Jéssica Liar
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Bienal do Livro: autores debatem sobre atração por crimes reais

Carol Moreira e Mabê Bonafé falam ao 'Estadão' sobre o processo de escrita, roteiro e como adaptaram o podcast Modus Operandi para um livro homônimo

Matheus Lopes Quirino, O Estado de S.Paulo

02 de julho de 2022 | 19h30

Uma das mesas mais esperadas do primeiro sábado da Bienal do Livro de São Paulo, Crimes Reais trouxe ao público os bastidores do podcast Modus Operandi, um dos mais ouvidos do último ano no Spotify. Na mesa, Carol Moreira, Mabê Bonafé, Ivan Mizanzuk e Duds Saldanha falam sobre como essas narrativas impactam o público, que é bombardeado por transmitidas desse gênero. Em entrevista ao Estadão, Carol e Mabê falaram sobre o processo de escrita, roteiro e como adaptaram o programa para o livro homônimo, recém-lançado pela editora Intrínseca. Confira:

Como vocês fizeram a adaptação do podcast para o formato de livro?

A gente fez um guia de true crime, ou seja, um livro que discorre sobre diversos temas que a gente abordou ao longo de todos os mais de cento e cinquenta episódios do nosso podcast, como investigação, perfis criminais, tipos de crimes, serial killers e outros. A ideia era criar um guia simples e didático para quem é fã do gênero e tornar melhor a experiência de assistir um documentário ou filme depois de ler. No nosso podcast a gente narra um caso por episódio, então o livro tem uma proposta diferente, mas a gente também traz casos por lá. 

Vocês sempre gostaram da temática de True Crimes

Sim! Em 2015, a Netflix lançou o documentário Making a Murderer, que conta a história surreal de um homem preso injustamente por 18 anos, que processa o Estado e é preso de novo pouco tempo depois por um crime diferente, e dessa vez, ele acusa a polícia de estar armando para ele. O documentário era cheio de reviravoltas, as pessoas ficaram obcecadas, e nós também. 

Como vocês fazem a pesquisa para embalar os casos que vocês contam no Podcast? 

Depende do caso, mas a gente sempre costuma fazer uma pesquisa em diversas frentes, como livros, documentários, reportagens sobre o caso na época, podcasts. No início a gente reúne diversas informações e depois a gente vai entendendo o que que é importante e o que não acrescenta muito para a história. Às vezes a gente tem várias fontes e todas elas são diferentes, aí nessa hora a gente entende que precisa avisar o público que nem as fontes são muito confiáveis. 

Por que o público se interessa tanto por histórias de crime? 

O público de crimes reais em geral é de mulheres, isso é uma realidade. Existem várias discussões sobre isso, e a gente acredita que tudo influencia, seja a curiosidade mesmo, de entender a mente humana, de saber sobre uma história tão diferente, ou até mesmo consumir para se sentir mais segura. Como as mulheres são a maioria das vítimas, entender sobre essas histórias pode significar também entender formas de se proteger e tentar ao máximo evitá-las. 

Como é feito o podcast, com quantas pessoas vocês trabalham? 

É um podcast semanal que conta sobre diversos casos de true crime no mundo, e cada hora estamos imersas em algum ponto do podcast. A produção consiste na pesquisa / checagem dos dados / gravação / edição / revisão da edição e aí vai para o nosso site. Inclusive no site tem mais informações, fotos e links de obras que a gente citou ou que a gente recomenda para entender melhor o caso. Como o processo é contínuo, estamos sempre trabalhando em algum desses pontos durante a semana. Ao todo são 7 pessoas que formam a equipe do podcast atualmente (incluindo nós duas, Carol Moreira e Mabê Bonafé).

Vocês são roteiristas? 

Durante mais de ano éramos as únicas roteiristas, mas hoje temos uma equipe de 3 roteiristas junto com a gente para conseguirmos produzir o conteúdo no tempo e na qualidade que acreditamos, mas a gente continua roteirizando também! Além dos episódios semanais, a gente produz um episódio extra para os apoiadores do podcast, então estamos sempre assistindo ou consumindo alguma coisa para algum episódio diferente.

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