TT News Agency/Stina Stjernkvist via Reuters
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Academia Sueca cogita não dar Prêmio Nobel de Literatura em 2018

O presidente da Fundação Nobel, Carl-Henrik Heldin, disse isso à emissora de televisão pública SVT - e não seria a primeira vez que um Nobel não é concedido

EFE

25 Abril 2018 | 18h31

A Academia Sueca pode não conceder o Nobel de Literatura neste ano devido ao escândalo de vazamentos e supostos abusos sexuais que criou uma crise na instituição com a saída de cinco membros, confirmou o presidente da Fundação Nobel, Carl-Henrik Heldin, à emissora de televisão pública SVT.

Várias pessoas do Comitê do Nobel de Literatura e a Academia Sueca consideram que o prêmio não deveria ser concedido neste ano e que isso serviria para recuperar a confiança e reparar as feridas, informou a emissora pública SR, que citou fontes não identificadas da instituição.

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Deste modo, seriam outorgados dois prêmios de Literatura em 2019, um correspondente ao ano anterior, segundo uma ideia apoiada por Peter Englund, um dos membros que deixou a academia.

"Estamos em meio a uma discussão, não vou dizer nada, mas daqui a pouco se esclarecerá o que acontece com esse ponto [a escolha do ganhador deste ano]", declarou à emissora o secretário da Academia Sueca, Anders Olsson.

Já um dos membros da academia, Per Wästberg, disse à SVT que antes de duas semanas não se poderá dar uma resposta definitiva sobre o assunto.

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Por outro lado, o diretor da instituição, Göran Malmqvist, desmentiu o site do jornal "Dagens Nyheter" que o prêmio não será concedido, embora tenha admitido que houve uma proposta, mas a deu por descartada e considerou que seria "horrível" se acontecesse.

No entanto, a decisão sobre o prêmio deverá ser tomada por todos os membros da academia, na qual o cargo principal é desempenhado pelo secretário permanente.

O Nobel de Literatura já deixou de ser concedido em várias ocasiões, da mesma forma que os outros, durante as guerras mundiais do século passado, mas nunca por outros motivos.

O escândalo explodiu em novembro, quando Dagens Nyheter publicou a denúncia anônima de 18 mulheres por abusos e humilhações sexuais contra o dramaturgo Jean-Claude Arnault, muito vinculado à Academia através do seu clube literário e marido de uma de seus membros, Katarina Frostenson.

A Academia cortou relações com Arnault e determinou uma auditoria sobre suas relações com a instituição, mas desacordos internos nas medidas a tomar provocaram renúncias, acusações e demissões, entre outros, da secretária permanente, Sara Danius, e de Frostenson.

A Academia Sueca decidiu na quinta-feira passada publicá-la e entregá-la às autoridades, além de anunciar reformas.

O relatório descarta que Arnault tenha influenciado em decisões sobre prêmios e ajudas, embora o apoio econômico recebido descumpra as regras de imparcialidade por sua esposa ser coproprietária da sociedade que controla o clube; e confirma que a confidencialidade sobre o ganhador do Nobel foi violada em várias ocasiões.

Entre as mudanças no funcionamento da instituição está a reforma dos estatutos proposta pelo rei Carlos XVI Gustavo, protetor da academia, para permitir a renúncia real dos seus membros, por desejo próprio ou após dois anos sem participar ativamente, e a possibilidade de que sejam substituídos.

As renúncias são simbólicas e só se traduzem em não participar de votações e atividades, já que a filiação à instituição é vitalícia e só se elegem novos membros quando morre algum deles.

As últimas saídas deixaram a academia com apenas 11 dos 18 assentos ocupados, um a menos que os necessários para escolher novos membros e tomar decisões, como as relativas ao Nobel.

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