Taba Benedicto/Estadão
Público tomou conta dos espaços da Bienal do Livro de São Paulo  Taba Benedicto/Estadão

Bienal do Livro: principais editoras têm estandes lotados no domingo

Evento realizado no Expo Center Norte, em São Paulo, chega ao segundo dia com corredores cheios

André Carlos Zorzi, O Estado de S.Paulo

03 de julho de 2022 | 13h20

A 26.ª edição da Bienal do Livro de São Paulo chega ao seu segundo dia neste domingo, 3. Assim como no sábado, o público formado por muitas famílias e pessoas de faixas etárias diversas enche os corredores do Expo Center Norte, onde o evento é realizado. Em alguns pontos, há dificuldade até para se passar. 

Desde as 11h30, a praça de alimentação já estava bem cheia, com algum cheiro de fritura para quem passava nas proximidades.

Estandes próximos, como o da Companhia das Letras, Harper Collins, Grupo Editorial Record e Rocco, com visual temático ao universo de Harry Potter e Animais Fantásticos, estavam entre os mais concorridos.

No da Intrínseca, que destacava o livro A Sociedade de Atlas, de Olive Blake, havia cerca de 50 pessoas apenas na fila de pagamento. Outro ponto disputado eram os locais destinados a mangás, como o da Comix. 

Os anúncios de livros a R$ 10 também chamam atenção dos visitantes. Muitos param para garimpar, mas uma minoria encontra alguma publicação de destaque entre as ofertas.

Alguns estandes contam com programação própria. Neste início de dia, algumas estavam esvaziadas, o que, se por um lado não é o ideal, por outro dá um clima mais intimista aos participantes.

Entre quem ainda deve passar pela Bienal do Livro neste domingo, 3, estão nomes como Laurentino Gomes, Gabriela Prioli, Thalita Rebouças e Valter Hugo Mãe. Clique aqui para ver a programação.

 

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Bienal do Livro: Portuguesa Gabriela Albergaria conta como a natureza influencia sua obra

Artista plástica falou do trabalho que tem feito em parceria com biólogos e pesquisadores, para ler e interpretar a floresta a partir da intervenção da arte

Matheus Lopes Quirino, O Estado de S.Paulo

02 de julho de 2022 | 18h02

"Eu gosto que o erro esteja presente (no nosso trabalho), o erro é importante para eu pensar", conta a artista plástica portuguesa Gabriela Albergaria, sobre o conselho que recebeu de Paula Rego, uma das principais pintoras portuguesas, morta este ano. Albergaria, que estuda a flora, falou na Bienal do Livro de São Paulo sobre a influência das plantas em seu trabalho, esculturas que emulam a natureza a partir de seus fragmentos, como troncos frondosos que chegam a ocupar salas inteiras. Sua fotografia documenta a poesia das florestas, a aleatoriedade da vida brotando do solo, matéria de poesia que norteou a edição passada da Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip

Albergaria se juntou ao curador João Fernandes na mesa Para Entender a Floresta, assunto necessário para pensar o momento de urgência ambiental que vivemos, com crise na Amazônia, queimadas e ameaças constantes ao meio ambiente. Ela contou do trabalho que tem feito, em parceria com biólogos e pesquisadores, para ler e interpretar a floresta a partir da intervenção da arte. Defendeu a floresta como um organismo vivo e pensante, proposta que integra seu repertório a partir de narrativas vegetais sobre resistência. Como a preservação da memória dos saberes ancestrais, a importância das culturas indígenas  e para a conservação de territórios. 

Multidisciplinar

Gabrieal Albergaria mistura elementos da escultura, desenho e fotografia em suas obras. Radicada em Berlim, ela ressalta a importância da natureza na paisagem urbana, suas obras questionam essa relação de desarmonia e interdependência dos espaços, além de demarcarem a presença vegetal no concreto. Essa incerteza, ressaltada na frase de Rego, é o clima que permeia a relação entre a cidade e o homem. O colapso ambiental pode resultar de uma sequência de erros dos homens, mas a salvação, também. 

 

Bienal Internacional do Livro de São Paulo

  • 2 a 10 de julho

    2ª a 6ª, das 9h às 22h, e sábado e domingo, das 10h às 22h. A entrada é autorizada até as 21h

  • Expo Center Norte (Rua José Bernardo Pinto, 333 - Vila Guilherme) 
  • Ingressos: R$ 30
  • Confira aqui dicas para organizar sua visita à Bienal

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Bienal do Livro: agito e 'formigueiro humano' marcam a abertura do evento

Feira na Expo Center Norte exige paciência de quem entra ou ainda deseja conseguir um ingresso

Matheus Lopes Quirino, O Estado de S.Paulo

02 de julho de 2022 | 15h34

Cosplayers, punks e até uma menina vestida de barbie girl. Personagens irresistíveis para se agruparem juntos em uma fila quilométrica. São Paulo, quase trinta graus, os transeuntes se acotovelam na fila do busão gratuito a caminho da Expo Center Norte, onde acontece a 26ª edição da Bienal do Livro de São Paulo

Na saída do Terminal Rodoviário do Tietê, vãs clandestinas cobram R$5 com os condutores aos berros: "Pra Bienaaal". Nessa altura, a maquiagem das meninas que esperam o transporte lotar derretem, leques espalhafatosos se abrem para abafar o calor. "Tá babado essa bienal, vou chamar um Uber". Só que está muito caro, adverte a colega de fila. Da saída do Tietê ao local do embarque dos ônibus tem uma rua com comércio ambulante, é preciso atravessar todas as tentações da hora do almoço, como pastéis, pamonhas e kibes, para chegar no ponto na Av. Voluntários da Pátria. Lá, os ônibus saem rápido, enchem em instantes. Talvez uma das únicas filas que andem nesse País. 

Dez minutos é o tempo máximo entre embarcar no fretado free ao estacionamento do pavilhão. Em frente ao Expo Center norte, um formigueiro enlouquecido se esparrama pela calçada. Todos os sotaques se misturam em uma polifonia de R's. Tem gente de Pirapora, do Rio, Recife, e gente que não tem ingresso. As filas andam, andam. Mas conseguir ingresso nessas alturas deve ser uma saga. 

Lá dentro, depois de atravessadas todas as catracas, a sensação de entrar em um grande feirão dos livros chega, junto com a claustrofobia. Começou mais uma Bienal, e em clima de carnaval fora de época. 

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Bienal do Livro: Tudo o que você precisa saber sobre ingresso, desconto, programação, mapa e mais

Veja dicas de como se preparar para a Bienal do Livro de São Paulo 2022, que espera 600 mil visitantes até o dia 10

Redação, O Estado de S. Paulo

01 de julho de 2022 | 15h30
Atualizado 04 de julho de 2022 | 11h12

A Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que será realizada entre sábado, 2, e domingo, 10, está de casa nova. Em 2022, ela vai ocupar 65 mil m2 do Expo Center Norte. Trata-se da maior feira de livros da America Latina e um dos principais eventos do mercado editorial e, nesta sua 26ª edição, ela se reafirma como uma opção de passeio para famílias, ponto de encontro de jovens leitores e porta de entrada para o mundo da literatura para as crianças.

São esperados 600 mil visitantes nos 9 dias do evento, que vão poder conhecer os lançamentos das editoras e participar da programação cultural - são mais de 300 escritores brasileiros e estrangeiros na programação oficial, que vão conversar com o público em diferentes espaços da Bienal do Livro de SP 2022

O primeiro fim de semana foi de lotação máxima, com o público lotando estandes e corredores e circulando pela feira sem máscara.

Veja dicas de como se organizar para visitar a Bienal do Livro de São Paulo 2022

  • Ingressos 

Compre no site www.bienaldolivrosp.com.br para evitar fila. Custa R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia), além de uma taxa de R$ 3 e R$ 1,50, respectivamente, para compra online. Não pagam: professores, profissionais do livro, crianças menores de 12 anos, adultos maiores de 60 e detentores da credencial plena do Sesc.

  • Como usar o cashback

Quem comprou o ingresso para a Bienal até o dia 30 pode aproveitar o cashback durante a visita. Basta, neste caso, fazer o download do aplicativo Zipgay e se cadastrar - é preciso fazer isso com o mesmo CFP usado na hora da compra do ticket. O valor será creditado no app, para usá-lo, e é só apresentar o vale online no estande escolhido - e que tenha aderido ao programa.

  • Quando ir 

A Bienal vai até domingo, 10. De 2.ª a 6.ª, ela funciona das 9h às 22h, e aos sábados e domingos, das 10h às 22h. Só pode entrar até as 21h. Se quiser evitar aglomeração, vá durante a semana

  • Como ir 

O Expo Center Norte fica na Rua José Bernardo Pinto, 333, Vila Guilherme. Se preferir ir de carro, o estacionamento custa R$ 55. Se for de metrô, há ônibus gratuito entre a estação Portuguesa-Tietê e a Bienal e vice-versa. As filas para pegar o ônibus são longas, mas fluem.

  • Máscara de proteção

O uso de máscara em locais fechados não é mais obrigatório em São Paulo, mas com tanta gente circulando pelos corredores do Expo Center Norte é mais prudente usá-la para evitar pegar covid-19 durante a visita. No primeiro fim de semana a Bienal levou uma multidão ao centro de convenção, não existiu distanciamento social e muita gente circulou sem máscara.

  • Para não se perder 

São 9 espaços oficiais. Na Arena Cultural, haverá bate-papo com best-sellers. No Salão de Ideias, com curadoria compartilhada com o Sesc SP, discussões sobre assuntos atuais. No Papo de Mercado, os bastidores do negócio do livro. No Navegando pelas Histórias, contação, oficinas e encontros voltados às crianças. E ainda: Cozinhando com Palavras, Auditório Edições Sesc, BiblioSesc, Espaço Cordel e Repente e espaço de autógrafos (com senha). Além disso, no estande de Portugal, país homenageado, há auditório, livraria e homenagem a José Saramago.

  • Mapa e expositores

São 187 expositores espalhados pelo pavilhão de 65 mil m2. Participam editoras de todos os portes e de todos os gêneros, além de empresas que tenham alguma relação com o mundo dos livros. Vá de sapato confortável e explore. Veja abaixo o mapa da Bienal (se quiser ampliar, clique aqui). 

  • Autógrafos

A Bienal está distribuindo senhas para autógrafos pelo site, com algumas sessões já esgotadas. As editoras também promovem suas próprias sessões - com distribuição prévia de senha no caso dos autores mais populares - no Espaço de Autógrafos ZAP, ou em seus estandes. 

  • Programação 

O site e o app não ajudam quem quer procurar um autor na programação para decidir o dia da visita. Neste caso, é melhor consultar as redes das editoras. Mas se você já sabe quando vai, aí sim consegue ver a programação completa do dia – por espaço. Veja aqui destaques do primeiro fim de semana selecionados pelo Estadão.

  • Autores convidados

Entre os autores brasileiros da programação oficial da Bienal estão  Conceição Evaristo, Aílton Krenak, Itamar Vieira Júnior, Ana Paula Araújo, Laurentino Gomes, Mario Sergio Cortella, Luiza Helena Trajano, Mauricio de Sousa, Thalita Rebouças, Kiusam de Oliveira. Na lista de autores estrangeiros, estão: Jenna Evans Welch (Amor & Gelato), Nathan Harris (A Doçura da Água), Ali Hazelwood (A Hipótese do Amor), Elena Armas (Uma Farsa de Amor na Espanha) e Xiran Jay Zhao (Viúva de Ferro).

Já a comitiva de Portugal, formada por escritores portugueses e africanos, traz ao País Afonso Cruz, António Jorge Gonçalves, Dulce Maria Cardoso, Francisco José Viegas, Filipe Melo, Gonçalo M. Tavares, Joana Bértholo, José Luís Peixoto, Kalaf Epalanga, Lídia Jorge, Luís Cardoso, Maria do Rosário Pedreira, Maria Inês Almeida, Matilde Campilho, Paulina Chiziane, Pedro Eiras, Ricardo Araújo Pereira, Rui Tavares, Teolinda Gersão, Valério Romão e Valter Hugo Mãe. E ainda os chefs Vítor Sobral e André Magalhães.

  • Descontos

A maioria das editoras prevê descontos, e cada uma segue sua própria diretriz. Algumas optaram por oferecer descontos progressivos para compra de dois ou mais livros. Outras já baixaram em 20% o preço das obras. Tem que se programe para oferecer brindes para quem comprar acima de um determinado valor.

  • Estandes e fotos

As editoras estão investindo em estandes cenográficos. Quem passar pelo da Rocco vai poder se sentar na cadeira de remete à história de Entrevista Com o Vampiro, livro de Anne Rice que vai estrear como série em breve.

No da Record haverá uma réplica da estátua de Carlos Drummond de Andrade, aquela fica na praia de Copacabana, e também uma cadeira para celebrar o lançamento de Matilda, clássico de Roald Dahl que está sendo descoberto por uma nova geração de crianças.

Por falar em crianças, no estande da Companhia das Letrinhas elas vão poder entrar no 'banheiro' do Pum, o cachorrinho da coleção best-seller de Blandina Franco e José Carlos Lollo.

Já o estande da Skeelo, plataforma de audiolivro e de e-book, será tecnológico, interativo e de realidade aumentada. Lá o público vai poder vivenciar a experiência de ouvir um audiobook em situações de locomoção do cotidiano, como por exemplo, dentro do carro, no ônibus, no metrô, pedalando ou caminhando numa esteira.

No Pavilhão de Portugal, uma estátua de Fernando Pessoa e uma réplica do bondinho de Lisboa convidam o visitante para uma viagem ao país homenageado.

  • A Grande Livraria

Pela primeira vez, 22 livrarias, de diversos tamanhos e de diferentes lugares, se unem na montagem de um estande coletivo na Bienal. A ideia é mostrar sua importância para o País. Quem comprar livros ali vai ganhar um vaucher para ser usado em qualquer uma das lojas participantes - entre elas estão a Martins Fontes, a Vila, a Leitura, a Da Vinci, a Simples e a Dois Pontos.

  • Alimentação

Bob's, Patroni, Cacau Show, Kibon, Seara e Nescafé são algumas das empresas que estarão na praça de alimentação da Bienal do Livro. Haverá ainda salada de fruta, waffle, brigadeiro, churros, temaki, crepe, raspadinha, açaí e pipoca, entre outros itens. Um restaurante self service também estará aberto aos visitantes. Se você for à Bienal no próximo fim de semana, considere levar um lanche e água de casa e escolha um canto mais tranquilo para comer. Assim, vai economizar tempo e dinheiro e vai se proteger mais contra o coronavírus.

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  Jéssica Liar

Bienal do Livro: Podcasts viram livros e falam de crimes reais a ciência

Os programas 'Modus Operandi' e 'Vinte Mil' Léguas mostram que a literatura pode se manifestar para além dos livros

Matheus Lopes Quirino , O Estado de S. Paulo

Atualizado

  Jéssica Liar

Nesta edição da Bienal Internacional do Livro de São Paulo, novas plataformas têm a chance de demonstrar sua força em um evento presencial, depois de dois anos de confinamento do público por conta da pandemia de covid. Na programação, estão autores jovens que dialogam bem com as novas plataformas, como Xiran Jay Zhao, que nasceu na China, radicou-se no Canadá e escreveu Viúva de Ferro, e que tem chamado atenção na plataforma TikTok. 

Com dancinhas, interpretações amadoras, memes e dublagem por cima de hits, autores têm surfado na onda de sucessos instantâneos das redes sociais. Viram nas plataformas, além de espaço para divulgação de seus trabalhos, um modelo que angaria milhares de fãs em pouco tempo. Além das redes sociais, como TikTok, Instagram e Twitter, tocadores como Spotify, são hoje verdadeiros barômetros para avaliar o sucesso de conteúdo. 

É o que percebeu a dupla Carol Moreira e Mabê Bonafé, criadoras do Podcast Modus Operandi, que traz histórias de crimes reais e conversa com especialistas e escritores, como o médico (e influencer, por que não?), Drauzio Varella, que participou do episódio de número 100 do programa para falar sobre o Massacre do Carandiru, uma das maiores audiências do canal.

“O gênero true crime existe há muito tempo, mas parece que nos últimos anos houve um boom, e começaram a surgir mais documentários, séries, livros e podcasts. Então, no fim de 2018, a gente resolveu criar o podcast, porque não conhecíamos muitas pessoas para discutir os casos, e percebemos que podia ser algo legal fazer episódios sobre isso. Mas a gente trabalhava tanto que o podcast só veio em janeiro de 2020”, conta a dupla em entrevista por e-mail ao Estadão

O gênero true crime, nos últimos anos no País, tem aparecido em produções alçadas aos trendings topics do Spotify, como um dos pioneiros, Praia dos Ossos, que contou a história do assassinato da modelo Ângela Diniz e as implicações do crime praticado pelo playboy Doca Street.

“O público de crimes reais em geral é de mulheres, isso é uma realidade. Existem várias discussões sobre isso, e a gente acredita que tudo influencia, seja por curiosidade, de entender a mente humana, de saber sobre uma história tão diferente, ou até mesmo consumir para se sentir mais segura. Como as mulheres são a maioria das vítimas, entender sobre essas histórias pode significar também entender formas de se proteger e tentar ao máximo evitá-las”, completam Mabê e Carol. O podcast, que acaba de virar livro pela editora Intrínseca, é um dos mais escutados do Spotify e tem mais de 100 mil seguidores em sua conta no Instagram. 

Para além do apelo das histórias cabeludas, outro podcast que virou livro é o Vinte Mil Léguas, uma expedição ao mundo de Charles Darwin (1809-1882), biólogo britânico que tem seus ensinamentos popularizados por Sofia Nestrovski e Leda Cartum, apresentadoras do podcast que caminha para sua 3.ª temporada. Falar de ciência de um jeito descomplicado virou sua marca.

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