David Hong
O poeta americano Danez Smith  David Hong

'A arte pode acender nossa raiva útil e justa', diz o poeta Danez Smith

Em seus livros, autor trata de temas como raça, gênero e política; ele estará na Flip Virtual 2020, que começa nesta quinta, 3

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2020 | 05h00

Basta ler os poemas que abrem o livro Não Digam Que Estamos Mortos (Bazar do Tempo) para o leitor sentir a força da poesia do americano Danez Smith: “Se caísse neve, cairia preta / por favor, não digam / que estamos mortos, digam que estamos vivos num lugar melhor / dizemos nossos próprios nomes quando rezamos / saímos atrás de balas & voltamos” são algumas estrofes de Verão, Algum Lugar.

Escritor afro-americano, gay, neutro em termos de gênero, HIV positivo e que prefere ser chamado por “eles”, Danez Smith é celebrado como uma das mais inovadoras e contundentes vozes da poesia norte-americana contemporânea. Aos 31 anos, também é um grande performer, o que desde já credencia sua apresentação na Flip Virtual 2020, que começa nesta quinta, 3, como uma das mais originais e esperadas – sua mesa virtual ocorre às 18h do domingo, 6, quando termina o festival.

Smith deixa o leitor/espectador comovido, abalado até, com a força de sua poética. Em Não Digam Que Estamos Mortos, “ele imagina deixar a Terra em busca de um lugar onde os negros possam residir sem complicações. Ele se constrói rapidamente, vira a emoção do avesso, apresenta a despedida como protesto. Smith tem a primeira e a última palavra, e todas as outras”, observa a repórter Kate Kellaway, do jornal britânico The Guardian, em entrevista publicada em 2018.

De fato, o livro (o segundo em sua carreira) publicado em 2017 surpreende por confrontar e repreender os Estados Unidos branco, racista e opressor – o que, por extensão, chega às terras brasileiras, onde a violência contra os negros é uma constante.

“Refletir sobre o corpo negro em performance é muito importante para se entender esse livro de Danez Smith como uma espécie de partitura básica, no sentido de essencial, a partir da qual se abrem múltiplos caminhos no âmbito da cena”, comenta o multiartista Ricardo Aleixo no posfácio do livro. “E não porque seja desprovida de valor quando lida em silêncio. Apenas destaco o fato de que essa poesia parece nos lembrar, a todo tempo, que, por serem organismos vivos, as palavras guardadas nos livros precisam respirar – e aqui é quase óbvia a analogia com a situação das vidas negras em contexto global (e não apenas nos Estados Unidos da tenebrosa ‘Era Trump’), dramaticamente resumida pela frase ‘I can’t breathe’.”

Segundo contou ao Guardian, Smith entrou na poesia por meio do teatro: aos 14 anos, escreveu o primeiro poema em uma aula de atuação. Logo, sua escrita se tornou uma amplificação do que as pessoas experimentam regularmente em uma época em que estímulos externos ultrapassam a capacidade humana de processá-los.

A poesia de Smith é plural, prioriza a comunidade, especialmente a dos marginalizados. “Você não se pode dar ao luxo de ser um indivíduo”, diz ele, ainda na entrevista ao jornal britânico. “Ser negro, homossexual ou pobre – ser um indivíduo sempre significou a morte para nós. Ser uma mulher solitária é perigoso – ensinamos isso às nossas filhas, ensinamos isso aos negros. Nossa libertação vem através da comunidade, organização, coletivização. Individualidade significou morte. Individualidade significou estar abandonado. A individualidade é um privilégio, direito? As únicas pessoas que podem pensar em si mesmas como separadas das outras pessoas que tornaram suas vidas possíveis são os caras brancos heterossexuais.”

Danez Smith respondeu, por e-mail, às seguintes perguntas do Estadão.

Sua poesia trata de temas urgentes e encontra grande ressonância na realidade brasileira, principalmente no que se refere à situação de violência a que está submetida a população negra. Como os poetas podem afetar os movimentos de resistência?

Quando penso na obra de mestres poetas e radicais ferozes, como Amiri Baraka ou June Jordan, sinto em seu mundo o que parece ser uma intenção tanto de arquivar quanto de energizar os movimentos de suas vidas, com poemas cheios de resistência e de um amor profundo e inabalável por seu povo. Vejo que é nessa tarefa no mínimo digna que podemos oferecer nossas ferramentas como poetas: documentar/testemunhar o mundo e escrevê-lo com energia tanto para desmantelar o que nos oprime quanto para amar e elevar nosso povo. Podemos escrever poemas que rememoram e também podemos escrever poemas que põem o espírito em ação. Outro caminho que podemos seguir é o de Octavia Butler, promovendo mudanças diante do que é possível, do que poderia ser. Penso que seu trabalho e o trabalho de um grande número de escritores pretos de ficção científica/fantasia/surrealismo nos mostram outras maneiras de ser, lutar e viver em outros mundos, nos mostram que talvez possamos reagir de nossas próprias formas. Nossos poemas podem fazer isso. Podem conjurar os mundos que desejamos.

Como a arte pode (ou deveria) se comportar diante de eventos terríveis como o assassinato de George Floyd?

“Pode” parece mais possível do que “deveria”. A noção de “deveria” parece encurralar as centenas de emoções e respostas que uma pessoa pode ter em determinado momento. Não sei o que a arte deve fazer no surgimento de uma obra, mas sei que a arte pode alimentar o espírito, a marcha, a comunidade. Sei que a arte pode nos acalmar, pode acender nossa raiva útil e justa, pode nos devolver a alegria. Todo poeta, todo artista, precisa se perguntar como sua pessoa e seu ofício podem ser úteis para movimentos e povos aos quais se sente ligado. Cada um de nós precisa trazer seu próprio tijolo, e acredito que é a grande força de toda essa possibilidade, de todas essas respostas, de tudo o que a arte “pode” fazer que faz a mudança no mundo da arte.

Você se considera um escritor político? Ou escritores são criaturas inevitavelmente políticas?

Sou um escritor político, sim. Acho que tudo nessa terra é político – cada criatura, cada planta, cada gota d’água –, se você olhar do jeito certo. E este é o jeito que escolhi para ver o mundo.

“Escrevo quando me sinto chamado à linguagem”, você disse certa vez. Com que frequência você tem esse impulso?

Um pouco menos nos dias de hoje, eu já vinha escrevendo mais devagar nos últimos anos, mas desacelerei muito mais durante a pandemia. Mas me sinto chamado à linguagem dos outros (agora na minha mesa estão Khadijah Queen e Douglas Kearney, além de uma pilha de poemas maravilhosos e corajosos de meus alunos) e descobri muitas coisas novas que estão acontecendo e novas maneiras de falar na escrita, mesmo que esteja mais lento.

Falando nisso, que tipo de desafios de escrita você abraça?

Adoro a ideia de abraçar, acalentar, agarrar-me a certos desafios de escrita. Bom... sempre fico perplexo com a possibilidade do surreal, de imagens impossíveis que os poemas tornam possíveis. Sinto que faço a maior parte do meu trabalho mais alegre com um poema quando tento esclarecer na página uma imagem que está na minha mente, quando tento puxar aquela tradução escrita o mais próximo possível não só da visão em minha mente, mas também de algo emocionalmente sólido. Agradeço quando o poema vem como linguagem e meu trabalho é só transcrever e tentar não estragar tudo. Mas, quando o que surge primeiro é a imagem, preciso encontrar a linguagem correspondente, e isso me faz arrancar os poucos cabelos que tenho, é o meu desafio favorito. A resposta sempre é diferente. Às vezes, o processo de encontrar a linguagem que contenha a imagem leva a algum outro lugar inteiramente novo, mas aí há momentos em que a linguagem deixa a imagem mais clara, mais estranha, ainda mais impossível do que era nos olhos da mente. É uma bênção.

Ferreira Gullar, que foi um grande poeta brasileiro, disse que, para ele, a poesia nasce do espanto.

Acho que Gullar está absolutamente certo. Ninguém jamais olhou para algo indiferente e voltou com um poema. A poesia, para mim, acontece porque o mundo, o amor, a vida, a luz, a lua, a memória, a morte, o sexo, a história, a música, os humanos, os pássaros, os corpos, a crueldade, a ciência, tudo continua a me surpreender, ficando cada vez mais incognoscível quanto mais fundo eu vou. E a única maneira de responder a todo esse desconhecimento profundo, íntimo e desconcertante é, para mim, a poesia.

A literatura é uma opção de vida? Ou é algo inevitável?

Acho que nunca vi meu avô ler um livro de capa a capa e ele disse que viveu uma vida boa. Ele tinha suas histórias, as canções que amava e os programas de TV que o faziam rir. E trabalhou muito e se divertia trabalhando com as mãos no jardim. Não sei, talvez esta fosse a sua literatura. Para alguns de nós, a literatura pode ser a resposta. Para alguns, a única resposta. E para outros, um outro lugar.

O último poema do livro é muito comovente, traz uma imagem apocalíptica de negros parados à beira-mar, interrogando o oceano que engoliu seus ancestrais. A ligação com o título do livro, Não Digam Que Estamos Mortos, está ali com a intenção de honrar o passado?

Bingo! Tatuei nas minhas costas a citação de um filme que eu adorava quando era criança: “Nós não morremos, nós nos multiplicamos”. Não é a coisa mais preta de todos os tempos? Espero que Não Digam Que Estamos Mortos faça algo semelhante, oferecendo aos nossos corpos tantas vezes ameaçados um pequeno pedaço de eternidade, unindo “todos nós” em um “nós” que pode viver para sempre.

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'Racionalidade não nos afasta da animalidade', diz Pilar Quintana

Escritora colombiana é autora de 'A Cachorra' e participa da programação da Flip Virtual 2020

Guilherme Sobota, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2020 | 05h00

O nome de Pilar Quintana – escritora colombiana convidada da Flip Virtual – voltou a circular no cenário internacional quando apareceu na lista de finalistas do National Book Award, um dos prêmios literários mais importantes dos Estados Unidos, na categoria literatura traduzida. Antes disso, ela já havia sido selecionada pelo Hay Festival, no País de Gales, como um dos 39 escritores com até 39 anos de maior relevância da América Latina, em 2007.

Quintana participa de uma mesa virtual nesta sexta-feira, 4, às 20h30, com a escritora Ana Paula Maia – há diversos pontos de contato entre as obras das duas autoras, a começar pela reflexão profunda sobre o efeito da violência nos corpos e suas relações com a animalidade.

A Cachorra, o romance de Quintana deste ano que vai figurar na lista de melhores de 2020, conta a história de Damaris, uma mulher de vida sofrida, frustrada por não ter conseguido engravidar. Ela canaliza a vontade de ser mãe em direção a Chirli, uma cachorra adotada de uma ninhada que apareceu no vilarejo na selva do Pacífico colombiano onde vive com o marido. Esse encontro de certa forma inesperado vai catalisar sentimentos e atitudes dos quais ela própria vai duvidar.

A escritora – esse é seu quarto livro – conta que escreveu o romance enquanto amamentava seu primeiro filho, que nasceu quando ela tinha 40 anos. Os direitos do livro já foram vendidos para 10 países, e sobre o romance Quintana respondeu por e-mail a algumas questões do Estadão.

Qual é a relação entre a sua história pessoal e a história de Damaris, protagonista do livro?

Damaris sou eu quando, aos 40 anos, queria ter um filho e sentia que não o conseguiria porque estava velha e acabada, não ia encontrar um parceiro, ninguém ia se apaixonar por mim, eu não ia me apaixonar por ninguém, meus óvulos eram inúteis... Em geral, nos últimos anos essa percepção mudou um pouco. Vemos que as mulheres podem engravidar depois dos 40 e mais e mais mulheres o fazem. Porém, é algo que a gente tem muito fundo na cabeça, porque desde que viramos os 30 começam a nos dizer que o relógio biológico está correndo e que é melhor nos apressarmos, porque então nossos corpos não servirão mais para nos dar filhos. Ao contrário da Damaris, consegui engravidar muito rapidamente e ter o meu filho, por isso Damaris também são minhas amigas da escola que tinham problemas de fertilidade e não podiam ter filhos naturalmente, que sofreram muito durante o processo. E, ao mesmo tempo, Damaris são as mulheres do Pacífico colombiano que conheci durante os nove anos que lá morei e que tinham vidas muito duras, isoladas do resto do país, com muitas necessidades estruturais e violência.

Como a experiência pessoal da maternidade afetou a maneira como você escreveu o livro?

Um dos meus grandes temas tem sido a animalidade. Gosto de pensar que o ser humano é guiado por seus instintos da mesma forma que os outros animais e que a racionalidade, que é o nosso traço distintivo, não nos afasta de nossa animalidade, mas faz parte dela. O desejo sempre esteve no centro da minha escrita. Antes de ser mãe, escrevia muitas histórias sobre o desejo sexual, porque me parecia que no sexo as pessoas tiravam máscaras e roupas, nos despíamos, de todas as formas, e por isso estávamos no nosso estado mais animal. A maternidade, o desejo avassalador de ser mãe, o fato de ter um filho no ventre, o fato de amamentar, o amor irracional pelo filho, me faziam sentir que ali era onde eu tinha sido mais animal. Isso me mudou como escritora, ampliou meu espectro de visão, por assim dizer.

Apesar dos nove anos que viveu em Buenaventura, você é uma pessoa que nasceu e vive nas grandes cidades da Colômbia. Por que você escolheu o cenário de uma vila à beira-mar como cenário para este livro?

Sempre gostei de romances curtos. Um dos meus favoritos é O Velho e o Mar: um velho em um pequeno barco de frente para o mar. Eu queria fazer minha própria versão de O Velho e o Mar, mas com uma mulher que queria ser mãe e não podia engravidar. Se eu colocasse a história na cidade, teria sido uma história de clínicas de fertilidade, médicos, tratamentos, filas nas entidades horríveis do sistema de saúde colombiano, e eu não queria isso. Eu queria que meu personagem ficasse à mercê dos elementos: a selva e o mar.

A violência desempenha um papel central no livro. Como você compôs a relação entre literatura e violência em sua carreira? Quem foram suas referências a esse respeito?

Na Colômbia temos uma guerra muito antiga e sangrenta. Essa realidade é tão avassaladora que a violência menos sangrenta muitas vezes não tem lugar nas notícias ou em nossa imaginário. Há excelentes escritores colombianos que retratam essa violência da guerra: Juan Gabriel Vásquez, Ricardo Silva Romero e Laura Restrepo, por exemplo. Em meus romances essa grande violência está sempre em segundo plano porque, se você é colombiano, é impossível escapar dela. Mas, como escritor, me interessa nomear as outras violências, as sutis e estruturais, aquelas que ignoramos e que afligem crianças, animais, mulheres, negros... O meu negócio, literário, não são os grandes feitos. Estou mais interessada nas pequenas histórias íntimas que acontecem dentro das casas.

Você é uma convidada da Flip, que este ano será virtual. Você tem alguma experiência particular ou relacionamento com a literatura brasileira?

Amo Rubem Fonseca. Para mim, ele foi muito esclarecedor em seu tratamento da violência e do sexo.

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Confira a programação da Flip 2020 e saiba como assistir

A Festa Literária Internacional de Paraty será entre os dias 3 e 6 de dezembro, online, e vai contar com a participação de Bernardine Evaristo, Jonathan Safran Foer, Caetano Veloso, Itamar Vieira Junior e outros

Redação, O Estado de S. Paulo

02 de dezembro de 2020 | 11h01

Começa nesta quinta-feira, 3, a Festa Literária Internacional de Paraty. Esta 18.ª edição da Flip 2020 será atípica: menor, online e gratuita. Serão 12 mesas na programação principal até domingo, incluindo saraus e slam.

Vencedora do Booker Prize pelo romance Garota, Mulher, Outras, Bernardine Evaristo participa da abertura nesta quinta, às 18h, em conversa com Stephanie Borges. Britânica, filha de mãe inglesa e pai nigeriano, ela deve falar também sobre seu avô paterno, que foi escravizado e, liberto, fez o caminho de volta do Brasil para a Nigéria.

A lista de convidados conta, ainda, com a dramaturga e escritora americana Regina Porter. Autora de Os Viajantes, ela divide a mesa no domingo, às 16h, com Jeferson Tenório, autor de O Avesso da Pele. E também com Jonathan Safran Foer, que acaba de lançar no Brasil Nós Somos o Clima, a poeta americana Eileen Myles, a colombiana Pilar Quintana, Paul B. Preciado, Caetano Veloso, Itamar Vieira Junior, entre outros.

As mesas serão transmitidas pelos canais da Flip do YouTube e Facebook e também no site do evento.

Além da programação principal, há a Flip+, com uma breve agenda promovida por parceiros da Flip. A Embaixada da França, por exemplo, vai promover uma conversa com o escritor David Diop, vencedor da primeira edição do prêmio Choix Goncourt du Brésil, sobre seu livro Irmãos de Alma, recém-lançado pela Nós. Será na sexta, 4, às 11h, pelos canais da Flip e da embaixada no YouTube.

 

Programação da Flip 2020

  • Quinta, 3

18h

Mesa 1: Diásporas, com Bernardine Evaristo e Stephanie Borges

20h30

Mesa 2/Zé Kleber: Ciranda com Fernando e Marcello Alcantara

Mediação de Jéssica Moreira, jornalista, fundadora do site Nós Mulheres da Periferia

  • Sexta, 4

16h

Mesa 3: Florestas vivas, com Jonathan Safran Foer e Márcia Kambeba

Mediação de Jennifer Ann Thomas, jornalista com especialização em meio ambiente

18h

Mesa 4: Eileen para presidente!, com Eileen Myles

Mediação de Bruna Beber e Mariana Ruggieri, poetas e tradutoras da obra de Eileen Myles

20h30

Mesa 5: Animais abatidos, com Pilar Quintana e Ana Paula Maia

Mediação de Schneider Carpeggiani, crítico e editor do Suplemento Pernambuco

  • Sábado, 5

16h

Mesa 6: Sobre o autoritarismo, com Lilia Moritz Schwarcz

Mediação de Flavia Lima, ombudsman da Folha de São Paulo, e Flavia Rios, socióloga

18h

Mesa 7: Ancestralidades, com Chigozie Obioma e Itamar Vieira Junior

Mediação de Ángel Gurría-Quintana, jornalista, editor e tradutor

20h30

Mesa 8: Transições, com Caetano Veloso e Paul B. Preciado

Mediação de Ángel Gurría-Quintana, jornalista, editor e tradutor

  • Domingo, 6

14h

Mesa 9/Zé Kleber: Sarau, com Rodrigo Ciríaco e Elisa Pereira

Mediação de Jéssica Moreira, jornalista, fundadora do site Nós Mulheres da Periferia

16h

Mesa 10: Batidas, com Regina Porter e Jeferson Tenório

Mediação de Guilherme Henrique, jornalista, repórter do Nexo jornal

18h

Mesa 11: Vocigrafias insurgentes, com Danez Smith e Jota Mombaça

Mediação de Roberta Estrela D’Alva, atriz-MC, diretora, pesquisadora e slammer

20h30

Mesa 12/Zé Kleber: Slam, com Nathalia Leal e Luz Ribeiro

Mediação de Jéssica Moreira, jornalista, fundadora do site Nós Mulheres da Periferia

 

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O poeta Danez Smith, em foto de fevereiro, é um dos destaques da programação Randy Shropshire

Em meio à pandemia, Flip começa hoje em edição digital e gratuita

Nenhum escritor ou leitor vai enfrentar o acidentado calçamento da cidade histórica: as tradicionais mesas serão acompanhadas pelo site e redes sociais da Flip

Imagem Ubiratan Brasil

Ubiratan Brasil , O Estado de S.Paulo

Atualizado

O poeta Danez Smith, em foto de fevereiro, é um dos destaques da programação Randy Shropshire

A pandemia da covid-19 alterou todo o calendário das feiras literárias, no Brasil e no mundo. Com a proibição de aglomerações, os debates deixaram de ser presenciais e se transformaram em eventos online, pela internet. Por isso, o mais importante evento nacional, a Festa Literária Internacional de Paraty, começa nesta quinta-feira, 3, sua 18.ª e mais inusual edição. Nenhum escritor ou leitor vai enfrentar o acidentado calçamento da cidade histórica: as tradicionais mesas serão acompanhadas pelo site e redes sociais da Flip. 

Assim, às 18h ocorre o primeiro encontro, denominado Diásporas e vai reunir a inglesa Bernardine Evaristo (autora de um dos mais instigantes livros do ano, Garota, Mulher, Outras, editado pela Companhia das Letras) e a brasileira Stephanie Borges, autora dos vigorosos versos de Talvez Precisemos de Um Nome Para Isso. Em seguida, às 20h30, começará a primeira mesa dedicada aos artistas paratienses, com os músicos cirandeiros Fernando e Marcello Alcântara. Outras nove mesas serão realizadas até domingo, 6.

“Este é um ano atípico, por isso optamos por este formato”, explica Mauro Munhoz, diretor artístico do evento. “A Flip Virtual contará com uma linguagem própria, que respeita o sentido original e o espírito da Festa: ser mais que um mero evento, estabelecendo uma relação duradoura e permeável com Paraty.” A edição será atípica também por não contar com a presença de um curador nem de um autor homenageado. A jornalista e editora Fernanda Diamant deixou a função de curadora em agosto – e, desde então, não houve substituição. 

Já a questão da homenagem, o nome anunciado (a escritora americana Elizabeth Bishop) despertou diversas críticas, transformando o que seria um tributo em um dilema. Daí a decisão por não haver um escolhido. Finalmente, como houve uma queda significativa de receita, a Flip lançou uma campanha de financiamento coletivo para manter o projeto educativo (especialmente a Flipinha) até março de 2021. Percalços que, espera-se, serão esquecidos quando começar o primeiro encontro.

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