JF DIORIO / ESTADÃO
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Idealizadora da jornada de Passo Fundo é afastada do projeto

Tania Rösing anunciou suspensão da edição 2015 por falta de recurso e houve grande mobilização para manter evento

Maria Fernanda Rodrigues, O Estado de S. Paulo

02 de junho de 2015 | 05h00

Idealizadora e coordenadora da Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo, Tania Rösing foi afastada, pela Universidade de Passo Fundo, do projeto que criou em 1981 e que tanto ajudou na formação de milhares de leitores. Ela, que continua como professora na instituição, falou sobre sua saída no domingo, 31, em carta enviada a escritores, amigos, parceiros e imprensa, e ao Estado na segunda.

Tania anunciou há poucos dias o cancelamento do evento por falta de patrocínio em respeito, ela disse, aos escritores e pesquisadores que tinham se comprometido em participar. Como não havia mais tempo de tentar captar recursos, era melhor avisar a todos.

Esse anúncio, antecipado pelo Estado em 20 de maio, não foi bem visto pela reitoria da universidade, que, em coletiva de imprensa no mesmo dia, disse que não tinha planos de suspender o evento naquele momento e, já que a coordenadora tinha se antecipado, então a jornada estava cancelada. “Sempre fui muito séria e objetiva e não ia deixar parceiros, editoras, autores e pesquisadores sem saber que não ia ter jornada”, afirmou Tania.

Na quinta-feira, 28 ao voltar de viagem, ela se reuniu com a reitoria da universidade, que promove o evento, e ouviu que ela não era mais a “referência” do projeto. 

A nota oficial, enviada à imprensa no fim da manhã, é discreta: “A Universidade de Passo Fundo reitera, conforme anunciado no dia 20 de maio, o cancelamento da 16.ª edição da Jornada Nacional de Literatura de 2015. Reafirma, também, que desenvolve plano estratégico para a próxima edição. Diante desse contexto, e da conjuntura atual, ficou evidenciada a necessidade de reestruturação de seu formato, o que, por conseguinte, demandou a promoção de alterações inclusive na coordenação-geral dos trabalhos”.

Tania pode continuar no grupo que vai organizar a próxima edição. “Se for chamada a contribuir, vou contribuir.” Para ela, no entanto, esta futura edição é um ponto de interrogação. “O que penso sobre a jornada foi revelado até o formato de 2013, quando atingimos essa dimensão democrática. Tivemos a coragem de fazer alguma coisa diferente numa cidade longe e tudo ficou grandioso demais. Agora, vão seguir outro caminho e é preciso não perder as conquistas de três décadas.”

Nas últimas semanas, escritores se mobilizaram em apoio à jornada, criando uma petição online e um financiamento coletivo para tentar viabilizar a edição deste ano. O nível de reconhecimento externo atingido pelo projeto, no entanto, não é o mesmo que ele conquistou internamente.

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