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5 livros sobre Auschwitz para ler nos 75 anos da libertação do campo de concentração

O historiador Marcos Guterman indica 5 livros sobre o campo de concentração nazista

Redação, O Estado de S. Paulo

11 de janeiro de 2020 | 16h00

Há 75 anos, no dia 27 de janeiro, o Exército Vermelho libertava o campo de concentração de Auschwitz, na Polônia, palco do horror nazista onde milhares de judeus foram exterminados.

A Segunda Guerra Mundial é um tema caro para pesquisadores, cineastas e escritores e todos os meses novos livros são lançados. Um dos destaques de janeiro, previsto para chegar às livrarias dia 28 pela Planeta, é Última Parada: Auschwitz - Meu Diário de Sobrevivência, do médico holandês Eddy de Wind. A obra é tida como a única escrita integralmente dentro do campo.

Marcos Guterman, historiador e jornalista do Estado, indica a seguir obras fundamentais sobre o campo de concentração de Auschwitz. 

5 livros sobre Auschwitz 

É Isto um Homem

'É isto um homem?', de Primo Levi,  é um libelo contra a morte moral do indivíduo. No livro, o escritor e químico italiano Primo Levi relembra seu sofrimento num campo de extermínio, sem, contudo, invocar qualquer resquício de autopiedade ou vingança. Deportado para Auschwitz em 1944, entre outros 650 judeus italianos, Levi foi um dos poucos que sobreviveram, retornando à Itália em 1945. / É Isto um Homem (Rocco, 176 págs.; R$ 34,90)

Assim Foi Auschwitz

Em 1945, após a libertação de Auschwitz, militares soviéticos encarregaram Primo Levi e outro prisioneiro, o médico Leonardo De Benedetti, de elaborar um relatório detalhado sobre as abomináveis condições de saúde dos campos. O resultado foi o Relatório sobre Auschwitz, um testemunho extraordinário e pioneiro dos campos de concentração, e ainda hoje uma peça impressionante a respeito da prática clínica num lugar de desumanização e extermínio. Publicado em 1946 numa revista científica, o relato inauguraria o trabalho de Primo Levi como escritor - sua estreia oficial se deu no ano seguinte, com É isto um homem?. Nas quatro décadas seguintes, Primo Levi nunca deixaria de contar a experiência em Auschwitz em textos, agora reunidos neste volume. São relatos, depoimentos, cartas e comentários, publicados quase até as vésperas da morte de Levi, em 1987. / Assim Foi Auschwitz (Companhia das Letras; 280 págs.; R$ 47,90)

A Noite, de Elie Wiesel

Neste livro de memórias, Elie Wiesel narra os horrores dos campos de concentração alemães na segunda grande guerra. Prisioneiro aos 14 anos de idade, Wiesel não passou apenas por humilhações de ordem racial, mas sim testemunhou a morte de diversas pessoas, entre elas seus pais e sua irmã caçula. A narrativa impressiona não apenas pelo caráter desumano da tentativa de Hitler de construir uma raça pura, mas também, nas palavras de Mauriac, pela "morte de Deus nessa alma de criança que descobre subitamente o mal absoluto". / A Noite (Ediouro; 165 págs; encontrado em sebo)

Maus

Maus (rato, em alemão) é a história de Vladek Spiegelman, judeu polonês que sobreviveu ao campo de concentração de Auschwitz, narrada por ele próprio ao filho Art Spiegelman. O livro é considerado um clássico contemporâneo das histórias em quadrinhos. Foi publicado em duas partes, a primeira em 1986 e a segunda em 1991. No ano seguinte, o livro ganhou o prestigioso Prêmio Pulitzer de literatura. Nas tiras, os judeus são desenhados como ratos e os nazistas ganham feições de gatos; poloneses não-judeus são porcos e americanos, cachorros. Esse recurso, aliado à ausência de cor dos quadrinhos, reflete o espírito do livro: trata-se de um relato incisivo e perturbador, que evidencia a brutalidade da catástrofe do Holocausto. / Maus (Quadrinhos na Cia.; 296 págs.; R$ 62,90)

Capesius, O Farmacêutico de Auschwitz

Essa é a história do farmacêutico do campo da morte Quando vivia em Schässburg, na Transilvânia, Victor Capesius era farmacêutico e representante comercial dos produtos Bayer. Durante a guerra, foi recrutado para ocupar o prestigiado cargo de Oficial da SS como farmacêutico-chefe de Auschwitz do outono de 1943 até a evacuação do campo de concentração. Entre as suas atribuições constavam distribuir o gás utilizado nas câmaras de extermínio e selecionar os que iriam para a morte. Certo dia, após a chegada de um trem de sua terra natal, Capesius identificou vários homens e mulheres, antigos vizinhos e conhecidos, que desembarcavam no principal campo de concentração do nazismo; pessoas que sequer imaginavam o massacre final que as aguardava. A sangue-frio, enviou muitos deles para as câmaras de gás e se apossou de seus objetos de valor. Por meio da investigação das relações entre os vários personagens que estiveram em Auschwitz, Dieter Schlesak apresenta em Capesius, o Farmacêutico de Auschwitz uma complexa colagem de narrativas, documentos e imagens do horror nazista. / Capesius, O Farmacêutico de Auschwitz (Bertrand; 336 págs.; R$ 59,90)

 

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