Clayton de Souza/Estadão
Clayton de Souza/Estadão

Amazon vai comprar o estoque remanescente da editora Cosac Naify

Varejista online já vendia com exclusividade os livros da casa, que anunciou seu fechamento de forma repentina em novembro de 2015

Guilherme Sobota, O Estado de S.Paulo

16 Dezembro 2016 | 18h34

A Amazon vai comprar o estoque remanescente da Cosac Naify - cerca de 230 mil exemplares que permanecem no estoque em Barueri serão adquiridos pela varejista, praticamente encerrando o problema que a editora tinha sobre a destinação final dos livros restantes desde que anunciou seu fechamento em novembro de 2015. A negociação foi concluída nesta semana.

Desde o início deste ano, a Amazon tinha exclusividade para adquirir os livros da Cosac e vendê-los em seu site - foram cerca de um milhão de exemplares vendidos em doze meses de 1,2 mil títulos que a editora tinha em catálogo. As informações foram confirmadas pela direção da Cosac Naify e pela Amazon ao Estado.

Agora, restam cerca de 600 títulos no estoque em Barueri. O acordo final já foi selado - nenhuma das empresas fala em cifras totais - e agora está em processo a efetivação da venda e o acerto dos detalhes da operação, o que deve acontecer na próxima semana. A Cosac Naify vai então apurar todas as informações e passar à fase final de encerramento da empresa, que começou no final do ano passado após uma decisão de Charles Cosac. 

Essa próxima fase diz respeito à prestação de contas de direitos autorais do segundo semestre de 2016 e outras obrigações fiscais da empresa, que mantém um escritório no bairro de Santa Cecília com seis funcionários. A diretoria da editora diz estar tranquila e satisfeita com os rumos finais do encerramento do negócio.

Em setembro, a notícia de que a Cosac poderia transformar os livros remanescentes em aparas até o fim de 2016 repercutiu no mercado editorial, com muitos profissionais questionando por que a editora não buscaria outra forma de encaminhar o estoque. Em entrevista à revista Veja no início de dezembro, porém, o próprio Charles Cosac indicou que os livros não seriam picotados.

“Foi uma parceria bastante produtiva durante o ano”, diz o gerente geral para livros físicos da Amazon.com.br, Daniel Mazini. “Desde o início de 2016, vínhamos com a ideia de vender o máximo possível dos livros da Cosac, a demanda continuou sempre grande, e deu tão certo que esse máximo possível virou tudo”, comentou, apontando para as promoções agressivas que a varejista faz com os livros da editora no site.

Entre os livros mais vendidos pela loja desde o início do ano, estão Contos Completos e Guerra e Paz, de Tolstoi, e Os Miseráveis, de Victor Hugo, os três títulos ainda disponíveis. Diferente da prática mais comum no mercado, a Amazon não costuma consignar livros, preferindo a opção de compra, o que nesse caso casou com a necessidade da editora em fase de encerramento.

NÚMEROS

* 1,2 milhão de exemplares estavam no estoque da Cosac Naify em Barueri quando o acordo com a Amazon foi feito em janeiro de 2016, de cerca de 1,2 mil títulos.

* 230 mil livros ainda estão lá e agora serão adquiridos pela varejista na sua totalidade. Restam cerca de 600 títulos, que formam agora o “legado final” da casa.

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