EFE
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Best-sellers e indies se juntam na Feira do Livro de Frankfurt

Dia teve debate sobre como é ser editora independente no País

Maria Fernanda Rodrigues - ENVIADA ESPECIAL, O Estado de S. Paulo

15 Outubro 2015 | 20h02

FRANKFURT - Marcos da Veiga Pereira é sócio de uma das mais bem-sucedidas editoras brasileiras, a Sextante. Foi ela quem lançou O Código Da Vinci, A Cabana e o primeiro, e mais vendido, livro de colorir desta última moda. É a editora com mais títulos no ranking 2015 de best-sellers - isso tudo sem contar que ela detém 50% da Intrínseca, outra casa com desempenho e autores (John Green, E L James etc.) de fazer inveja, e que chegou a comprar metade da L&PM, mas acabou desistindo do negócio. Para a Feira do Livro de Frankfurt, porém, ela é uma editora independente.

Pelo menos foi assim que a organização apresentou a conversa entre Pereira e Andrew Franklin, fundador da britânica Profile, realizada na tarde desta quinta-feira no Business Center, espaço por onde estão passando CEOs de importantes grupos, entre outros profissionais convidados a debater o estado do mercado editorial internacional.

“Independente sou eu, que ainda coloco dinheiro na minha editora”, brinca Raquel Menezes, presidente da Liga das Editoras e proprietária da Oficina de Raquel, criada há 10 anos para publicar poesia, gênero considerado não lucrativo.

Enquanto Pereira conversava com Franklin e respondia perguntas de jornalistas especializados em mercado editorial, Raquel, Cide Piquet (34) e Gustavo Faraon (Dublinense) debatiam, no mini auditório do estande do Brasil, “as agruras e as vantagens de ser independente”, nas palavras da editora. “Tenho dificuldades de formular o que é ser independente. Se crescermos e virarmos um colosso, vai acabar nossa independência?”, Faraon se questiona. 

Como o editor independente que de fato é, já que não está ligado a nenhum grupo editorial, Pereira, que administra a empresa ao lado do irmão Tomás e que vem de uma família de editores, conta que, se ele publica um best-seller num ano e não no seguinte, tudo bem - desde que não deixem de acreditar que todo e qualquer título será um sucesso. Isso não ocorreria nos grandes grupos, nos quais selos competem entre si e a cobrança por resultado é frenética. “Os grupos são impacientes”, comenta Franklin.

Mas esses grupos estão chegando e começam a mexer na dinâmica do mercado editorial brasileiro. Com a Penguin no Brasil, a Companhia das Letras passou a editar obras mais comerciais e a criou vários selos. Há pouco, a HarperCollins fez uma joint-venture com a Ediouro e as mudanças já começaram. A francesa Hachette também procura meios de operar no Brasil - faz isso pelo menos desde 2012 e, na quarta-feira, Arnaud Nourry, CEO do grupo, disse que entre três e cinco anos a presença da marca será forte no País.

“A competição vai ficar mais acirrada. Seremos imunes? Estou sempre aberto a conversas. Adoro conversar”, diz. Mas já emenda: “Não temos nenhum interesse em vender, mas é bom ver como está o mercado”. Pereira lembrou que, quando a Planeta quis entrar no Brasil, ela tentou como pode comprar editoras já estabelecidas. Foi assim também com a Leya. As duas, no entanto, tiveram de começar do zero.

Em debates como esse, são comuns tentativas de fazer o convidado falar sobre a Amazon. Pereira conta que houve cooperação quando a livraria americana quis vender e-book - depois de os editores muito analisarem o modelo americano, consolidado, mas em crise. No que diz respeito à venda de livro impresso, ela teria subestimado a organização local, diz o editor. Para ele, vai demorar para ela conseguir o mesmo desempenho que tem em outros países. O preço fixo do livro, uma antiga bandeira do mercado editorial renovada agora justamente com a chegada desses grandes players, também foi tema da conversa.

Esperava-se que o discurso de Marcos Pereira, que é também presidente do Sindicato Nacional de Editores, ecoasse o desânimo percebido ao redor do estande coletivo do Brasil e que tem se espalhado pela feira. Após o debate, ele disse que esta não é a pior crise enfrentada pelo País e citou o Plano Collor e o confisco da poupança 15 anos atrás como o pior momento para o mercado editorial. Aos que pensam em aportar no Brasil, disse que o País não é para principiantes.

Best-seller. Dois escritores queridos dos editores passaram pela feira nesta quinta-feira. Ken Follett, coincidentemente publicado pela Sextante no Brasil (selo Arqueiro), falou sobre o projeto de adaptação de seu livro Os Pilares da Terra para game. Já Isabel Allende lotou a área do Sofá Azul, que na quarta recebeu Jojo Moyes (Intrínseca), entre outros. Mais cedo, a escritora chilena, autora do best-seller A Casa dos Espíritos, de 1982, participou de outra conversa com o público. Ela veio à feira para promover seu mais recente romance, O Amante Japonês, lançado no Brasil pela Bertrand, do Grupo Record. “Escrevo para tentar entender o que acontece”, comenta.

NOTAS

2016

Holanda e Flandres disseram que vão montar um museu e um teatro no pavilhão que ocuparão em 2016 como países convidados. A programação se estenderá para outras 7 cidades alemãs.

Criatividade

A agência literária inglesa Peters Fraser Dunlop virou editora e vai publicar e-books de seus autores.

Dublê

David Lagercrantz vai escrever mais dois títulos da série Millennium como se fosse Stieg Larsson. O primeiro, A Garota na Teia de Aranha, foi lançado há pouco.

Livraria

A Associação de Editores do Reino Unido faz concurso para saber qual é a ‘livraria do ano’. As inscrições vão até 16/1.

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