WILTON JUNIOR/ESTADÃO
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Artistas, amigos e personalidades lamentam a morte de Carlos Heitor Cony

Escritor morreu na noite de sexta-feira, 5, no Rio de Janeiro

O Estado de S.Paulo

06 Janeiro 2018 | 12h19

O escritor Carlos Heitor Cony morreu na noite de sexta-feira, 5, de falência múltipla de órgãos, deixando vasta produção de romances, contos e crônicas do autor ao longo de sua carreira. Escritores, amigos e artistas lamentaram a morte do autor.

"É sempre lamentável quando morre um jornalista e escritor da relevância do Cony. A gente está perdendo uma geração... É uma pena. Livros como Quase Memória e 'O Piano e a Orquestra' são muito  importantes", Milton Hatoum.

"Primeiro que eu gostava  muito dele como amigo. E, para a minha geração, ele foi um jornalista e escritor muito importante. Com o livro 'O Ato e o Fato'  ele enfrentou a ditadura e tudo aquilo que esmagava a gente. Ele mostrou que era possível resistir escrevendo",  Ignácio de Loyola Brandão.

"Eu lamento muito, gostava da obra e dele pessoalmente. O bom é que ele foi ativo até o final. Um intelectual rigoroso que vai fazer muita falta", Luis Fernando  Verissimo.

"Para a minha geração, criada nuns restos de beletrismo, Cony foi, com O Ventre, romance de estreia, a revelação de uma saudável literatura de maus modos. Depois, o jornalista que se opôs de bate-pronto ao golpe. Parecia morto para a literatura quando, em 1995, ressurgiu com Quase Memória, romance forte e tocante, e a ela permaneceu fiel até o fim, deixando sua marca não só na ficção como na crônica", Humberto Werneck.

"Cony foi um dos mais brilhantes jornalistas que o Brasil teve. Não se calou ao defender a democracia  na época em que isso era arriscado. Critico pertinaz e inteligente, soube também ser generoso. Ademais era um cronista de qualidade, como poucos. Lamento sua morte e continuaremos a sentir sua ausência", Fernando Henrique Cardoso.

"Ele conjugava humanismo com uma sólida formação intelectual.  Também tinha uma sólida formação teólogica, mas se dizia incrédulo. Eu acho que ele tinha uma certa 'nostalgia de Deus'. Mas tem uma história que eu gostaria de contar. Nós conversavamos muito sobre cachorros. Ele tinha uma paixão por uma cadelinha que se chamava Mila. Cony dizia: "Nunca amei tanto como amei minha Mila. E eu nunca fui amado por alguém como ela me amou".  O livro Quase Memória se deve a Mila também. Cony, que estava há muitos anos sem escrever, notou que ao pressionar as teclas da máquina  de escrever, ele apaziguava as dores  da cachorrinha que estava doente. Era como se ela dissesse: "Escreve, Cony; escreve, Cony...", Nélida Piñon

"Carlos Heitor Cony é imortal, já sabíamos. Mesmo isso não diminui a tristeza de perder o convívio cotidiano com o que foi uma incessante produção literária e jornalística; com a capacidade espetacular que Cony tinha de ora nos comover, ora nos indignar, de nos fazer refletir sempre sobre a condição humana. Foi-se um mestre. Nosso carinho aos seus familiares e amigos", Geraldo Alckimin.

 

 

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