Walter Craveiro/Divulgação
Walter Craveiro/Divulgação

Autores conversam sobre Associação de Cartunistas pela Paz e 'Charlie Hebdo' na Flip

Plantu, Riad Sattouf e Rafa Campos conversaram sobre quadrinhos e charge política no sábado, 4

Guilherme Sobota, Enviado Especial - O Estado de S. Paulo

04 Julho 2015 | 18h25

PARATY - O cartunista francês Plantu mencionou por diversas vezes a iniciativa Cartoonists for Peace, associação da qual é fundador, na mesa que discutiu quadrinhos e charges políticas na tarde deste sábado, 4, na Flip, em Paraty. Dividindo o espaço com o também francês Riad Sattouf e com o brasileiro Rafa Campos, o colaborador do Le Monde Diplomatique há 30 anos afirmou que não é preciso humilhar ninguém para fazer humor com política e religião.

"Com a internet, você tem que saber que a imagem chega em todos os lugares e nem todas as pessoas compreendem", disse, após mostrar uma série de charges que publica no jornal francês desde 1985. Existente desde 2006, a instituição foi criada em conjunto com Kofi Anaan numa tentativa de tentar entender o papel dos cartunistas em tempos contemporâneos.

Em outro momento importante do debate, os franceses da mesa comentaram os ataques à revista Charlie Hebdo, em janeiro deste ano.

Tignous, um dos quadrinistas mortos, fazia parte da Cartoonists for Peace e era amigo pessoal de Plantu.

"Fiquei totalmente perturbado", comentou Riad Sattouf sobre os ataques. "É importante que as pessoas saibam que na França esses profissionais não viviam numa torre de marfim, eram muito populares e importantes", disse - Sattouf colaborou durante 10 anos com o Charlie Hebdo, até 2014. "Mesmo quem não gostava dos seus desenhos ficou traumatizado", disse - ele ficou sabendo do atentado primeiro pelo twitter.

Leia entrevista de Riad Sattouf ao Estado sobre o seu livro O Árabe do Futuro.

Em outro momento do debate, o brasileiro Rafa Campos, autor da série Deus, Essa Gostosa, publicada periodicamente no jornal Folha de S. Paulo, comentou que seu objetivo quando desenha é irritar o máximo de pessoas possível. "Tenho conseguido", garantiu. Seu personagem é uma espécie de inversão dos valores comumente atribuído à divindade (o deus de Rafa Campos é uma mulher, negra e jovem que não se importa muito com o que os outros fazem).

"O Brasil é o terceiro reich do índio, o talibã da mulher e o ku klux klan da população negra", lamentou o brasileiro.

Ele também criticou o sobrevalorização da arte na contemporaneidade. "(Quadrinhos) é bem melhor", comentou. "Essa palavra (arte) é muito valorizada... um bom quindim é bem melhor do que quase todo o modernismo brasileiro."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.