Philip Montgomery/The New York Times
Philip Montgomery/The New York Times

‘Billy Summers’, de Stephen King, é protagonizado por um escritor assassino

A redenção é o tema central do romance: Billy sempre disse a si mesmo que só mata homens maus que merecem morrer, mas, quando começa a ter dúvidas sobre seu último trabalho, ele se distrai escrevendo a história de sua vida

Rob Merrill, AP

05 de agosto de 2021 | 20h00

Uma das muitas coisas notáveis a respeito de Stephen King é que ele ainda não ficou sem ideias. Ou, dito de outra forma, ele é muito bom em encontrar novas maneiras de explorar temas que o interessaram durante toda a sua carreira.



Billy Summers conta a história do personagem-título - seu passado e seu presente. Franco-atirador na guerra do Iraque e agora assassino de aluguel, Billy exibe um “eu idiota” para seus clientes, mas, por dentro, é muito curioso e introspectivo - chegou “até mesmo a encarar Graça infinita”. Então, quando aceita um último emprego que exige que ele tenha um disfarce de longa data, ele escolhe o ofício de escritor. Em que outra profissão ele poderia ter rotinas tão estranhas e não ser responsável por ninguém além de sua musa criativa?

As passagens em que Billy escreve a história de sua vida são algumas das melhores do livro. King é muito apto em alternar entre as vozes: da voz narrativa do “eu idiota” que Billy usa em sua história para a voz do assassino cujo cérebro nunca para de se perguntar quem está tentando manipulá-lo. “Billy guarda o que escreveu, se levanta e cambaleia um pouco porque parece que seus pés estão em outra dimensão”, escreve King. “Ele se sente feito um homem emergindo de um sonho vívido”. Não é difícil imaginar o próprio King em algum lugar do Maine fazendo o mesmo décadas atrás, depois de trazer à vida um capítulo de A Dança da Morte.

A redenção é o tema central do romance. Billy sempre disse a si mesmo que só mata homens maus que merecem morrer, mas, quando começa a ter dúvidas sobre seu último trabalho, ele se distrai escrevendo a história de sua vida.



É quando ele encontra um público para sua história que o livro realmente começa a encontrar seu ritmo. Antes disso, é um monólogo interior pesado, com Billy pensando em todas as possíveis consequências de suas ações e nas motivações das pessoas ao seu redor. O enredo é direto e não muito convincente até mais ou menos o meio do caminho, quando Alice Maxwell entra na história. Vítima de estupro coletivo, ela é jogada para fora de um carro que roda lentamente, por volta da meia-noite, na frente do apartamento onde Billy está escondido. Sua história revela um lado compassivo de Billy e muda a narrativa. Ela dá a ele um novo propósito como assassino vingador, ao mesmo tempo em que atua como um público ávido pela história de vida de Billy.

A ação ganha mais velocidade quando Billy e Alice vão para o oeste para amarrar as pontas soltas. Tem até uma menção a um hotel panorâmico com topiária animal. É só uma daquelas “piscadelas” para os fãs. E esses fãs ficarão felizes com Billy e Alice. Para os leitores que são recém-chegados ao cânone King, existem literalmente dezenas de outros livros - hoje, a maioria deles também viraram filmes ou séries de TV - com os quais é melhor começar sua jornada Stephen King.


Tradução de Renato Prelorentzou 

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