5 escritores imigrantes fundamentais na literatura americana contemporânea

5 escritores imigrantes fundamentais na literatura americana contemporânea

Produção de autores como Chimamanda Ngozi Adichie e Gary Shteyngart tem evidência ímpar nas letras dos Estados Unidos

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

13 de setembro de 2019 | 12h00

Em tempos em que administrações como a de Donald Trump tentam passar uma imagem negativa em relação aos imigrantes, é na arte que muitos deles encontram meios de se expressar e dar voz a seus anseios, tenham eles a ver com a questão política das fronteiras ou não. Nos Estados Unidos, escritores como Chimamanda Ngozi Adichie e Gary Shteyngart (autor do recente Lake Success, lançado agora no Brasil pela editora Todavia) têm, há tempos colocado seu nome entre os grandes autores.

Os imigrantes são desde sempre parte fundamental da história americana (e, claro, da brasileira): na Estátua da Liberdade, em Nova York, um poema da escritora Emma Lazarus (filha de imigrantes judeus) diz: "Traga-me os seus cansados, seus pobres, suas massas comprimidas, anseando por respirar livres".

5 destacados escritores imigrantes nos Estados Unidos da América

Gary Shteyngart

De forte pegada satírica, o trabalho de Gary Shteyngart (nascido em Leningrado, na União Soviética, em 1972, e emigrado para o Queens, em Nova York, aos sete anos de idade) começou a ganhar a atenção da mídia americana com Absurdistão (2006), romance em que um filho de imigrantes luta para ganhar de volta um amor perdido no South Bronx. São outros quatro livros: O Pícaro Russo (2002), Uma História de Amor Real e Supertriste (2010), Fracassinho (2014). Agora, em Lake Success, seu elogiadíssimo romance mais recente, o escritor põe como protagonista, pela primeira vez, um personagem americano.

Chimamanda Ngozi Adichie

Chimamanda Ngozi Adichie virou uma estrela na internet com suas participações no programa de palestras TEDTalks (um trecho foi usado por Beyoncé na canção Flawless), ela tem entre suas obras mais recentes manifestos feministas que figuram nas listas de mais vendidos mundo afora, mas ela é, em primeiro lugar, escritora de ficção. Suas histórias exploram temas que vão das migrações entre África e EUA a relacionamentos amorosos, a relação de mulheres negras com o próprio cabelo e racismo. Entre os livros de destaque estão Meio Sol Amarelo e Americanah (romance que está sendo adaptado para a TV com Lupita Nyong'o no papel principal).

Chigozie Obioma

O escritor nigeriano Chigozie Obioma ainda tem 33 anos, mas já foi duas vezes finalistas do Man Booker Prize, um dos prêmios literários mais importantes da língua inglesa. Em 2016, saiu por aqui o romance Os Pescadores (traduzido para 24 idiomas), com resenhas positivas em vários jornais do mundo, incluindo aí o The New York Times e o The Guardian. Hoje, ele é professor na Universidade de Nebraska-Lincoln, de literatura e escrita criativa. An Orchestra of Minorities, seu romance mais recente, está na briga pelo Booker desse ano.

Ocean Vuong

Ocean Vuong é um poeta nascido em Ho Chi Minh City, Vietnã, e aos dois anos imigrou com parte da família para Connecticut, nos EUA. Aos 30 anos, já acumula prêmios e tem deixado sua marca na cultura popular americana com sua escrita visceral e prodigiosa (Graciliano Ramos dizia que não existem prodígios na literatura, apenas na música, mas Vuong contraria essa ideia). Seu romance de estreia, On Earth We're Briefly Gorgeous, foi publicado este ano nos EUA. No Brasil, a editora Ayinê publicou a coleção de poemas Céu Noturno Crivado de Balas

Imbolo Mbue

O primeiro livro de Imbolo Mbue, agora com 38 anos, chegou fazendo barulho: em 2014, ele foi comprado por uma soma de sete dígitos em Frankfurt, e no ano seguinte seus direitos foram vendidos para o cinema com o mesmo bafafá. Aqui Estão Os Sonhadores, lançado no Brasil em 2017 pela Globo Livros, conta a história de duas famílias durante a explosão da bolha financeira de 2008 em Wall Street: uma de camaroneses tentando se estabelecer em Nova York (cidade em que a escritora vive há 18 anos), e outra de norte-americanos brancos e ricos, lidando com as consequências da crise.

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