Acervo Paulo Gurgel Valente
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5 segredos de Clarice Lispector para mulheres

As dicas, dadas pela escritora e jornalista nos anos 1950 e 1960, estão no livro 'Correio Para Mulheres'

Redação, O Estado de S. Paulo

12 Maio 2018 | 06h00

Chega às livrarias, pela Rocco, o Correio Para Mulheres, de Clarice Lispector. O livro reúne dois volumes já editados pela casa, ambos organizados por Aparecida Maria Nunes: Só Para Mulheres: Conselhos, Receitas, Segredos (2008) e Correio Feminino (2006).

Confira cinco 'segredos' e 'conselhos' da autora de A Paixão Segundo G. H. para mulheres publicados em colunas que ela assinou com o pseudônimo do Tereza Quadros e Helen Palmer e como ghost writer da atriz Ilka Soares. As colunas foram publicadas em 1952, 1959, 1960 e 1961 nos jornais Comício, Correio da Manhã e Diário da Noite.

+++ Colunas femininas de Clarice Lispector ganham nova edição em 'Correio Para Mulheres'

1. Matar baratas. “Deixe, todas as noites, nos lugares preferidos pelas baratinhas horríveis, a seguinte comidinha: açúcar, farinha e gesso, misturados em partes iguais. (...) Na manhã seguinte dezenas de baratas duras enfeitarão como estátuas a vossa cozinha, madame.”

2. Improviso. “Dizem que, para a visita inesperada, é só botar mais água no feijão. Mas e quando não tem feijão? Ou quando a visita, além de ficar para jantar, não é daquelas para as quais a gente dá ‘feijão com arroz’? Pois uma boa salada já resolveu muito problema de dona de casa (...).”

3. Como tratar a empregada. “(...) Ajude-a a melhorar de vida, trate-a como uma pessoa que, igual a você, tem alegrias e sofrimentos, humilhações e aspirações. Se tudo isso fizer com que a empregada vá embora, pelo menos você terá sido humana, o que lhe servirá de consolo enquanto você lava os pratos com ódio.”

4. Dosar defeitos. “Ser sedutora não consiste em não ter defeitos – mas dosá-los. Quem resiste à caceteação de uma mulher, por mais bonitinha que seja? A pessoa devia fazer de vez em quando uma revisão de si mesma: estou repetindo demais as mesmas histórias? Falo demais? Faço perguntas sem parar? Lamento-me demais? Estou me tornando dessas pessoas que grudam? Vivo pedindo desculpas (...).”

5. Imitar quem? “A questão toda está aí: você deve imitar você mesma. O que quer dizer: seu trabalho é o de descobrir no próprio rosto a mulher que seria se fosse mais atraente, mais pessoal, mais inconfundível. Quando você ‘cria’ seu rosto, tendo como base você mesma, sua alegria é de descoberta, de desabrochamento.”

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