A última vez de Marilyn no divã

Psicanalista Michel Schneider relata relação da estrela com analista acusado de ‘facilitar’ sua morte

Ubiratan Brasil, de O Estado de S.Paulo,

18 Fevereiro 2008 | 20h21

Na madrugada de 4 para 5 de agosto de 1962, o telefone soou na casa do psicanalista Ralph Greenson, em Los Angeles. Um fato até corriqueiro, uma vez que ele era o médico das estrelas, tratando de artistas como Peter Lorre, Vivien Leigh, Tony Curtis, Frank Sinatra, Vincente Minnelli e Marilyn Monroe, que era o assunto da ligação daquela noite. Greenson recebeu um pedido alarmante de uma empregada da casa de Marilyn, preocupada por ela não atender a seu chamado.   Exposição Marylin Monroe - O Mito    Vedete do inconsciente freudiano ‘made in Hollywood’, Greenson, um homem magro, elegante, que falava sempre com gravidade e sabedoria, fora uma das últimas pessoas a ver a atriz viva e, ao chegar à sua mansão, quebrar um vidro e entrar pela janela, foi o primeiro a encontrá-la morta. Em poucos dias, a fama de Greenson foi por água abaixo - de psicanalista das estrelas, foi considerado indiretamente culpado pela morte de Marilyn, seja ministrando remédios fortes demais, seja levando-a a um estado de espírito propício para a morte.   A complicada relação entre médico e paciente envolvendo nomes glamourosos do cinema fascinou o psicanalista e crítico literário francês Michel Schneider que, depois de muitas pesquisas, escreveu Marilyn - Últimas Sessões, que a editora Alfaguara lança neste início de semana (tradução de Vera Lúcia dos Reis, 432 páginas, R$ 54). "Trata-se de uma história ao mesmo tempo banal e excepcional", comenta Schneider, que preencheu com ficção as lacunas ainda existentes na investigação da morte da atriz.   Schneider, assim como seus personagens principais, não acredita na hipótese única de suicídio. Em seu livro, ele mostra como Greenson, ao descobrir o corpo desfalecido da atriz, chama primeiro o médico Hyman Engelberg, que também tratava de Marilyn, receitando-lhe, muitas vezes, calmantes. A polícia só é avisada pouco antes do amanhecer, quando Engelberg telefona para o delegado de plantão da chefatura de Purdue Street, comunicando que Marilyn Monroe havia se suicidado. "Os médicos não acreditavam, de fato, nessa versão mas sabiam que a casa da atriz estava recheada de microfones, daí a prudente decisão de anunciar o suicídio."   Marilyn tivera um caso com John e Robert Kennedy, o que tornou sua existência arriscada.

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