Após Paulo Coelho, Morais descarta biografias de artistas vivos

Depois de "O Mago", livro sobre avida do escritor Paulo Coelho, o biógrafo Fernando Morais nãoquer mais saber de escrever sobre pessoas que ainda estejamvivas. "É claro que você cria um laço afetivo. Por isso, nuncamais quero fazer biografias de gente viva", disse ele naterça-feira, em uma entrevista a jornalistas transmitida pelaInternet. Até então, Morais só havia se debruçado sobre a história deartistas mortos, como Olga Benário Prestes e AssisChateaubriand. "Sempre tive muita curiosidade de saber quem é que estavadebaixo da pele do brasileiro que mais vendeu livros no mundo eque é hoje o único autor com mais obras traduzidas do queWilliam Shakespeare", disse Morais, para quem o sucesso do"mago", que nunca agradou a crítica brasileira, é motivo deinveja. "Brasileiro se considera vira-lata, de segunda categoria.Alguns vêem o sucesso dos outros como uma ofensa", disse. "É orasteiro e baixo sentimento da inveja. Afinal, ele não nasceuna Noruega, nasceu no Botafogo." Apesar do sucesso, o Paulo Coelho que Morais conheceu ébastante simples. "Eu me surpreendi. Quando cheguei aoaeroporto (para passar dois meses viajando ao lado doescritor), Paulo saiu de um táxi vagabundo, carregando umamalinha vagabunda." "O Mago" foi lançado no último fim de semana pela editoraPlaneta e, segundo Morais, vendeu 10 mil exemplares só noprimeiro dia. A editora planeja lançar a obra em 40 países. O grande atrativo para tantos compradores é a promessa dedetalhes sórdidos e inéditos da vida de Paulo Coelho, retiradosde um baú que o testamento do escritor mandava que fosseincinerado depois de sua morte. "SEM CENSURA" Ao saber da existência do baú, Morais pediu as chaves aoautor de "O Alquimista". Paulo Coelho impôs uma condição:Fernando teria de descobrir o nome do militar que o haviaprendido e torturado ao confundi-lo com um terrorista, nostempos da ditadura militar (1964-1985). Fernando descobriu. Ao abrir o baú, encontrou "180 ou 190"cadernos e 100 fitas cassete com relatos "escabrosos",registrados por 40 anos. "Me senti o Indiana Jones abrindo aquele baú", disse obiógrafo. E as histórias escabrosas podem virar filme. FernandoMorais contou que já recebeu quatro propostas de adaptação de"O Mago" para o cinema. "Hoje mesmo recebi uma proposta de uma produtora carioca",disse Morais, para quem "O Mago" vai ser um "filmaço". "Tem detudo. Tem violência, sexo, religião, rock and roll, satanismo.E tem redenção, pois o protagonista realiza seu sonho de ser umescritor lido no mundo inteiro." Embora animado, Morais diz que não quer se envolverdiretamente com a produção do filme. "Não sou um homem decinema. Pedi para que minha agente cuidasse disso pra mim." Em 2004, "Olga" virou filme, dirigido por Jayme Monjardim.Já "Chatô, o Rei do Brasil", dirigido por Guilherme Fontes,nunca foi concluído. A Agência Nacional do Cinema exigiu adevolução de 36 milhões de reais captados pelo filme por meiodas leis de incentivo. "Espero que desenterrem esse projeto", disse Morais, emboraparecesse desesperançado. Segundo o biógrafo, Paulo Coelho não fez nenhuma censura aseu trabalho e não leu o livro antes de sua publicação. "Estouansioso. Ele recebeu o livro ontem (segunda) e ainda não deunotícias. Espero que ele goste", disse.

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