Photo by Justin TALLIS / AFP
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Acusada de transfobia, J.K. Rowling devolve prêmio

Criadora da saga 'Harry Potter' anunciou que devolverá um prêmio recebido nos Estados Unidos pela família Kennedy depois que um de seus membros criticou suas opiniões sobre pessoas transgênero

Agências, AFP

28 de agosto de 2020 | 14h26

LONDRES - A escritora britânica J.K. Rowling, criadora da saga Harry Potter, anunciou nesta sexta-feira, 28, que devolverá um prêmio recebido nos Estados Unidos pela família Kennedy, depois que um de seus membros criticou suas opiniões sobre pessoas transgênero. 



No último ano, a organização Robert F. Kennedy Human Rights (RFKHR) premiou a famosa autora do romance jovem adulto com o Prêmio Ripple of Hope. Mas a presidente, Kerry Kennedy, recentemente declarou que as opiniões de Rowling sobre as pessoas transgênero "subestimam a identidade" dessas pessoas.

"Essas declarações dão a entender incorretamente que eu sou transfóbica", disse a romancista britânica em um comunicado postado em seu site.

"Como doadora de longa data a grupos LGBT e defensora do direito das pessoas trans de viverem livres de perseguição, rejeito categoricamente a acusação de que odeio as pessoas trans ou lhes desejo mal", acrescentou.

A escritora garantiu que, devido à "grande divergência de opiniões" entre ela e o RFKHR, "não teve escolha" senão devolver o prêmio.

Em junho, Rowling foi acusada de fazer comentários considerados transfóbicos em um tuíte.

Ela tuitou um artigo falando sobre "pessoas que têm menstruação" e comentou ironicamente que elas devem ser chamadas de mulheres, causando uma série de críticas nas redes sociais.

O ator britânico Daniel Radcliffe, que interpretou o jovem bruxo Harry Potter no cinema, juntou-se às críticas: "Mulheres trans são mulheres. Qualquer declaração em contrário apaga a identidade e dignidade das pessoas trans", escreveu. 

A autora afirma ter recebido "milhares de e-mails de apoio de pessoas preocupadas com essas questões, tanto dentro quanto fora da comunidade trans, muitas das quais se sentem vulneráveis e preocupadas com a toxicidade dessas discussões".

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