Lionel BONAVENTURE / AFP
Lionel BONAVENTURE / AFP

Autora de livro sobre Instagram promete bastidores da história da rede social

A jornalista Sarah Frier traz visão reveladora de como o aplicativo se tornou sensação e membro da família do Facebook

AFP, O Estado de S.Paulo

03 de outubro de 2020 | 16h26

Menos de dois anos após o lançamento do aplicativo de compartilhamento de fotos Instagram, há uma década, seus fundadores decidiram vendê-lo ao Facebook em uma transação de US$ 1 bilhão.

A jornalista Sarah Frier promete trazer em seu livro No Filter: The Inside Story of Instagram (Sem Filtro: Dentro da História do Instagram, em livre tradução) uma visão reveladora dos bastidores de como o Instagram se tornou sensação como membro da família de serviços online do Facebook.

Qual foi a visão por trás do Instagram?

Kevin Systrom e Mike Krieger queriam uma maneira rápida de compartilhar fotos em uma época em que as pessoas capturavam com as câmeras dos smartphones todos os tipos de momentos em fotos.

Quis também acrescentar toques artísticos, dando origem a "filtros" que trazem efeitos para transformar momentos de vida em memórias nostálgicas.

Os fundadores do Instagram também queriam construir uma comunidade, convidando apenas um grupo seleto de pessoas para se juntar no início, como artistas ou músicos com muitos seguidores online. Todos estavam apenas explorando e tentando abrir a outras pessoas uma janela para suas vidas.

Os fundadores tinham uma visão muito clara de como queriam que o Instagram fosse e se parecesse. E a rede do Facebook era praticamente o oposto dessa visão.

Enquanto o Instagram preferia pensar em arte e criatividade, o Facebook preferia pensar em métricas de engajamento e tempo gasto no aplicativo.

Por que vender para o Facebook?

Quando o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, voltou sua atenção para o Instagram, havia apenas 13 funcionários trabalhando duramente para mantê-lo funcionando.

Cada vez que Justin Bieber postava no Instagram, o tráfego fazia o aplicativo travar.

Zuckerberg entendeu que não só teria que fazer uma oferta em dinheiro que eles não pudessem recusar, mas também com a promessa de que o Instagram permaneceria independente da sua rede social.

A tentação do Instagram, além de dinheiro, era poder explorar o talento e os recursos no Facebook.

Os usuários do Instagram já tinham a opção de compartilhar fotos no Facebook. Havia uma sensação de que seria mais fácil trabalhar com o Facebook em vez de trabalhar contra eles.

Enquanto isso, o Facebook estava ansioso para acompanhar a tendência de pessoas se conectarem à Internet usando smartphones em vez de desktops ou laptops.

Ter o Facebook ao seu lado também daria ao Instagram um poderoso aliado em um mundo de dispositivos móveis dominado pelos sistemas operacionais Apple e Google.

A união foi harmoniosa?

Houve tensão com a chegada do Instagram ao Facebook. Principalmente porque o Facebook ainda considerava o Instagram um concorrente.

Logo no início, o Instagram foi informado durante uma reunião que não "nós não podemos deixar vocês crescerem até que descubramos se o Instagram é a razão pela qual as pessoas não compartilham com tanta frequência no Facebook".

Por fim, o Instagram pôde crescer em seu próprio ritmo, despertando pouca atenção do Facebook.

O aplicativo de fotos começou a perceber que os usuários sentiam uma pressão imensa para postar imagens com tudo perfeito, elegante e com curadoria.

Na verdade, isso se revelou ruim para os negócios. Então, o Instagram introduziu o 'stories', copiando um recurso do Snapchat, que apresentava coleções de imagens capturadas ao longo do tempo que desaparecem pouco tempo depois.

O crescimento do Instagram começou a disparar em 2016, enquanto o Facebook estava sob críticas por preocupações sobre desinformação, manipulação de eleições, privacidade e polarização da sociedade.

Zuckerberg começou a se perguntar se o Instagram era uma ameaça competitiva, restringindo recursos para garantir que só crescesse com a aprovação do Facebook. Com a perda de independência do Instagram, seus fundadores foram embora.

O Instagram será mais parecido com o Facebook em sua próxima década, trabalhando para recomendar conteúdo com base em interesses ao invés de apresentar aos usuários novas comunidades, interesses e criadores.

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