Academia Sueca indica novo membro após escândalo que adiou entrega de Nobel de Literatura

Medida tem como objetivo recuperar a posição de destaque da organização depois que escândalo sexual forçou a organização a adiar a entrega do prêmio deste ano

Reuters

19 Outubro 2018 | 18h30

ESTOCOLMO -  A Academia Sueca, organização que concede o prêmio Nobel de Literatura, selecionou um especialista em linguagens nórdicas antigas como novo membro nesta sexta-feira, 19, em um passo para recuperar sua posição depois que um escândalo sexual forçou a organização a adiar a entrega do prêmio deste ano.

Mats Malm, professor de literatura da Universidade de Gotemburgo, é o terceiro novo integrante indicado este mês para a organização de 18 membros, preenchendo todos os assentos vagos, incluindo dois disponibilizados por membros que deixaram a Academia após o escândalo.

A Academia Sueca, fundada há 232 anos pelo rei da Suécia para proteger o idioma do país, tem escolhido o vencedor do Nobel de Literatura desde 1901. Outras organizações suecas selecionam os vencedores de outras categorias e um comitê da Noruega concede o Nobel da Paz.

A entrega do prêmio de literatura deste ano foi adiada depois que o fotógrafo franco-sueco Jean-Claude Arnault, que administrava uma fundação cultural que recebia fundos da Academia, foi acusado de estupro.

Arnault, que é casado com uma integrante da organização e que teve relações pessoais e profissionais com diversos outros membros, foi condenado este mês a dois anos de prisão por estupro. O fotógrafo também foi acusado de vazar nomes de vencedores do Nobel de Literatura e a Academia Sueca está investigando seu relacionamento financeiro com ele.

Arnault nega qualquer irregularidade e está recorrendo à condenação por estupro.

Além dos dois integrantes que deixaram a academia devido ao caso, quatro outros, incluindo a mulher de Arnault, Katarina Frostenson, suspenderam sua participação.

O chefe da Fundação Nobel, que concede os prêmios mas não escolhe os vencedores, disse que a Academia Sueca pode perder seu papel na entrega do prêmio de literatura se não recuperar sua legitimidade após o escândalo.

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