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Antonio Bivar lança livro autobiográfico

Autor de 'Cordélia Brasil', dramaturgo narra os 30 primeiros anos de sua vida na obra 'Mundo Adentro Vida Afora'

Ubiratan Brasil, O Estado de S. Paulo

16 Dezembro 2014 | 11h31

O dramaturgo Antonio Bivar lança, na noite desta terça-feira, 16, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (Avenida Paulista, 2.073), o livro Mundo Adentro Vida Afora (L&PM), autobiografia que compreende seus 30 primeiros anos de vida.Sempre disposto a experimentações, Bivar é autor de clássicos do teatro nacional, como Cordélia Brasil (1967) e Abre a Janela e Deixa Entrar o Ar Puro e o Sol da Manhã (1968), obras cuja concepção são narradas neste volume, que vai até 1969

Nascido em São Paulo, em 1939, Bivar desde cedo revelou-se uma criança sensível às artes, como narra nos primeiros capítulos do livro. O mérito da obra está em contextualizar sua vivência, ou seja, os fatos biográficos são apresentados ao lado das profundas mudanças políticas e sociais sofridas pelo Brasil nas décadas de 1940, 1950 e 1960.


Fã de revistas ilustradas como O Cruzeiro e Revista da Semana, ele logo revelou sua preferência pelo glamour do cinema americano ao mesmo tempo em que percebia as influências da realidade em sua obra, então nascente.

Bivar conta, por exemplo, a origem de Cordélia Brasil, as dificuldades para montar o texto (que, em sua primeira montagem, teve Norma Bengell, Emilio Di Biasi (também diretor) e Paulo Bianco, o veto da censura do governo militar, desgostoso com a trama: Cordélia é uma funcionária pública que também se prostitui para manter o casamento com um vagabundo de boa lábia que se faz passar por artista gráfico. Um cliente fecha o triângulo e o que chocou a censura foi o desespero interior de Cordélia, que ameaça expulsar todos de casa e transformar o local em um prostíbulo.

Outro momento marcante é sua amizade com outro dramaturgo José Vicente, que também enfrenta problemas com a censura com suas peças Santidade e O Assalto.

O volume termina com sua viagem a Londres, onde conviveu com outros nomes da cultura brasileira, exilados pela ditadura. Aguarda-se agora um segundo volume, em que Bivar deverá narrar sua descoberta e adesão ao punk - entre 1979 e 1982, ele realizou o evento O Começo do Fim do Mundo, no Sesc, reunindo as mais expressivas bandas da época.

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