MARCOS DE PAULA/ESTADÃO
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Autor chinês brinca após ser confundido ex-espião

Exilado em Londres, Ma Jian ironiza confusão feita pela imprensa que publicou sua foto como se fosse o condenado

AFP/ PEQUIM, O Estado de S.Paulo

31 Dezembro 2018 | 03h00

O escritor chinês Ma Jian, que vive no exílio em Londres, preferiu recorrer à ironia, depois de ver que vários jornais publicaram sua foto para ilustrar uma notícia do ex-chefe da contraespionagem chinesa condenado à prisão perpétua, com quem compartilha o mesmo nome. 

“Não contente com ter o mesmo nome que eu, o chefe de espiões corrupto Ma Jian, o ex-vice-ministro da agência responsável pela minha proibição de residência na China, também roubou os traços”, brincou o autor no Twitter.

O ex-chefe da contraespionagem chinesa foi condenado à prisão perpétua por corrupção, na quinta-feira, por um tribunal de Liaoning (nordeste da China). Foi declarado culpado, sobretudo, por aceitar propina. Os nomes de ambos, o ex-espião e o escritor, escrevem-se com os mesmos caracteres chineses.

“Meus filhos ficaram estupefatos ao saberem que não sou o autor de China Dream, que lhes fez saborear bolinhos de alga durante o jantar, mas sim um ex-chefe espião que acaba de ser preso para toda vida por aceitar ‘subornos sumamente generosos’”, ironizou Ma Jian em outro tuíte, referindo-se às várias matérias ilustradas que foram publicadas com seu retrato.

“Sou um escritor proibido que sonha  ser um mestre espião corrupto, ou sou um mestre espião corrupto que sonha ser um autor proibido?”, continuou. Os romances de Ma Jian, que vive em Londres desde 1999, foram proibidos na China, depois que o governo chinês classificou de “contaminação espiritual” seu primeiro livro sobre as viagens de um jovem jornalista chinês no Tibete.

A ironia do destino também quis que o escritor voltasse à China há seis anos, depois de as autoridades lhe terem permitido acompanhar o enterro de sua mãe em uma autorização assinada, principalmente, por Ma Jian, o espião. “É digno de Kafka. Ma Jian concedendo a permissão a Ma Jian”, brincou o escritor no Twitter. No Brasil, a editora Record é responsável pela publicação de seus títulos e, até o momento, foram lançados Pequim em Coma e A Cozinha da Revolução.

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