Biblioteca Mário de Andrade
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Biblioteca Mário de Andrade homenageia bibliófilos em nova exposição de obras raras

Em cartaz até dezembro, a mostra Grandes Colecionadores foi montada com base no acervo de nomes como Félix Pacheco e Otto Maria Carpeaux

Maria Fernanda Rodrigues, O Estado de S. Paulo

02 de outubro de 2019 | 12h00

A Biblioteca Mário de Andrade abre nesta quinta-feira, 3, na véspera da primeira edição do Festival Mário de Andrade, com debates e feira de livros, uma nova exposição com raridades de seu acervo. A mostra Grandes Colecionadores apresenta exemplares significativos da trajetória pessoal de bibliófilos que doaram ou venderam suas coleções para a Biblioteca Mário de Andrade.

A exposição Grandes Colecionadores pode ser visitada até o dia 12 de dezembro, todos os dias, das 10h às 19h.

Com curadoria de Rizio Bruno Sant’Ana, a mostra exibe livros do acervo de nomes como Félix Pacheco (1879-1935), Barão Homem de Mello (1837-1918), Antonio Baptista Pereira (1880-1960), Paulo Prado (1869-1943), Pirajá da Silva (1873-1961), Antonio Francisco Paula Souza (1843-1917), Francisco de Assis Carvalho Franco (1886-1953), Alceu Maynard Araújo (1913-1974), Otto Maria Carpeaux (1900-1978), Paulo Duarte (1899-1984), José Pereira de Mattos e José Perez.

De Félix Pacheco, por exemplo, os visitantes poderão ver o primeiro documento impresso que descreve costumes folclóricos brasileiros: Relação das Faustíssimas Festas, de 1762. Trata-se de um relato das festas para comemorar o casamento entre a Princesa do Brasil (futura rainha D. Maria I) e D. Pedro infante de Portugal (depois, D. Pedro III). 

Pacheco foi político, jornalista, poeta e reconhecido como introdutor no Brasil de traduções e estudos sobre Charles Baudelaire. Eleito imortal da Academia Brasileira de Letras em 1912, ele reuniu a maior coleção privada de obras raras e de Brasiliana do País, em seu tempo. Sua coleção de 14 mil volumes foi comprada por Rubens Borba de Moraes, em 1936.

Já de Paulo Prado, advogado, fazendeiro, escritor e patrocinador da Semana de Arte Moderna de 1922, cuja coleção de livros de artistas e obras de história e literatura francesa foi doada em 1945, será exposto um projeto de lei sobre os escravos no Brasil que seria apresentado por José Bonifácio de Andrade e Silva à Assembleia Gerak Constituinte quando ela foi dissolvida e o autor e outros deputados foram presos e deportados. O material foi publicado em 1825, durante o exílio, em Paris. 

Otto Maria Carpeaux também foi um colecionador. De sua coleção, o público poderá ver uma edição bilíngue com poemas de Carlos Drummond de Andrade organizada por Hans Magnus Enzensberger e publicada em 1965 pela alemã Suhrkamp. Foi Carpeaux quem fez a ponte entre o poeta mineiro e os editores estrangeiros, e o volume traz uma dedicatória assinada por Drummond em 28 de julho de 1965.

 

Exposição Grandes Colecionadores

De 3/10 a 12/12, das 10h às 19h (todos os dias). Biblioteca Mário de Andrade (Rua da Consolação, 94)

 

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