Gal Oppido - 10/10/2013
Gal Oppido - 10/10/2013

André Mehmari apresenta suíte inédita na abertura da Flip

'Suíte Policarpo' é uma trilha especialmente composta para a festa literária, que volta a ter show de abertura

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

08 Julho 2017 | 04h00

A escrita combativa de Lima Barreto continua provocando bons frutos - além da conferência da antropóloga e historiadora Lilia Moritz Schwarcz sobre o escritor, a abertura da 15.ª Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip, voltará a ter um show que marca o início dos debates. Assim, no dia 26 de julho, o pianista, arranjador e compositor André Mehmari vai apresentar um trabalho inédito, a Suíte Policarpo, inspirado no mais famoso personagem criado por Barreto.

O recital é composto por quatro movimentos: modinha, valsa, dobrado e maxixe, que, segundo o músico, estão relacionados à obra de Lima Barreto e ao momento histórico em que ele viveu. “As temáticas estão ligadas, sobretudo, a questões de mestiçagem e da identidade do Brasil. Isso tudo em contraste com informações e músicas da Europa”, afirma Mehmari, que também interpretará a obra de Ernesto Nazareth.

O show de abertura tornou-se uma tradição da Flip a partir de sua terceira edição, em 2005, quando a homenageada foi Clarice Lispector e Paulinho da Viola se apresentou logo depois da cerimônia inaugural.

Assim, em 2006, quando o escritor escolhido foi Jorge Amado, houve um show de Maria Bethânia. No ano seguinte, a homenagem musical foi a Nelson Rodrigues. Veio 2008 e, além de lembrar Machado de Assis, a Flip contou com um show de Luiz Melodia, com participação do músico paratiense Luís Perequê.

Em 2009, a abertura da Flip contou novamente com dois músicos - dessa vez, Adriana Calcanhotto e Romulo Fróes, no ano dedicado a Manuel Bandeira. A lista aumentou em 2010, com uma belíssima apresentação de Edu Lobo, Renata Rosa, Marcelo Jeneci e o Quarteto de Cordas da Academia da Osesp, que contou com a direção artística de Arthur Nestrovski. Foi a edição dedicada a Gilberto Freyre.

Em 2011, quando o homenageado foi Oswald de Andrade, o show se desdobrou em canção, poesia, música instrumental e teatro. Para isso, foi convidada uma diva, Elza Soares, que se apresentou ao lado de José Miguel Wisnik e Celso Sim. Todos cantaram composições feitas a partir de Mistérios Gozosos, peça comandada por José Celso Martinez Corrêa, do Grupo Oficina, inspirada no livro O Santeiro do Mangue, escrito por Oswald.

A Flip comemorou sua 10.ª edição com uma apresentação dedicada aos ritmos e danças da região, a cargo da Ciranda de Tarituba. Em seguida, Lenine apresentou o show Chão.

Em 2013, a festa literária começou a ecoar os movimentos que já invadiam as ruas, o que influenciou de uma certa forma o show intimista de Gilberto Gil e, novamente, de Luis Perequê. A crise econômica começava a aumentar e, em 2014, aconteceu o último dos shows até então, com Gal Costa apresentando canções do disco Recanto. Em 2015, com um orçamento mais reduzido, a Flip teve como show de abertura música na praça. No ano seguinte, foi apresentado um documentário de Walter Carvalho sobre o poeta Armando Freitas Filho

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