas e o que isso podia provocar”, disse o crítico. “Mas Millôr, como todo artista, é aquele que via o outro lado das coisas.”

Segundo Farias, Millôr – assim como artistas do naipe de Loredano e Jaguar – teve seu trabalho artístico ignorado por ser justamente bem humorado. “Habitualmente, as artes visuais sérias são aquelas sisudas, e ignoram que o humor é um exercício de ironia, ou seja, vê o outro lado das coisas.”

Nos anos 60, Millôr despontou como um escritor sem estilo, justamente numa época em que se esperava um artista com dicção, com tônica. “Quando lemos um texto de Guimarães, percebemos a autoria pelo estilo. Já Millôr transita em um espectro vastíssimo, da mesma forma que nas artes visuais. Ele trabalhava a sensualidade das cores”, disse Farias. 

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