MARVEL ENTERTAINMENT
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Autora de primeira heroína lésbica e latina da Marvel comemora oportunidade: 'É uma bênção'

America Chavez, heroína lésbica latina com superpoderes, é personagem popular que ficou famosa nas páginas das HQs dos Vingadores e Os Supremos.

David Betancourt, THE WASHINGTON POST 

15 Março 2017 | 20h51

Gabby Rivera nunca pensou que as HQs de super-heróis um dia fariam parte da sua carreira de escritora, mas, quando recebeu o convite, aceitou entusiasmada. A Marvel Comics contatou Gabby, conhecida autora do romance Juliet Takes a Breath, para saber se ela toparia escrever o roteiro de America Chavez, heroína lésbica latina com superpoderes, personagem popular que ficou famosa nas páginas das HQs dos Vingadores e Os Supremos.

Gabby Rivera diz que a oportunidade de escrever uma história sobre uma personagem como America é um sonho que jamais pensou se tornaria realidade. “Eu me sentia tão despreparada para criar histórias em quadrinhos de super-heróis que jamais imaginei que um dia conseguiria escrever. Sempre imaginei super-heróis poderosos e tranquilos, parecidos comigo e com minha família: robustos, mulatos, divertidos, bonitos. E agora tenho de dar vida a um deles. “America” vai ser tudo isto e será fantástico”.

Antes de começar a escrever America, a nova série (ilustrada por Joe Quinones) lançada na sua forma impressa e digital na semana retrasada, Gabby leu pilhas de revistas em quadrinhos mostrando a heroína com força sobre-humana, voa, dá socos que fazem buracos no ar e vem de uma outra dimensão. Gabby qualifica o seu trabalho como um “curso intensivo” sobre tudo que se refere a América. E qual a maior diferença entre escrever romances e livros sobre super-heróis? Tempo, diz ela.

“Não economizo tempo quando escrevo meus romances. Mas, no caso de America, foi como viajar num jato ou num jet ski, ou qualquer coisa veloz e divertida. Estou produzindo textos de 20 páginas trabalhando em tempo integral em uma entidade LGBTQ sem fins lucrativos. É uma atividade intensa e desafiadora, mas estou adorando.”

Gabby diz que acha genial ser a primeira lésbica latina a escrever para a Marvel Comics. Ela sabe muito bem que sua presença na Marvel faz parte dos esforços da companhia no sentido de que a diversidade dos heróis também conte com o talento criativo diversificado no aspecto da produção. Especialmente nesta era atual em que os quadrinhos podem ser lidos na mídia social, onde a diversidade é elogiada ou criticada.

“As pessoas sempre buscaram uma representação interseccional também na literatura e nas artes criativas. A mídia social só intensificou o escrutínio e deu às pessoas um espaço para se conectarem. Grupos online como Black Girl Nerds, Latinx Geeks e Geeks of Color estão fazendo sua parte. De onde vem exatamente a heroína America. Ela é porto-riquenha? Dominicana? Cubana? Mexicana?

Gabby Rivera, que cresceu no Bronx, incluiu alguma coisa da cultura porto-riquenha na primeira edição de America, adicionando algumas gírias desse país, com a heroína estudando na Sotomayor University (que leva o nome da juíza da Suprema Corte Sonia Sotomayor). Mas até agora a origem de America não foi revelada.

A série “com certeza vai tratar dos ancestrais e da etnia da heroína. Mas não será tão simples como algumas pessoas gostariam. Para mim, ser latina é algo realmente muito complicado, especialmente quando pesquiso minhas raízes”, diz Gabby. “America vai indagar de onde veio e quem é seu povo. Quer saber o que significa ser mulata em todas as dimensões. E, como muita gente que deixou o país natal ainda jovem, ela também se defronta com esse sentimento de divisão, quando você tem a sensação de ser um estrangeiro onde está e se sente deslocado no seu país.”

“Vou ter a oportunidade de ver grupos de meninas mulatas e suas mães, todas vestidas como America Chavez. As histórias que narramos por meio da personagem farão parte da sua experiência cultural popular. E, naturalmente, a pressão existe, mas adoro e isto está me tornando uma melhor escritora. É uma bênção.”  

TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO 

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