Alemanha cria super-herói contra a Al-Qaeda

Personagem adolescente Andi surgiu em 2004 com a missão de combater o extremismo de direita

MARK TREVELYAN, REUTERS

25 de março de 2008 | 11h44

Enquanto as autoridades européias buscam novas formas de combater o radicalismo islâmico, a xenofobia e o racismo, uma agência de segurança alemã pensou em uma idéia original: histórias em quadrinhos. O personagem adolescente Andi surgiu em 2004 no Estado alemão Renânia do Norte-Vestfália, com a missão de combater o extremismo de direita. Em outubro, ele apareceu em uma nova aventura, ao lado de sua namorada muçulmana, Ayshe, e do irmão dela, Murat, que cai na conversa de um amigo radical e de um "pregador do ódio". Os 100 mil exemplares da história, distribuída em todas as escolas secundárias do mais populoso Estado alemão, pretendem mostrar aos jovens a diferença entre o Islã tradicional e pacífico e a versão intolerante e violenta difundida por militantes. "Sempre tivemos o cuidado de não ferir sentimentos e irritar as pessoas pintando uma caricatura do Islã", disse Hartwig Moeller, chefe do Departamento de Proteção à Constituição da secretaria estadual do Interior, responsável pela publicação. "Tínhamos de deixar claro que nosso alvo não eram os muçulmanos, e sim as pessoas que querem usar o Islã para seus fins políticos", disse Moeller. Os personagens, desenhados no estilo mangá, podem ser usados em aulas sobre cidadania e religião para alunos de 12 a 16 anos. "Aprendemos com nossos oponentes. É exatamente nessa idade que os islamitas estão tentando, por meio de escolas corânicas e outros meios, encher os jovens com outros valores", afirmou Moeller. Muitos especialistas atualmente recomendam neutralizar a "narrativa" da Al-Qaeda - a mensagem de que o Ocidente trava uma guerra contra o Islã em países como Iraque e Afeganistão, e que os jovens muçulmanos precisam reagir, mesmo que tenham de se sacrificar como "mártires". Na opinião dos especialistas, para muitos jovens a Al-Qaeda oferece uma sensação de identidade, pertencimento e justiça - sem falar no caráter de "aventura" da empreitada. A questão é como competir com esses atrativos. Polícias e governos da Europa Ocidental criaram estratégias para dialogar com as comunidades islâmicas, mas há quem defenda abordagens mais incisivas. Numa conferência neste mês em Estocolmo, o especialista sueco em terrorismo Magnus Ranstorp citou o exemplo do roqueiro indonésio Ahmad Dhani, que desafiou a militância islâmica com um álbum tremendamente popular, chamado "Guerreiros do Amor". "Não estou sugerindo que precisamos de uma jihad musical contra o extremismo na Europa, ou que empreguemos a MTV em nossos esforços", disse Ranstorp. "(Mas) como trazer nossas indústrias de humor, novelas e relações públicas para esses esforços para desarmar as mensagens dos extremistas e influenciar os jovens?"

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