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Romancista tanzaniano Abdulrazak Gurnah foi laureado com o Nobel de Literatura em 2021 Foto: PalFest/Creative Commons

Abdulrazak Gurnah ganha o Nobel de Literatura 2021

Para o Nobel, o escritor premiado em 2021 é um dos autores pós-coloniais mais proeminentes do mundo; veja quem é Abdulrazak Gurnah

Maria Fernanda Rodrigues, O Estado de S. Paulo

07 de outubro de 2021 | 08h05
Atualizado 07 de outubro de 2021 | 17h20

Com uma obra que aborda temas como identidade e deslocamento e o legado do colonialismo sobretudo na vida de pessoas desenraizadas, Abdulrazak Gurnah, ele mesmo um refugiado que nasceu na Tanzânia, em 1948, e buscou asilo na Inglaterra ainda na juventude por perseguição religiosa, ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 2021. O anúncio foi feito pela Academia Sueca no início da manhã desta quinta, 7, e pegou o autor de surpresa, na cozinha de sua casa em Brighton – ele até achou que aquela ligação que recebeu minutos antes do anúncio oficial era trote

Inédito no Brasil, Gurnah, 73, professor recém-aposentado de Inglês e de Literatura Pós-colonial na Universidade de Kent e autor de romances e contos, não estava entre os cotados. Na lista, que às vezes se repete ano após ano, figuravam autores como o queniano Ngugi wa Thiong’o, o moçambicano Mia Couto, o japonês Haruki Murakami, a russa Ludmila Ulitskaya, o francês Michel Houellebecq, as canadenses Anne Carson e Margaret Atwood e as americanas Joyce Carol Oates e Joan Didion. Portugal esperava seu segundo Nobel – desta vez, para António Lobo Antunes. O primeiro foi para José Saramago. E o Brasil, que não tem nenhum escritor entre os premiados, viu circular nas redes sociais, nas últimas semanas, que ele seria destinado a um escritor antibolsonarista.

O Nobel foi dado a Abdulrazak Gurnah, conforme dito no anúncio, por seu “irredutível e compassivo entendimento dos efeitos do colonialismo e o destino dos refugiados no abismo entre culturas e continentes”. 

Presidente do Comitê do Nobel de Literatura, Anders Olsson se referiu ao tanzaniano como um dos escritores pós-coloniais mais proeminentes do mundo. “Seus personagens se encontram no abismo entre culturas, entre a vida deixada para trás e a vida por vir, confrontando o racismo e o preconceito, mas também se obrigando a silenciar a verdade ou reinventar uma biografia para evitar o conflito com a realidade”, disse. 

Paradise é sua obra mais famosa. Finalista do Booker Prize em 1994, o romance conta uma história de formação – do amadurecimento de um garoto tendo como pano de fundo uma África cada vez mais corrompida pelo colonialismo e pela violência durante a Primeira Guerra.

Gurnah, cujo idioma original é o suaíli, escreve seus livros em inglês e já lançou, até agora, 10 romances. A estreia foi com Memory of Departure, em 1987. Na sequência, vieram Pilgrims Way (1988) e Dottie (1990). Essas três primeiras obras retratam a experiência do imigrante no Reino Unido sob diferentes perspectivas. Depois de Paradise, seu quarto livro, vieram Admiring Silence (1996), By the Sea (2001), Desertion (2005), The Last Gift (2011) e Gravel Heart (2017; veja abaixo um vídeo sobre a obra), além My Mother Lived on a Farm in Africa, coletânea de contos publicada em 2006.

Seu romance mais recente, publicado em setembro de 2020 no Reino Unido, é Afterlives. Ele conta a história de um menino, Ilyas, que foi roubado de sua família por tropas coloniais alemãs. Depois de alguns anos, ao lutar em uma guerra contra seu próprio povo, ele volta para a sua vila. Nesse mesmo momento, outro jovem, que não foi roubado para ajudar na guerra, mas, sim, vendido durante o conflito, também retorna. O destino se encarregará de promover o encontro entre os dois. 

Desde a criação do Nobel, há 120 anos, já foram premiados 118 autores – dos quais apenas 16 mulheres. A poeta americana Louise Glüke venceu em 2020. E Gurnah é apenas o quarto autor negro e o sexto de origem africana a ganhar a mais importante premiação literária do mundo.

Nobel de 1986, o nigeriano Wole Soyinka, disse à AP que o prêmio dado ao tanzaniano é a prova de que “as artes, e a literatura em particular, vão bem e estão prosperando, uma bandeira resistente hasteada acima de realidades deprimentes” em “um continente em permanente sofrimento”. “Que a tribo aumente!”, concluiu. 

Abdulrazak Gurnah falou com a imprensa internacional e posou para fotos após o anúncio do prêmio. Também à AP, ele disse os que temas da imigração e do deslocamento que ele explora “são questões que estão conosco o tempo todo”, e muito mais agora do que quando ele chegou ao Reino Unido no final dos anos 1960. 

“As pessoas estão morrendo, estão sendo feridas ao redor do mundo. Devemos lidar com essas questões de uma forma muito mais gentil”, afirmou. “Ainda estou assimilando que a Academia escolheu destacar esses temas que estão presentes em toda a minha obra. É importante abordar essas questões e falar sobre elas”, comentou o autor nascido em Zanzibar, que precisou deixar a ilha no Oceano Índico em 1968, fugindo de um governo repressivo que perseguia a comunidade muçulmana da qual o então garoto fazia parte.

Chegando à Inglaterra, ele começou a escrever como uma forma de explorar tanto a perda quanto a liberdade de sua experiência como emigrante, disse ainda. 

Mais cedo, um repórter do site do Prêmio Nobel disse ao escritor que os cientistas premiados tendem a descrever o trabalho deles como uma brincadeira, como uma coisa que fazem pela alegria de poder explorar algo, e questionou se ele também se sentia assim. “Bem, sinto alegria quando eu termino! (risos). Mas, sim, muito disso é, obviamente, compulsivo, atraente e algo que os escritores continuam a fazer por décadas – e você não pode fazer isso se você odeia. É o prazer de fazer coisas, criar, acertar, mas também o prazer de transmitir, de dar prazer, apresentar um caso, persuadir, todos esses tipos de coisas”, respondeu o escritor, que ganhou US$ 1,1 milhão.

Prêmio Nobel de Literatura

Quem ganhou o Nobel de Literatura em 2020 foi a poeta americana Louise Glück. Dela, a Companhia das Letras publicou, depois do prêmio, Poemas: 2006-2014. No ano anterior, quem ganhou foi o austríaco Peter Handke, mais conhecido do leitor brasileiro, que encontra suas obras no catálogo da Estação Liberdade. E a polonesa Olga Tokarczuk, que já tinha tido um livro publicado no País, Vagantes, anos atrás, voltou às livrarias após ganhar o Nobel de Literatura em 2018. A nova fase foi marcada pelo lançamento de Sobre os Ossos dos Mortos, entre outros títulos pela Todavia (leia a entrevista de Olga Tokarczuk concedida ao Estadão em 2020). 

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Escritor Abdulrazak Gurnah achou que ligação do Nobel era trote

Abdulrazak Gurnah fala pela primeira vez depois de ganhar o Nobel de Literatura 2021 e diz que avareza da Europa atrapalha na crise dos refugiados

Maria Fernanda Rodrigues, O Estado de S. Paulo

07 de outubro de 2021 | 12h37

Abdulrazak Gurnah recebeu uma ligação cerca de 15 minutos antes de a Academia Sueca anunciar publicamente que ele era o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, nesta quinta-feira, 7, e achou que era trote. Nascido na Tanzânia, em 1948, e refugiado no Reino Unido desde 1968, onde fez carreira como professor de literatura de inglês e literatura pós-colonial, o autor de 10 romances, inéditos no Brasil, deu sua primeira entrevista enquanto assistia ao anúncio oficial.

Ele falou ao repórter Adam Smith, do site da premiação, ainda sob o impacto da notícia.

Confira trechos da conversa.

Como o senhor recebeu a notícia?

Eu achei que estavam pregando uma peça. Eu realmente pensei. Sabe, essas coisas geralmente ficam rondando por semanas antes, ou às vezes meses antes: quem são os concorrentes. Então, não estava no meu radar. Eu só pensava: quem será que vai ganhar dessa vez? Pedi para a pessoa me contar mais, e ele falava calmamente. Creio que no fim eu ainda estava pensando ‘vou esperar até que eu veja ou ouça’.

O anúncio mencionava a maneira como o senhor lida com o ‘destino dos refugiados’ e o ‘abismo entre culturas e continentes’. Obviamente, é um momento particular agora - estamos no meio de uma crise de refugiados. O senhor pode dizer como vê as divisões entre as culturas? Existem muitas maneiras de caracterizar as coisas.

Eu não vejo que essas divisões sejam permanentes ou de alguma forma intransponíveis, ou algo assim. As pessoas, é claro, estão se movendo em todo o mundo. Eu acho que esse fenômeno particular de pessoas da África vindo para a Europa é relativamente novo, mas é claro que o outro, de europeus fluindo para o mundo, não é nada novo. Vemos isso há séculos. Acho que a razão pela qual é tão difícil para a Europa, para muitas pessoas na Europa e para os estados europeus chegarem a um acordo sobre isso é, para encurtar a história, talvez uma espécie de avareza, como se não houvesse o suficiente para todos. Muitas dessas pessoas vêm por primeira necessidade, e, francamente, elas têm algo a dar. Não chegam de mãos vazias. Muitos são pessoas talentosas e com energia, e que têm algo a oferecer. Então, essa pode ser outra maneira de pensar sobre isso. Não estamos apenas recebendo as pessoas como se elas fossem pobres e insignificantes. Pense nisso como se estivéssemos socorrendo pessoas que estão precisando de ajuda, mas que também são pessoas que podem contribuir com algo.

Os cientistas tendem a descrever o trabalho deles como uma brincadeira, apenas como a alegria de explorar. É assim que você se sente quando escreve?

Bem, sinto alegria quando eu termino! (risos). Mas, sim, muito disso é, obviamente, compulsivo, atraente e algo que os escritores continuam a fazer por décadas - e você não pode fazer isso se você odeia. É o prazer de fazer coisas, criar, acertar, mas também o prazer de transmitir, de dar prazer, apresentar um caso, persuadir, todos esses tipos de coisas.

Ouça a íntegra da entrevista de Abdulrazak Gurnah

 

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Abdulrazak Gurnah, um autor acidental que se tornou a voz dos deslocados

O mais novo Prêmio Nobel aborda questões como identidade e deslocamento e o legado do colonialismo e da escravidão em sua literatura

Redação, AFP

07 de outubro de 2021 | 11h02

Abdulrazak Gurnah, escritor de origem tanzaniana vencedor do Nobel de Literatura 2021 nesta quinta, 7, é um profundo observador dos efeitos do colonialismo e da imigração durante uma carreira de décadas aclamada pela crítica.

"Quero apenas escrever com a maior veracidade possível e tentar dizer 'algo nobre'", explicou o vencedor do Nobel em uma entrevista concedida na Alemanha em 2016 o autor nascido em Zanzibar em 1948, que começou a escrever após sua mudança para o Reino Unido no fim dos anos 1960. 

"Foi nos primeiros anos morando na Inglaterra, quando tinha 21 anos, que comecei a escrever", explicou em uma entrevista ao jornal The Guardian.  

"Comecei a escrever casualmente, com uma certa angústia, sem um plano em mente, mas com pressa e vontade de dizer algo mais", explicou. "Em grande medida, teve relação com a sensação esmagadora de estranheza e diferença que senti ali", recordou, a respeito de seus primeiros anos de emigração.

Passaram quase 20 anos até a publicação de seu primeiro romance, Memory of Departure, em 1987. Em seguida vieram Pilgrims Way um ano depois e Dottie em 1990. 

Os três livros falam sobre as experiências dos imigrantes no Reino Unido daquela época.

A aclamação por parte da crítica veio com seu quarto romance, Paradise (1994), ambientado no leste da África colonial durante a Primeira Guerra Mundial e que foi finalista do prestigioso Booker Prize britânico.  

Sua obra de 1996 Admiring Silence narra a história de um jovem que retorna a Zanzibar 20 anos depois da mudança para a Inglaterra, onde se casou com uma britânica e trabalhou como professor.

As obras de Gurnah são "dominadas pelas questões de identidade e deslocamento, e como estas são moldadas pelos legados do colonialismo e da escravidão", escreveu sobre ele o acadêmico Luca Prono no site do British Council, organismo público que promove a cultura britânica.

"Todos os relatos de Gurnah se baseiam no impacto que emigrar para um novo contexto geográfico e social tem na identidade de seus personagens", destacou.

"As questões que apresento não são novas", reconheceu o escritor ao jornal The Guardian ao comentar seu trabalho. "Mas se não são novas, são fortemente influenciadas pelo particular, pelo imperialismo, pelo deslocamento, pelas realidades do nosso tempo", considerou.

"E uma das realidades do nosso tempo é o deslocamento de tantos estrangeiros para a Europa", completou. 

Assim, em 2002, com By the Sea, Gurnah voltou a abordar o tema com a história de Saleh Omar, um demandante de asilo que acaba de chegar ao Reino Unido. 

Suas últimas obras incluem Desertion, de 2005, pré-selecionado para o prêmio de escritores da Commonwealth de 2006, e The Last Gift (2011), que a revista Publishers Weekly descreveu como um "romance inquietante, com uma trama sólida, com reflexões poderosas sobre a mortalidade, o peso da memória e a luta para estabelecer uma identidade pós-colonial". 

O romance mais recente de Gurnah, Afterlives, foi lançado no ano passado e conta a história de um menino que foi vendido às tropas coloniais alemãs. 

O escritor se aposentou recentemente como professor de Literatura Inglesa e Pós-Colonial na Universidade de Kent e vive em Brighton, sul da Inglaterra.

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Conheça os escritores que já ganharam o Prêmio Nobel de Literatura

Veja a lista dos vencedores do Nobel de Literatura de 2001 até 2021

Redação, O Estado de S. Paulo

07 de outubro de 2021 | 06h00

O vencedor do prêmio Nobel de Literatura 2021 será anunciado na quinta-feira, 7, em Estocolmo, na Suécia, e poderá privilegiar um autor fora do tradicional mercado literário.

Com exceção do vencedor britânico de 2017, Kazuo Ishiguro, que nasceu no Japão, todos os laureados dos últimos nove anos foram europeus ou norte-americanos, de Bob Dylan a Peter Handke ou a condecorada poeta americana Louise Glück, que ganhou o Nobel de Literatura em 2020.

A seguir, relembre vencedores do Nobel de Literatura desde 2001, com nomes como Svetlana Aleksiévitch e Mario Vargas Llosa.

Conheça os mais recentes vencedores do Prêmio Nobel de Literatura

  • Abulrazak Gurnah (2021)

O tanzaniano Abulrazak Gurnah cresceu na ilha de Zanzibar, mas se refugiou na Inglaterra no final dos anos 1960. É autor de Paradise (1994), entre outros nove romances inéditos no Brasil. Para a Academia, recebeu o prêmio “por sua penetração intransigente e compassiva dos efeitos do colonialismo e do destino do refugiado no abismo entre culturas e continentes”.

  • Louise Glück (2020)

A norte-americana Louise Glück recebeu o Nobel de Literatura "por sua inconfundível voz poética que, com austera beleza, torna universal a existência individual". É conhecida por sua poesia com expressões francas de tristeza e isolamento e de forte caráter social.

  • Peter Handke (2019)

O austríaco Peter Handke recebeu o Nobel de Literatura em 2019 "por um trabalho influente que, com engenhosidade linguística, explorou a periferia e a especificidade da experiência humana". Prolífico, com mais de uma centena de livros publicados, criou controvérsia ao receber o Nobel, por conta de seu posicionamento anti-OTAN e a favor da Sérvia, negando o massacre de muçulmanos bósnios e causando desconforto na comunidade literária.

  • Olga Tokarczuk (2018)

A polonesa Olga Tokarczuk foi laureada com o Nobel de Literatura “por uma imaginação narrativa que, com paixão enciclopédica, representa o cruzamento de fronteiras como uma forma de vida”. É autora de livros como Sobre os Ossos dos Mortos e Os Vagantes.

  • Kazuo Ishiguro (2017)

Em 2017, foi a vez de Kazuo Ishiguro, “que, em romances de grande força emocional, descobriu o abismo sob nosso ilusório senso de conexão com o mundo”. Misturando drama com ficção científica, é autor de livros marcantes como O Gigante Enterrado, Quando Éramos Órfãos, Um Artista do Mundo Flutuante, Os Vestígios do Dia e O Inconsolável.

  • Bob Dylan (2016)

Em 2016, surpresa no Nobel de Literatura com a premiação do cantor, compositor, escritor, ator, pintor e artista visual norte-americano Bob Dylan — “por ter criado novos modos de expressão poética no quadro da tradição da música americana”, de acordo com a Academia Sueca. É o primeiro e único artista na história a ganhar, além do Prêmio Nobel, o Pulitzer, o Oscar, o Grammy e o Globo de Ouro. Como escritor, publicou o livro Tarântula.

  • Svetlana Aleksiévitch (2015)

Por conta de “seus escritos polifônicos, um monumento ao sofrimento e à coragem em nosso tempo”, a escritora e jornalista bielorrussa Svetlana Alexijevich faz uma crônica pessoal da história de mulheres e homens soviéticos e pós-soviéticos com obras potentes como A Guerra não Tem Rosto de Mulher e Vozes de Tchernóbil: Crônica do Futuro.

  • Patrick Modiano (2014)

O francês Patrick Modiano foi agraciado com o Nobel “pela arte da memória com a qual ele evocou os destinos humanos mais inatingíveis e descobriu a vida do mundo da ocupação [alemã]”. Suas obras falam muito sobre a Segunda Guerra Mundial e a ocupação da França pela Alemanha nazista, com títulos como Na Rua das Lojas Escuras e Dora Bruder.

  • Alice Munro (2013)

A canadense Alice Munro, classificada pela Academia Sueca como “mestra do conto contemporâneo”, é considerada uma das principais escritoras da atualidade em língua inglesa. Dentre seus livros, destacam-se obras como Vidas de Meninas e Mulheres, As Luas de Júpiter, A Vista de Castle Rock e Ódio, Amizade, Namoro, Amor, Casamento.

  • Mo Yan (2012)

Autor de livros como Peito Grande, Ancas Largas e Mudança, o chinês Mo Yan — muitas vezes comparado com o estilo de Gabriel García Márquez — foi reconhecido por conta de seu “realismo alucinatório [que] funde contos populares, história e contemporaneidade”. 

  • Tomas Tranströmer (2011)

Poeta sueco mais traduzido e com enorme influência na Suécia, Tomas Tranströmer foi reconhecido pelo Nobel de Literatura pouco antes de sua morte, em 2015. Foi premiado já “que, pelas suas condensadas e translúcidas imagens, nos dá um novo acesso à realidade”. 

  • Mario Vargas Llosa (2010)

Escritor, político, jornalista, ensaísta e professor universitário peruano, Mario Vargas Llosa já era considerado um dos mais importantes escritores da América Latina antes mesmo de receber o Nobel em 2010. Autor de livros como A Guerra do Fim do Mundo e Travessuras da Menina Má, recebeu o prêmio máximo da literatura "por sua cartografia das estruturas de poder e de imagens, e sua mordaz resistência, revolta e derrota do indivíduo".

  • Herta Müller (2009)

Autora e tradutora alemã nascida na Romênia, Herta Müller levou o Nobel já “que, com a densidade da sua poesia e franqueza da prosa, retrata o universo dos desapossados”. Destacam-se, em sua obra, livros como Depressões, O Compromisso e Fera d'alma.

  • Le Clézio (2008)

Autor franco-mauriciano, J. M. G. Le Clézio publicou cerca de quarenta livros, incluindo contos, romances e ensaios, com títulos como História do Pé, Refrão da Fome, O Africano e O Deserto.  Para a Academia Sueca, ele é um "autor de novas partidas, aventura poética e êxtase sensual, explorador da humanidade além e sob a civilização regente".

  • Doris Lessing (2007)

Mais um britânico para a lista. Desta vez, a escritora Doris Lessing. Morta em 2013, foi premiada por “com ceticismo, ardor e poder visionário, sujeitou uma civilização dividida ao escrutínio". Suas obras passam pelo exame das tensões inter-raciais, a política racial, a violência contra as crianças, os movimentos feministas e a exploração do espaço exterior.

  • Orhan Pamuk (2006)

Orhan Pamuk foi o primeiro escritor turco a ser agraciado com o Nobel de Literatura. Autor de livros como Meu Nome é Vermelho, O Castelo Branco, Outras Cores, A Maleta do Meu Pai e Istambul, Pamuk recebeu o prêmio já “que na busca pela alma melancólica de sua cidade natal, descobriu novos símbolos para o choque e interligação de culturas". 

  • Harold Pinter (2005)

Ator, diretor, poeta, roteirista e dramaturgo. Eram várias as profissões de Harold Pinter, que recebeu o Nobel de Literatura de 2005. Para a Academia, ele, "nas suas peças, descobre o precipício sob o murmúrio do dia-a-dia e força a entrada nos quartos escuros da opressão". Mas, o artista e ativista britânico não foi até a Suécia receber o Nobel.

  • Elfriede Jelinek (2004)

Para a Academia Sueca, a austríaca Elfriede Jelinek recebeu o Nobel de 2004 "por seu fluxo musical de vozes e contra-vozes em novelas e peças que, com extraordinário zelo linguístico, revela o absurdo dos clichés da sociedade e seu poder de subjugo". Apesar das palavras, Jelinek, que tem uma obra dedicada à crítica social, não foi receber o prêmio.

  • J.M. Coetzee (2003)

Nascido na Cidade do Cabo, na África do Sul, J.M. Coetzee foi apenas o quarto africano a receber o Prêmio Nobel de Literatura até 2003. Para a Academia, seu prêmio foi merecido já que “com inumeráveis disfarces retrata o envolvimento surpreendente do forasteiro". Antes do Nobel, recebeu o também celebrado Booker Prize por duas vezes: primeiro por O Cio da Terra: Vida e Tempo de Michael K, em 1983, e depois por Desonra, em 1999.

  • Imre Kertész (2002)

O húngaro Imre Kertész foi premiado por conta de sua “escrita que apoia a frágil experiência do indivíduo contra a bárbara arbitrariedade da história". Morto em 2016, ficou conhecido por Sem Destino, O Fiasco e Kaddish para uma Criança que não Vai Nascer.

  • V.S. Naipaul (2001)

Nascido em Trinidad e Tobago, Vidiadhar Naipaul foi reconhecido pela Academia Sueca em 2001 "por ter unido narrativa perceptiva e escrutínio incorruptível em obras que nos compelem a ver a presença de histórias suprimidas". Misturando romance e ensaio, ficou conhecido por livros como Num País Livre, Uma Casa para o Sr. Biswas e Guerrilheiros.

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